Testemunha pegou celular de jovem morto por PM em briga de trânsito
Testemunha foi até o carro de Bruno Lisboa Araújo, morto com um tiro na cabeça por PM em briga de trânsito, e “se apoderou” do celular dele
atualizado
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Mesmo morto, o jovem de 21 anos assassinado por um PM em uma briga de trânsito no bairro da Brasilândia, na zona norte de São Paulo, na tarde dessa segunda-feira (5/1), teve o celular subtraído momentaneamente por uma testemunha que estava no local. A informação consta no boletim de ocorrência que registrou o caso.
A testemunha em questão teria se aproximado do carro de Bruno Lisboa Araújo, atingido com um tiro na cabeça, para ver como ele estava. Em seguida, “se apoderou” do celular dele.
“Sabe que havia duas testemunhas, e uma delas disse que foi até o veículo verificar como a vítima estava, mas posteriormente se verificou que ele havia se apoderado do celular da vítima, que foi localizado no veículo GM/Agile que essa testemunha conduzia”, diz o registro policial.
Questionada, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o celular da vítima foi apreendido para perícia. A pasta não respondeu se houve alguma autuação por roubo ou algum delito correlato.
Vídeo mostra momento de disparo
Câmeras de segurança registraram a dinâmica da ocorrência. Não é possível visualizar a discussão, mas os equipamentos capturaram o áudio da briga. Veja:
No vídeo, é possível escutar uma gritaria. Um dos envolvidos, que aparenta ser Assis, conforme o boletim de ocorrência, grita: “Vem, filha da puta, vem”. Em seguida, grita: “Vai, desce aí então, cuzão; desce aí então”. Mais algumas palavras são ditas, mas não é possível identificá-las.
É possível ouvir também: “Você tá errado”. Em seguida, um barulho de disparo.
Araújo foi encontrado pela polícia sentado no banco do motorista, mas caído sobre o banco do passageiro. Ele tinha um ferimento de bala de fogo no lado esquerdo da cabeça, na região da têmpora.
O B.O. destaca que o jovem estava desarmado. “Diante desse cenário, não há como se acolher, nesta fase, a tese de legítima defesa”, diz o registro policial.
Assis foi preso em flagrante por homicídio. O delegado do 72º Distrito Policial (DP), da Vila Penteado, afirmou não ser possível decidir sobre a possibilidade de fiança para o preso.
Dinâmica da briga
De acordo com o registro da ocorrência, os dois se envolveram em uma briga de trânsito, por volta das 14h dessa segunda, na rua Reverendo Carlos Wesly. Foi Assis quem acionou a PM após o disparo.
Ele disse aos agentes que vinha em seu veículo Fiat/Uno pela rua Luanda, quando acabou se deparando com o Audi de Araújo. De acordo com o boletim de ocorrência, não havia espaço para os dois carros passarem.
“Então Assis alegou que imprimiu marcha à ré e, na esquina com a Rua Reverendo Carlos Wesly, emparelhou com o veículo Audi, e o motorista [Bruno] passou a discutir com ele e dizer que iria matá-lo”, diz o documento.
Assis contou à polícia que travou uma discussão de trânsito com Araújo e decidiu tirar uma foto do carro dele, que teria ficado irritado e passado a ofendê-lo chamando de “Zé Povinho”.
O PM afirmou ainda que o jovem abriu parcialmente a porta do carro, colocou um dos pés para fora e “fez menção de sacar uma arma”. Nesse momento, o policial sacou a pistola da corporação e atirou contra o rapaz de 21 anos.
Deixa filha de duas semanas
Araújo teve uma filha há apenas duas semanas. Nas redes sociais, a companheira dele, e mãe da pequena Hellena, compartilhou registros do jovem. “Me faltam palavras, me falta um pedaço… Arrancaram você daqui da forma mais injusta e covarde”, escreveu.
Segundo a publicação, Araújo sonhava em ser pai. “Tiraram o direito de você vê-la crescer, mas ela crescerá sabendo quem você foi, eu farei questão de contar o quanto você era alegre e todas as suas loucuras, eu quero lembrar de você sorrindo”, continuou Jeniffer Anttunes.













