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Eleições 2026São Paulo

Tarcísio e Haddad entram na "guerra santa" da reta final das eleições

Os principais candidatos ao governo de São Paulo repercutiram a polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida em agendas na capital paulista

29/09/2026 07:00
Diogo Zacarias/Divulgação Campanha Fernando Haddad e Evander Portilho/Divulgação Campanha Tarcísio de Freitas
Tarcísio e Haddad entram na “guerra santa” da reta final das eleições

A polêmica envolvendo as publicações que tratam de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil chegou aos principais candidatos ao governo de São Paulo: o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT). O episódio começou na noite de quinta-feira (24/9), quando passaram a circular na internet publicações afirmando que o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) estaria por trás de um plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O caso influenciou a eleição presidencial — a pesquisa Quaest divulgada nesta segunda-feira (28/9) mostrou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve uma alta na intenção de voto entre católicos e evangélicos.

O assunto foi repercutido pelas duas principais campanhas. Na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, segundo a pesquisa Datafolha, entre o eleitorado católico, Tarcísio aparece à frente de Haddad por 18 pontos, com 51% a 33%.

Nessa segunda-feira, (28/9), durante agenda no centro de São Paulo, Tarcísio ergueu uma imagem de Nossa Senhora ao lado de Flávio Bolsonaro. A imagem foi entregue aos candidatos por uma pessoa que acompanhava o ato de campanha.

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Flávio recuou em relação às críticas que havia feito à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), quando disse que “gente de dentro da CNBB” teria ajudado a propagar a fake news de que o senador retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

Ainda que tenha comparecido a diversos cultos evangélicos durante a campanha, Tarcísio, que é católico, foi questionado por jornalistas, no último sábado (26/9), e reforçou que a tolerância religiosa é uma característica do Brasil que deve ser respeitada.

“O Brasil é o país do sincretismo religioso, o Brasil é o país da tolerância, o Brasil é o país onde as religiões convivem no mesmo lar, convivem no mesmo território e nunca tivemos problema com relação a isso. (…) A tolerância é o caminho. O respeito é o caminho. Não tem outro caminho pro Brasil”, disse.

Já Fernando Haddad também comentou o assunto no domingo (27/8), durante um discurso após participar de uma missa na Catedral da Sé em homenagem à Amelinha Teles, que morreu na semana passada. “Agora essa semana chegou no auge de todas as ofensas, até a mãe de Cristo não escapou do bolsonarismo no Brasil. É de uma indignidade, de um desrespeito, é nojento o que esses caras fazem com a fé das pessoas, com a dignidade das pessoas. Esses caras não merecem estar onde estão”, disse.

O sociólogo e ex-deputado Simão Pedro, que foi secretário de Haddad quando o petista foi prefeito da capital paulista, afirmou que o candidato é “rigorosíssimo nessa questão de separar a questão religiosa da questão do Estado”.

Já a candidata ao senado pela chapa de Haddad, Simone Tebet (PSB), foi mais incisiva na fala, ao afirmar também no último domingo que é preciso defender a fé dos brasileiros. “A minha mensagem de hoje é: nós precisamos defender a fé. Não a minha, não a sua, não a nossa, mas a de todos os cristãos e não cristãos de matriz afro que estão aqui”, disse Tebet.

O caso ainda repercutiu essa semana: a defesa de Flávio Bolsonaro recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão monocrática do ministro Flávio Dino que suspendeu ordens do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) acerca de publicações que tratam de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil.