Desacato: soldado da PM preso teria chamado médico capitão de “você”

Soldado com lesão no ombro foi preso após gravar consulta com médico militar. Ele foi acusado de desacato por chamar capitão de “você”

atualizado

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Homem com blusa branca e óculos está sentado, com cabeça abaixada - Metrópoles
1 de 1 Homem com blusa branca e óculos está sentado, com cabeça abaixada - Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes Sociais

Um soldado da Polícia Militar (PM) foi preso dentro de um hospital da corporação, na zona norte de São Paulo, por suposto desacato a um superior durante um atendimento médico, na tarde dessa quarta-feira (18/6). Ele teria recebido voz de prisão do após gravar a consulta e ter se referido a um médico militar — que teria a patente de capitão — como “você”.

Lucas Cardoso dos Santos Neto, soldado do 5º Batalhão da Polícia Militar Metropolitano (5º BPM/M), está afastado de suas atividades devido a um diagnóstico de frouxidão ligamentar no ombro. Ele passou por uma cirurgia e foi ao hospital para fazer uma perícia médica, que determinaria um período maior da licença da função.

De acordo com a advogada Fernanda Borges, o soldado procurou atendimento na condição de paciente, não de subordinado. Além disso, por causa de “maus tratos” em consultas anteriores, a advogada tentou acompanhá-lo, mas foi impedida de entrar na unidade e fazer registros em áudio e vídeo.

Então, ela o orientou a seguir com a gravação. Segundo o relato, publicado nas redes sociais, o capitão Marcelo Cavalcante, que atendeu Lucas, deu voz de prisão ao perceber a gravação. O médico teria afirmado que foi desacatado ao ser chamado de “você”, uma vez que seria superior do soldado.

Na manhã desta quinta-feira (19/6), a advogada publicou um vídeo ao lado de Lucas, que teve a prisão relaxada. Fernanda afirma que a soltura se deu porque a defesa do soldado, que teve participação do advogado Mauro Ribas, apontou falso testemunho e denúncia caluniosa da equipe médica.

Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o policial foi autuado por infringir o código penal militar (Artigo 160). Após as oitivas dos envolvidos, o agente foi liberado. Segundo a pasta, o caso é apurado por meio de um Inquérito Policial Militar (IPM).


Obrigado a carregar cimento

  • Como mostrou o Metrópoles, o soldado Lucas Cardoso está denunciando a Polícia Militar após ser transferido para trabalhar em obras, carregando sacos de cimento, mesmo sofrendo dores devido a uma lesão nos ombros.
  • Segundo Lucas, seus superiores também não respeitaram integralmente as indicações de repouso, feitas por médicos em diferentes laudos e atestados, determinando que ele voltasse antes do estipulado pelos especialistas.
  • Lucas é soldado da PM há 10 anos e, ano passado, recebeu o diagnóstico para frouxidão ligamentar (condição genética que já apresentava sinais antes dele entrar para a corporação). No entanto, o quadro piorou nos últimos meses, gerando afastamento sucessivos.
  • Antes de ser afastado de qualquer atividade na PM, Lucas foi transferido para o setor administrativo, em janeiro do ano passado, quando as dores pioraram. Mas, ao invés de atuar com as burocracias da corporação, ele foi encaminhado para trabalhar em obras.
  • Além de ser direcionado para desempenhar atividades que agravam a lesão, e ter atestados contestados por superiores, Lucas denuncia que não conseguiu tratamento no Hospital da Polícia Militar (HPM).
  • Ele chegou a ser socorrido por viatura do HPM duas vezes, em episódios que sofreu luxação dos ombros, mas chegou a esperar por cinco horas por atendimento, porque não haveria médicos ortopedistas na instituição para tratar seu caso.

 

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