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A cada 12 horas, uma mulher é vítima de violência sexual em SP

Dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero apontam 747 casos de violência sexual contra mulheres em SP entre janeiro e junho de 2025

atualizado

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Imagem conceitual de violência sexual contra a mulher, com duas mãos fazendo o gesto de "Pare" - Metrópoles
1 de 1 Imagem conceitual de violência sexual contra a mulher, com duas mãos fazendo o gesto de "Pare" - Metrópoles - Foto: Freepik

Uma mulher foi vítima de violência sexual a cada 12 horas nos primeiros seis meses de 2025 no estado de São Paulo, indicam dados do Mapa Nacional da Violência de Gênero, divulgado nessa terça-feira (26/8) pelo Senado Federal. Do total, 677 foram consumados e 70 tentados.

A pesquisa também indicou a ocorrência de 187 estupros por dia em todo o país, que vitimam principalmente mulheres (85%).


A violência contra a mulher em SP

  • O total das 747 vítimas paulistas do primeiro semestre do ano equivale a 3,17 casos a cada 100 mil habitantes.
  • A maior parte dos episódios (62,5%) ocorreram em uma residência, seja da vítima ou do agressor, em seguida de vias públicas (20,6%) e estabelecimentos comerciais (9,2%).
  • Uma parcela esmagadora (745 dos casos) ocorreu sem emprego de arma para realização da violência.
  • A vitimização por faixa etária é bastante equilibrada, sendo mais frequente a violência contra mulheres entre 30 e 59 anos (34,1%), seguida de 18 a 29 anos (33,6%) e de até 17 anos (30,2%).
  • No recorte estadual, não há classificação de vítimas por raça. O cenário nacional mostra, no entanto, que a maior parte das vítimas é formada por pardas (33,5%), seguida de mulheres brancas (17%) e pretas (8,4%). Em 38,8% dos casos, a raça não é informada.

Subnotificação dificulta combater violência contra a mulher

Para Raquel Gallinati, presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (Adepol), ainda que alarmantes, os dados não representam a realidade do estado de São Paulo e de todo o Brasil. A razão é a subnotificação dos casos.

“A estatística é que a subnotificação chega a 80% dos casos, porque os crimes de violência contra a mulher, quando ocorrem na clandestinidade, ou seja, entre quatro paredes, são extremamente difíceis de serem comunicados, de chegarem ao conhecimento do poder público, do sistema de justiça criminal. [Isso] porque as vítimas, muitas vezes, estão inebriadas nesse ciclo criminoso de relação”, afirmou.

Uma pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), pela University of Washington (EUA) e pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), e divulgada em 2023, mostrou que subnotificação de violência contra as mulheres no Brasil é de 98,5% para violência psicológica, 75,9% para violência física, e 89,4% para violência sexual.

“Existe uma barreira invisível no inconsciente coletivo que impede também mulheres, principalmente de crimes sexuais ou crimes de violência doméstica, a denunciarem. Isso porque essa é uma vítima que é estereotipada, é julgada. Ela é o tempo todo culpabilizada pelo inconsciente coletivo. Então, para romper essa margem julgadora da sociedade permanente, a mulher tem que ter muita força, muita coragem”, afirmou a delegada da Polícia Civil de São Paulo.

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