Tarcísio cedeu locações para filme de Bolsonaro. Igreja barrou Pateo do Collegio
Filme Dark Horse, sobre Bolsonaro, que recebeu R$ 61 milhões de Vorcaro, teve liberadas locações em equipamentos do Governo de São Paulo
atualizado
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A produção do filme Dark Horse (O Azarão, em tradução livre), sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), alugou espaços do Governo de São Paulo para a gravação de cenas, bem como teve recusada a cessão para uso de um espaço histórico do século 16 ligado aos jesuítas (leia mais abaixo).
O filme recebeu aproximadamente R$ 61 milhões do dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. Os recursos foram solicitados pelo senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ), segundo revelado pelo Intercept Brasil.
O Metrópoles mostrou que a produção do filme alugou espaços do Museu das Favela e do Memoria da América Latina, equipamentos estaduais. Para o museu, a locação ocorreu nos dias 3 e 4 de dezembro do ano passado, por seis horas, mediante pagamento de R$ 57 mil, segundo a tabela vigente.
O local serviu como cenário da cena da facada sofrida pelo então candidato. Frames do vídeo veiculados nas redes sociais mostram o ator norte-americano Jim Caviezel sendo carregado por uma multidão, em frente ao prédio histórico do museu, no centro de São Paulo. As equipes do filme usaram escadarias de entrada, foyer, hall, sala de reunião e espaços externos.
À época, o aluguel gerou revolta entre funcionários do museu, que consideraram Bolsonaro incompatível com um espaço voltado à cultura periférica, afetada por políticas do governo dele, inclusive durante a pandemia.
Já para o uso do Memorial da América Latina, foram pagos R$ 125,9 mil ao Governo de São Paulo. O desembolso foi feito pela produtora Go Up Entertainment. As cenas no local foram gravadas entre 19 e 22 de novembro. Segundo o termo de autorização, publicado no Diário Oficial, o aluguel contemplou o período das 8h às 22h de cada dia previsto.
A locação englobou o Auditório da Biblioteca Latino-Americana, Praça da Sombra (área em frente ao Pavilhão da Criatividade), Foyer do Auditório Simón Bolívar, e Anexo dos Congressistas (pavimento inferior).
Em nota, a Secretaria da Cultura, Economia e Indústria Criativas do Estado de São Paulo afirmou que “a locação temporária de espaços em equipamentos culturais estaduais é regular e prevista nos contratos de gestão firmados com as organizações responsáveis pela administração desses locais”.
Disse ainda que a prática segue critérios objetivos, “com acesso democrático, impessoal e transparente, respeitando as normas de preservação do patrimônio cultural e as regras que vedam o uso promocional de marcas institucionais”, diz o governo.
Filme sobre Bolsonaro
- Dirigido por Cyrus Nowrasteh, o roteiro do filme Dark Horse foi escrito pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP), ex-secretário especial de Cultura no governo Bolsonaro.
- Com estreia prevista para 2026, o longa tem objetivo de alcançar o público internacional ao reconstituir a trajetória política do ex-presidente.
- Jair Bolsonaro foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e preso preventivamente desde 22 de novembro.
Pateo do Collegio negado
Os jesuítas, que administram o Pateo do Collegio, negaram autorização à equipe de Dark Horse para uma filmagem no local, conforme troca de e-mails obtida pelo Metrópoles. O assunto, inclusive, gerou críticas à SP Cine, agência de cinema subordinada à Prefeitura de São Paulo.
“Não poderemos sofrer um ônus tão grande causado por um projeto ao qual nem ao menos fomos consultados antecipadamente, ao contrário de outras instituições do entorno. Consideramos que a SPCine agiu com grande desrespeito à nossa Instituição, informando-nos de véspera sobre um cronograma que, reitero, inviabiliza nosso pleno funcionamento”, escreveu uma representante da administração do Pateo do Collegio.
Diante da negativa, os responsáveis pelo filme acabaram desistindo de filmar no local e realizaram a cena da facada contra Bolsonaro no Museu das Favelas.
“Nós não vamos mais filmar no Pateo Do Colégio e ontem a filmagem foi no Museu das Favelas. Portanto, não faz sentido a anuência do Pateo do Colégio se já acordamos com o Pateo do Colégioque não vamos mais filmar lá”, escreveu um representante do filme, no dia 4 de dezembro.













