Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

A cada 12 horas, uma mulher é vítima de violência sexual em SP

Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero apontam 747 casos de violência sexual contra mulheres em SP entre janeiro e junho de 2025

27/08/2025 02:10, atualizado 27/08/2025 11:06
Freepik
Imagem conceitual de violência sexual contra a mulher, com duas mãos fazendo o gesto de "Pare" - Metrópoles

Uma mulher foi vítima de violência sexual a cada 12 horas nos primeiros seis meses de 2025 no estado de São Paulo, indicam dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, divulgado nessa terça-feira (26/8) pelo Senado Federal. Do total, 677 foram consumados e 70 tentados.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

A pesquisa também indicou a ocorrência de 187 estupros por dia em todo o país, que vitimam principalmente mulheres (85%).


A violência contra a mulher em SP

  • O total das 747 vítimas paulistas do primeiro semestre do ano equivale a 3,17 casos a cada 100 mil habitantes.
  • A maior parte dos episódios (62,5%) ocorreram em uma residência, seja da vítima ou do agressor, em seguida de vias públicas (20,6%) e estabelecimentos comerciais (9,2%).
  • Uma parcela esmagadora (745 dos casos) ocorreu sem emprego de arma para realização da violência.
  • A vitimização por faixa etária é bastante equilibrada, sendo mais frequente a violência contra mulheres entre 30 e 59 anos (34,1%), seguida de 18 a 29 anos (33,6%) e de até 17 anos (30,2%).
  • No recorte estadual, não há classificação de vítimas por raça. O cenário nacional mostra, no entanto, que a maior parte das vítimas é formada por pardas (33,5%), seguida de mulheres brancas (17%) e pretas (8,4%). Em 38,8% dos casos, a raça não é informada.

Subnotificação dificulta combater violência contra a mulher

Para Raquel Gallinati, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), ainda que alarmantes, os dados não representam a realidade do estado de São Paulo e de todo o Brasil. A razão é a subnotificação dos casos.

“A estatística é que a subnotificação chega a 80% dos casos, porque os crimes de violência contra a mulher, quando ocorrem na clandestinidade, ou seja, entre quatro paredes, são extremamente difíceis de serem comunicados, de chegarem ao conhecimento do poder público, do sistema de justiça criminal. [Isso] porque as vítimas, muitas vezes, estão inebriadas nesse ciclo criminoso de relação”, afirmou.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pela University of Washington (EUA) e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e divulgada em 2023, mostrou que subnotificação de violência contra as mulheres no Brasil é de 98,5% para violência psicológica, 75,9% para violência física, e 89,4% para violência sexual.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP
“Existe uma barreira invisível no inconsciente coletivo que impede também mulheres, principalmente de crimes sexuais ou crimes de violência doméstica, a denunciarem. Isso porque essa é uma vítima que é estereotipada, é julgada. Ela é o tempo todo culpabilizada pelo inconsciente coletivo. Então, para romper essa margem julgadora da sociedade permanente, a mulher tem que ter muita força, muita coragem”, afirmou a delegada da Polícia Civil de São Paulo.