Tenente baleado fez prova para entrar na PM no dia da morte de Eloá
Ronickson Pimentel, da Rota, é irmão por parte de mãe de Eloá Pimentel, jovem assassinada pelo ex-namorado no sequestro mais longo de SP

O tenente Ronickson Pimentel dos Santos, irmão de Eloá Pimentel, foi baleado na cabeça à paisana enquanto estava parado em um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul, Grande São Paulo, nesse sábado (27/6).
Em publicação feita em 22 de junho no Instagram, a esposa do tenente contou que o atual oficial das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) fez prova para ingressar na Polícia Militar de São Paulo (PMSP) exatamente no dia em que soube que a irmã havia morrido, em outubro de 2008.
“Talvez aquele dia tenha revelado o que sempre existiu dentro de você, a capacidade de se levantar quando a vida parece impossível. Você poderia ter permitido que a dor definisse a sua história, mas escolheu transformá-la em um propósito”, afirmou a companheira do policial, Cintia Pimentel.
Eloá foi assassinada há 17 anos pelo ex-namorado Lindemberg Alves, no que é considerado o sequestro mais longevo da história de São Paulo. Agora, o irmão dela por parte de mãe está internado, em estado gravíssimo e estável, sob monitoramento neurológico contínuo, na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André, no ABC Paulista.
“Algumas pessoas costumam dizer que você entrou para a polícia por causa da perda da sua irmã, mas a verdade é que a admiração pela Polícia Militar já existia dentro de você muito antes. O que poucos sabem é que a sua história e a da polícia se cruzaram de uma forma que só os mais fortes conseguem suportar”, destacou Cintia.
Em outro trecho, ela diz que a “tragédia” familiar não “endureceu” o coração do marido. “Você transformou a sua maior dor em uma missão de vida”, completou.

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Ver todasJustiça decretou prisão de suspeitos
A Polícia Civil apura o que motivou o crime contra o tenente Pimentel. “A gente ainda está cruzando as informações para verificar a motivação, mas com certeza premeditado”, disse o major Marcos Verardino, neste domingo (28/6), em entrevista no Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), em São Paulo.
Dois homens, de 40 e 52 anos, suspeitos de envolvimento na tentativa de homicídio, tiveram a prisão temporária decretada pela Vara do Plantão da Comarca de Santo André, neste domingo (28/6). Os investigados foram localizados pela Polícia Militar em Guaianases, na capital paulista.
Anteriormente, a PM havia informado que um terceiro suspeito, de 24 anos, também havia sido detido. No entanto, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), ele esteve no DHPP para acompanhar o pai.
“As investigações apontam indícios de que os suspeitos tenham ligação com os homens que perseguiram e atiraram contra o policial militar. Segundo a apuração, eles teriam prestado apoio à ação criminosa, atuando de forma coordenada com os executores por meio de veículos que acompanharam a motocicleta utilizada no atentado antes e após os disparos. Dois veículos que estavam sob a posse deles foram apreendidos e passam por perícia do Instituto de Criminalística”, informou a pasta, em nota.
Os dois motociclistas que atuaram diretamente no ataque ao agente continuam foragidos. As apurações do caso continuam.


