SP enfrenta superoferta de médicos após uma década de expansão
Até 2035, São Paulo deve registrar cerca de 10 de médicos para cada mil habitantes, o que pode saturar o mercado e gerar desemprego no setor
atualizado
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Nos próximos 10 anos, o estado de São Paulo deverá ter superoferta de médicos, segundo estudo Demografia Médica 2026, trabalho em conjunto da Associação Paulista de Medicina (APM), Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo (SES-SP).
Hoje o estado possui 4,2 médicos para cada 1.000 habitantes, acima da média de países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é de 3,7.
Até 2035, será de 10 para cada mil pessoas, o que deve configurar saturação de mercado. Dos 197,3 mil profissionais em atividade hoje, o setor passará a ter 339,9 em dez anos, equivalente a um aumento de 72%, segundo o estudo da USP.
No mesmo intervalo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) projeta em menos de 1,2% o aumento da população do território paulista.
Aumento de 357,6%
O crescimento do número de médicos pode ser explicado pelo aumento da oferta de cursos de medicina no estado, conforme a pesquisa. Nos últimos 14 anos, essa ampliação foi de 357,6%. Há ainda a redução da concorrência registrada no período nas instituições de ensino.
No ano passado, foram registrados 226.339 candidatos para 13.389 vagas em cursos de medicina, o que corresponde a uma razão de 16,9 inscritos por chance. O índice era de 35,49 candidato/vaga em 2010.
“Estamos preocupados com o avanço absurdo dos cursos de medicina por todo país, que só visam lucro. No estado de São Paulo, apesar de termos faculdades sérias, também observamos a proliferação de cursos que preocupam pela má qualidade”, diz o presidente da APM e professor docente da Santa Casa de São Paulo, Antonio José Gonçalves.
Gonçalves também destaca o aumento de médicos generalistas. “A especialização é fundamental para o profissional e para toda a sociedade.” Segundo ele, o crescimento acelerado do número de generalistas, uma vez que não há vagas de residência médica para todos, é uma “grande preocupação da APM”.
Desemprego
De acordo com o secretário-geral da Associação Médica Brasileira (AMB), Florisval Meinão, diante do cenário apresentado no estudo, a projeção é de desemprego.
“A demografia trouxe informações extremamente preocupantes. Uma delas é que o número de médicos no Estado de São Paulo já é equivalente ao dos países mais desenvolvidos, com cerca de 4,2 médicos por 1.000 habitantes. Portanto, não há mais necessidade de aumentar esse contingente no estado. No entanto, dentro de dez anos, teremos um cenário ainda mais crítico: serão cerca de dez médicos para cada mil habitantes”, apontou o secretário.
