A aposta de aliados para ofuscar “teto de vidro” de Flávio na campanha
Aliados de Flávio acreditam que PT tende a evitar trazer tema da corrupção para a corrida eleitoral, já que tema é sensível à legenda
atualizado
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Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL) acreditam que o PT não deve apostar em uma artilharia muito pesada contra o histórico de suspeitas de atividades ilícitas do filho “01” do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Entre os principais motivos citados, estaria o fato de não ser interessante para o partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) trazer o tema da corrupção para a campanha, já que o assunto também é sensível para a legenda.
Segundo interlocutores de Flávio e integrantes do PL, caso o PT comece a rememorar casos antigos envolvendo o senador, a campanha do bolsonarista teria a deixa para explorar assuntos como o mensalão e a Lava Jato, que atingiram importantes quadros do PT desde o primeiro mandato de Lula e deram origem à alta rejeição que o partido passou a carregar em eleições seguintes.
Além disso, argumentam que o “teto de vidro” de Flávio se refere a casos antigos, como as investigações sobre suposta prática de rachadinha no gabinete do senador quando era deputado estadual no Rio de Janeiro, sua relação com o pivô das suspeitas, o ex-assessor Fabrício Queiroz, a loja de chocolates de Flávio, suspeita de lavagem de dinheiro, e o crescimento do seu patrimônio imobiliário.
Avaliação é que, caso a corrupção entre nos debates da campanha, o candidato do PL levaria “vantagem”, já que teria casos mais recentes para explorar e atingir o adversário, como as revelações da ligação de membros do governo Lula com o caso Master e o envolvimento do nome de Lulinha, filho do presidente, no noticiário da Farra do INSS.
Essa leitura entre aliados de Flávio ocorre em resposta às alegações de que o PT ainda estaria “poupando” o senador de ataques mais diretos, por entender que disputar contra um Bolsonaro seria melhor do enfrentar um nome com menos rejeição, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.
Estrategistas do PL também entendem que a corrupção já tem tanto apelo junto ao eleitorado, como ocorria até o início da década. A avaliação é de que a última campanha, em 2022, já teve esse perfil.
Políticos de diferentes partidos e ideologias entendem que a segurança pública, por exemplo, ocupa um espaço maior na preocupação do brasileiro. Acreditam também que a atuação do Judiciário e de ministros do STF tenham atualmente maior aderência no eleitorado de direita.
