Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Suíte onde Larissa foi encontrada tinha box estilhaçado e sangue. Veja foto

Polícia faz nova perícia na residência de Larissa da Cruz Morata com uso de luminol e reconstrução 3D

Reprodução/Instagram
Larissa da Cruz Morata

Uma imagem da suíte onde o corpo de Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, foi encontrado mostra o box estilhaçado e marcas de sangue no chão. A Polícia Científica realiza uma nova perícia na casa em que a técnica em radiologia morava para ajudar a esclarecer as circunstâncias da morte.

Suíte onde Larissa foi encontrada tinha box estilhaçado e sangue. Veja foto - destaque galeria
3 imagens
Polícia Científica faz nova perícia em residência em que Larissa da Cruz Morata foi morta com um tiro na cabeça
Os testes complementares fazem uso de luminol e scanner 3D
Foto de suíte onde corpo de esposa de PM foi encontrado mostra box estilhaçado e sangue
1 de 3

Foto de suíte onde corpo de esposa de PM foi encontrado mostra box estilhaçado e sangue

Imagens obtidas pelo Metrópoles
Polícia Científica faz nova perícia em residência em que Larissa da Cruz Morata foi morta com um tiro na cabeça
2 de 3

Polícia Científica faz nova perícia em residência em que Larissa da Cruz Morata foi morta com um tiro na cabeça

Imagens obtidas pelo Metrópoles
Os testes complementares fazem uso de luminol e scanner 3D
3 de 3

Os testes complementares fazem uso de luminol e scanner 3D

Imagens obtidas pelo Metrópoles

Em depoimento, o soldado da Polícia Militar (PM) Vinicius Costa Silva, marido de Larissa, disse que, no momento dos fatos, estava dormindo após uma conversa sobre o fim do relacionamento. De acordo com o relato, ele teria acordado ao ouvir um barulho que imaginou ser de “vidro quebrando”.

Larissa morreu no último domingo (6/9), em Embu das Artes, na Grande São Paulo, com um tiro na cabeça. Vinicius está preso desde a tarde do dia seguinte, suspeito de feminicídio.

Os testes complementares fazem uso de luminol, um composto químico que emite luz azul brilhante ao encontrar em contato com o ferro presente no sangue, no banheiro em que a jovem foi morta. Um scanner 3D também deve ajudar a reconstruir o ambiente. A mesma tecnologia foi usada na investigação sobre a morte da PM Gisele Alves Santana, em que o tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto é réu por feminicídio.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

Na quinta-feira (10/9), a Polícia Civil ouviu cinco testemunhas, familiares de Larissa Morata. No mesmo dia, cumpriu um mandado de busca e apreensão contra Thamires Costa Mathias, irmã de Vinicius. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), Thamires agora é investigada no caso.

Segundo o boletim de ocorrência do caso, a jovem de 19 anos estava na residência do casal quando Larissa foi baleada. Ela afirma que cuidava do sobrinho, de dois anos, filho de Larissa e Vinicius.

Após não ser encontrada pela polícia em casa, Thamires compareceu durante a tarde à delegacia e entregou aos investigadores o próprio celular.

Também na quinta, a investigação teve acesso ao laudo necroscópico da técnica em radiologia. O exame do Instituto Médico Legal (IML) identificou ao menos 17 lesões no corpo dela, incluindo roxões nas mãos e pernas de Larissa e escoriações na região cervical e no joelho esquerdo.

O documento ainda confirmou que o disparo que matou Larissa da Cruz Morata foi efetuado de trás para frente e da esquerda para a direita. O projétil entrou na parte de trás e mais acima da orelha esquerda e saiu pela região da têmpora direita.

A legista responsável também observou a presença de fios de cabelos soltos grudados na calça da jovem, sem manchas de sangue.

O laudo necroscópico é considerado fundamental para esclarecer pontos que podem elucidar o caso e determinar se Larissa foi vítima de feminicídio ou se cometeu suicídio, como alega a defesa de Vinicius Costa Silva. A Polícia Civil, no entanto, ainda pode solicitar análises complementares para esclarecer as circunstâncias da morte. Até a noite de sexta (11/9), o exame toxicológico ainda aguardava o resultado.

Entenda

  • Larissa Cruz Morata, de 29 anos, foi encontrada morta com um tiro no domingo (6/9) na casa onde vivia com o marido, o soldado da PM Vinicius Costa Silva, 26, em Embu das Artes, na região metropolitana de São Paulo.
  • De acordo com o Boletim de Ocorrência (B.O.), a mulher estava com a arma do PM sob o corpo e um ferimento provocado por disparo na cabeça. A polícia foi acionada às 11h daquele dia.
  • O marido  estava no local e afirmou aos agentes que se tratava de um suicídio. O caso, no entanto, foi registrado como morte suspeita. Agora, também é apurada a hipótese de feminicídio.
  • Vinícius foi preso nessa segunda durante o velório da esposa por uma equipe da Corregedoria da PM, após a Polícia Civil encontrar inconsistências no depoimento do soldado.
  • Em seguida, o policial foi levado para a delegacia da cidade e, posteriormente, transferido para o Presídio Militar Romão Gomes, no Barro Branco, zona norte da capital. Trata-se do mesmo em que está detido o tenente-coronel da reserva Geraldo Leite Rosa Neto, investigado por feminicídio contra a PM Gisele.
  • O soldado afirmou em depoimento à Polícia Civil que ele e a esposa, Larissa, haviam conversado sobre o término da relação horas antes do disparo que resultou na morte da técnica em radiologia.
  • A defesa do policial sustenta que Larissa teria cometido suicídio e disse que irá apresentar às investigações trocas de mensagens em que ela supostamente manifestava pensamentos relacionamentos à ideia de tirar a própria vida em caso de um eventual rompimento.
  • A família da jovem contesta essa versão. “Ela tinha planos de vida. Ela ia perder o filho que ela ama demais, demais. Ela era doente pelo filho dela. Ela ia colocar silicone agora no final desse mês, ela tinha uma consulta marcada no posto de saúde. Ela comeu um pastel comigo quinta-feira, a gente entrou pra visitar uma loja. Ela não tava brigando e não tava com problema nenhum. E ela não estava em fase de separação como estão dizendo aí, porque ela me contava tudo o que acontece com ela”, afirmou a avó da jovem, Maria Aparecida Morata.
  • De acordo com a delegada responsável pelo caso, Bruna Crippa, os investigadores tiveram acesso a elementos de ordem pericial que divergiam da versão inicialmente apresentada.
  • Um deles é a origem do tiro: Larissa da Cruz Morata foi encontrada com um tiro próximo ao ouvido esquerdo, mas familiares afirmam que a jovem não era canhota.

Defesa fala em “fatalidade” e reforça versão de suicídio

Em nota, a defesa do soldado da PM classificou a morte da mulher como “fatalidade” e destacou que, “desde o primeiro momento, Vinicius relatou às autoridades que Larissa tirou a própria vida”. “Trata-se de uma tragédia profundamente dolorosa, que atingiu de forma irreparável as famílias envolvidas e, sobretudo, o filho do casal”, diz o texto.

Suíte onde Larissa foi encontrada tinha box estilhaçado e sangue. Veja foto - destaque galeria
5 imagens
Larissa da Cruz Morata e Vinicius Costa Silva
Larissa da Cruz Morata
Larissa da Cruz Morata
Larissa da Cruz Morata
Larissa da Cruz Morata e Vinicius Costa Silva
1 de 5

Larissa da Cruz Morata e Vinicius Costa Silva

Reprodução
Larissa da Cruz Morata e Vinicius Costa Silva
2 de 5

Larissa da Cruz Morata e Vinicius Costa Silva

Reprodução
Larissa da Cruz Morata
3 de 5

Larissa da Cruz Morata

Reprodução
Larissa da Cruz Morata
4 de 5

Larissa da Cruz Morata

Reprodução
Larissa da Cruz Morata
5 de 5

Larissa da Cruz Morata

Reprodução

Segundo o texto, o casal terminou no domingo, mas “Vinicius jamais praticaria qualquer ato de violência contra Larissa, pois, apesar do término no dia dos fatos, mantinham uma boa relação e tinham em comum o cuidado e o afeto pelo filho, sem qualquer histórico de violência anterior”.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A defesa destaca ainda que a irmã de Vinicius estava na residência no momento dos fatos, “sendo importante testemunha que já esclareceu as circunstâncias em seu depoimento à autoridade policial”. Conforme o advogado, ao perceber o ocorrido, acionou o 190 e o atendimento de emergência, além de ter comunicado à família de Larissa e permanecido no local até a chegada das autoridades, e comparecido à delegacia.

“A investigação também terá acesso a conversas anteriores entre Larissa e familiares de Vinicius nas quais ela manifestava pensamentos relacionados à possibilidade de tirar a própria vida diante de uma eventual ruptura do relacionamento. A defesa considera esse material relevante para a adequada compreensão do contexto e para o esclarecimento dos fatos”, diz o texto.

O advogado menciona ainda que “Vinicius confia que os depoimentos, os elementos documentais, as conversas anteriormente mencionadas e, principalmente, os exames e laudos periciais permitirão esclarecer de forma objetiva a dinâmica dos acontecimentos e demonstrar que não praticou qualquer crime contra Larissa”.