SPTrans diz que desafios operacionais impedem 100% da frota neste 2º turno
SPTrans alega que foi comunicada pelo TRE-SP em um curto espaço de tempo para disponibilizar 100% dos ônibus na capital no 2º turno
25/10/2026 14:47, atualizado 25/10/2026 15:13

São Paulo — Alvo de críticas de paulistanos e notificada pelo Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) na véspera do segundo turno da eleição presidencial sobre a determinação de colocar 100% dos ônibus municipais em operação neste domingo (25/10), a SPTrans alega que “a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos”.
Segundo a empresa, a notificação do TRE-SP foi enviada às 13h10 do sábado, com menos de 12 horas de antecedência em relação ao início da operação. Às 13h32, a SPTrans “agiu de forma diligente e proativa, comunicando todas as concessionárias responsáveis pelos 32 lotes operacionais da cidade e transmitindo a determinação judicial para adoção das providências necessárias ao seu cumprimento”, conforme nota envidada ao Metrópoles.
A companhia ressaltou, contudo, “que a ampliação da frota em prazo tão reduzido impõe desafios operacionais concretos”.
“Os operadores relataram dificuldades para readequar, de forma imediata, escalas de trabalho, jornadas e rotinas previamente organizadas. A programação dos profissionais também havia considerado o direito à folga e a organização necessária para assegurar o exercício do voto, o que torna ainda mais complexa uma alteração dessa magnitude na véspera da eleição”, diz a SPTrans.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNo terminal Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, o Metrópoles apurou que as empresas conseguiram colocar frota de sábado ou algo intermediário entre sábado e domingo. Segundo funcionários, justificativa das empresas é a de que o aviso veio muito em cima da hora e não foi possível escalar todos os trabalhadores.
Ainda conforme a empresa de transportes de São Paulo, o planejamento original foi elaborado com base em critérios técnicos e “em dados efetivos de demanda”. A SPTrans se baseou no domingo anterior, em que 6,9 mil ônibus estiveram em operação, oferecendo cerca de 8 milhões de lugares e transportando 3,4 milhões de passageiros.
“Esses indicadores subsidiaram a definição de uma oferta de transporte compatível com o comportamento observado da demanda”, disse a empresa, que afirmou ainda ter adotado a mesma estratégia no primeiro turno, sem questionamentos pelos órgãos eleitorais.
“A SPTrans respeita as determinações da Justiça Eleitoral e atua para viabilizar o atendimento à população, observadas as condições operacionais necessárias à execução do serviço. A necessidade de alteração de um planejamento previamente estruturado, quando comunicada com antecedência inferior a 12 horas, deve ser analisada à luz das condições concretas de mobilização de veículos e profissionais, sem desconsiderar os impactos sobre a organização do trabalho e o direito ao voto dos trabalhadores”, afirmou a companhia.
Veja o relato de eleitores de São Paulo:
PT aciona o TRE-SP
O Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o TRE-SP no início da tarde deste domingo denunciando a falta de ônibus em São Paulo para a realização do segundo turno. Segundo o tribunal, a representação relatou que há poucos coletivos circulando pela cidade para garantir o transporte de eleitores.
À imprensa, Marco Aurélio de Carvalho, coordenador da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse que recebeu oficialmente de empresários do setor de transporte a informação de que as frotas estão circulando com uma redução de cerca de 40% em São Paulo, o que contraria determinação judicial. Para ele, a prática compromete a redução da abstenção.
“Nós sabemos que há uma determinação da Justiça em São Paulo e no país, e isso é muito importante dizer, para que 100% da frota possa na verdade circular nas cidades, garantindo portanto esse direito sagrado de voto”, disse.
O partido também pediu a extensão do horário de votação na capital, a aplicação ou ampliação da multa por hora de descumprimento da decisão do TRE-SP sobre disponibilidade dos ônibus e a prisão do secretário de Mobilidade Urbana, Celso Jorge Caldeira, e do presidente da SpTrans, Victor Hugo Borges.










