Tarifaço no etanol: “Não precisamos fazer cessões”, diz Tarcísio
Em evento do setor, Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu que etanol brasileiro não seja colocado na mesa de negociações com Trump
atualizado
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O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu, nesta segunda-feira (20/10), que o etanol não seja usado na mesa de negociações sobre as tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. A possibilidade é especulada após críticas do presidente Donald Trump às taxas brasileiras ao biocombustível norte-americano.
“Nós não precisamos de fazer cessões naquilo que é reserva estratégica do Brasil. Não temos que colocar isso na mesa de negociação. Temos que proteger essa reserva estratégica”, disse o governador Tarcísio de Freitas nesta segunda (20).
A fala, feita durante a 25ª Conferência Internacional Datagro sobre Açúcar e Etanol, é um aceno ao setor nacional de biocombustíveis. Na última quinta-feira (17/10), a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) publicou uma nota defendendo que “o etanol é um ativo estratégico de soberania nacional e não pode ser tratado como moeda de troca em negociações comerciais”.
No texto, a associação nega que haja qualquer negociação com o governo federal para redução da tarifa de importação de 18% aplicada ao etanol norte-americano. Ainda sim, essa possibilidade vem sendo tratada desde o início da ofensiva comercial imposta por Trump.
Em fevereiro deste ano, a gestão norte-americana mencionou expressamente o etanol brasileiro em documento que justificaria as tarifas, batizado por Trump como “Plano Justo e Recíproco”:
“A tarifa dos EUA sobre o etanol é de apenas 2,5%. No entanto, o Brasil impõe uma tarifa de 18% sobre as exportações de etanol dos EUA. Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto exportaram apenas US$ 52 milhões para o país”, diz o documento.
Não é a primeira vez que o governador Tarcísio de Freitas opina sobre a condução das negociações com os Estados Unidos. Em julho, o governador chegou a a se reunir em Brasília com o representante da embaixada americana, Gabriel Escobar. Depois disso, Escobar chegou a vir a São Paulo para negociar diretamente com o governador.
