SP cria protocolo para detectar metanol em bebida. Veja como funciona
Segundo o governo, o novo protocolo para detectar metanol nas bebidas é inédito e está sendo apresentado para outros estados do Brasil
atualizado
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O governo de São Paulo criou um protocolo para detectar a presença de metanol em bebidas alcoólicas. A iniciativa foi apresentada, nesta quinta-feira (9/10), mesmo dia em que a gestão estadual confirmou 23 casos de intoxicação. Cinco pessoas já morreram no estado.
O protocolo foi criado pela Superintendência da Polícia Técnico-Científica (SPTC) e, segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), tem caráter inédito e já esta sendo repassado para outros estados.
“A gente já segue um protocolo internacional na identificação, não só do metanol, mas na identificação de falsificações de bebidas. Porém, tivemos que aprimorá-lo para conseguir obter um resultado mais rápido, diante da grande demanda no estado e no Brasil”, explicou a perita Karin Kaeakami, assistente técnica da superintendência.
O estado de São Paulo registrou, até esta quinta-feira, 171 casos suspeitos de intoxicação por metanol, com cinco mortes confirmadas e seis óbitos ainda investigados.
Como funciona o protocolo
O primeiro passo dos peritos foi a especificação da amostragem, seguindo os protocolos internacionais. De acordo com a SSP, assim, não é necessário realizar o teste de todas as garrafas apreendidas para obter um resultado com 99% de confiabilidade.
A segunda fase consiste na análise através do Núcleo de Documentoscopia, que verifica lacres, selos, embalagens e rótulos. A polícia diz que a equipe leva menos de um dia para realizar o exame e emitir o laudo, que é enviado ao Núcleo de Química.
No departamento, os peritos utilizam um equipamento portátil que permite, sem abrir a garrafa, a leitura e a identificação de metanol, além de outros componentes na bebida. A triagem é possível mesmo com a garrafa lacrada.
Seguindo esse sistema, os peritos já analisaram e chegaram a um resultado conclusivo em 30 casos. “A partir disso, mesmo sem o laudo, os peritos conseguem orientar ações em relação aos casos com a porcentagem de metanol que é tóxica para as pessoas”.
Outros exames também são necessários nas garrafas apreendidas para saber se a bebida é falsificada ou não.
Veja números da intoxicação por metanol em SP:
- 171 casos no total.
- 148 em investigação e 23 confirmados.
- 11 óbitos, sendo 5 óbitos confirmados (três homens de 54, 46 e 45 anos, residentes da cidade de São Paulo; uma mulher, de 30 anos, de São Bernardo do Campo; e um homem de Osasco, de 23 anos).
- 6 óbitos em investigação.
- 152 casos descartados no total.
- Na quinta-feira (9/10), foram descartados 41 novos casos após análises clínicas e epidemiológicas.
Também nesta quinta-feira, São Paulo deve receber 288 unidades do antídoto fomepizol, distribuídas pelo Ministério da Saúde.
O estado paulista terá prioridade na distribuição do antídoto, visto que é a unidade federativa que apresenta pior situação relacionada à contaminação por metanol.
Na quarta-feira (8/10), a Secretaria Estadual de Saúde informou que o atendimento aos casos de intoxicação foi reforçado com a distribuição de 3 mil ampolas adicionais de um antídoto para 21 centros de saúde pública. Com a adição, o número de ampolas disponíveis é de aproximadamente 5,5 mil.
O antídoto é utilizado em casos de pacientes que atendem aos requisitos definidos pelas diretrizes técnicas da secretaria e a quantidade de ampolas usadas varia de acordo com o quadro clínico de cada paciente.
Interdições
Na quarta-feira (8/10), as autoridades interditaram mais um estabelecimento na capital paulista. O bar, localizado na zona leste, apresentou condições sanitárias inadequadas, alimentos vencidos e outras irregularidades. Seis garrafas de bebidas alcoólicas foram apreendidas.
No total, 23 estabelecimentos foram fiscalizados pela Vigilância Sanitária em parceria com o Procon e a Polícia Civil. Doze foram interditados. A Secretaria da Fazenda e Planejamento também suspendeu, preventivamente, a inscrição estadual de seis distribuidoras e dois bares.
Desde o dia 29 de setembro, cerca de 18,9 mil garrafas foram apreendidas e 24 pessoas foram presas.




















