ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas com dados de crianças
Fiscalização da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) encontrou irregularidades no tratamento de dados de jovens dentro do TikTok

A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) aplicou uma multa de R$ 153,7 milhões à empresa ByteDance, responsável pela rede social TikTok, devido a irregularidades no tratamento de dados de crianças e adolescentes. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta terça-feira (25/8).
Segundo a ANPD, uma fiscalização identificou problemas no acesso à plataforma por usuários com ou sem cadastro, o que estaria em desacordo com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). “Nas duas formas de acesso à rede social, constatou-se o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes sem hipótese legal adequada, ou seja, sem respaldo nas hipóteses previstas na LGPD para tratamento de dados pessoais desse público mais vulnerável”, disse a agência.
Na avaliação da ANPD, os mecanismos adotados pela empresa não foram suficientes para evitar, desde a origem, o tratamento indevido de dados pessoais de crianças e adolescentes. Além de impor multa, a agência determinou que a empresa elimine todos os dados coletados irregularmente e implemente um plano para melhorar a proteção ao público na plataforma.
Irregularidades no TikTok, segundo a ANPD
- Tratar dados pessoais de crianças e adolescentes para realizar o cadastro no TikTok, sem hipótese legal válida.
- Deixar de adotar medidas para prevenir o tratamento de dados pessoais de crianças e adolescentes no feed sem cadastro.
- Deixar de demonstrar medidas eficazes e capazes de comprovar o cumprimento de normas de proteção de dados.
O TikTok deverá aplicar automaticamente as configurações mais restritivas de privacidade às contas de quem tem menos de 16 anos, que só poderão ser alteradas com autorização dos responsáveis, e reforçar sistemas de controle por parte dos pais, chamados de supervisão parental. Os filtros de conteúdo também devem ser mais rigorosos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPJá no caso da versão sem cadastro, o TikTok deverá suspender anúncios, limitar a experiência a conteúdos adequados para todas as idades, reduzir o tratamento de dados pessoais e limitar o tempo de uso a 12h. Os usuários sem cadastro também não poderão publicar ou assistir a transmissões ao vivo ou enviar mensagens diretas a outros perfis.
A empresa ainda pode recorrer da decisão.
Em outra decisão, também confirmada nesta terça-feira, a ANPD aprovou um plano de conformidade apresentado pela Bytedance, que se comprometeu a implementar mecanismos confiáveis para confirmar a idade dos usuários, exigência estabelecida pelo Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital).
Suspensão no Discord
Essa é a segunda intervenção da ANPD, nas últimas semanas, sobre plataformas de grandes proporções que atuam no Brasil. No dia 12 de agosto, a agência determinou que o Discord suspendesse a função de transmissões de lives no país. A decisão ocorreu após a morte de uma adolescente de 13 anos durante transmissão ao vivo na plataforma. Após o caso, a primeira-dama Janja defendeu publicamente a retirada do Discord do ar.
A ANPD concluiu que o sistema automatizado usado pelo Discord falhou ao avaliar um episódio grave envolvendo uma adolescente e que a empresa não demonstrou ter mecanismos suficientes para identificar e interromper situações de risco envolvendo menores de 18 anos.
Nessa segunda-feira (24/8), o Discord recorreu à agência e pediu que a decisão seja suspensa. No documento entregue à ANPD, a plataforma apresenta como alternativa à suspensão o estabelecimento de um plano de conformidade.
A empresa afirmou que apresentaria à ANPD as medidas que poderia implementar imediatamente, as que dependeriam de tempo de desenvolvimento e aquelas que não poderia adotar. Nesses casos, informou que apresentaria as razões técnicas e possíveis alternativas. O recurso registrou ainda que uma proposta de Termo de Ajustamento de Conduta está em discussão com outras autoridades federais.



