Servidora PCD é exonerada três dias após publicação com crítica a Flávio
Silvana era coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência no governo de São Paulo

São Paulo — A administração do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), demitiu a coordenadora de Desenvolvimento de Programas da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Silvana Pereira Gimenes, três dias depois de ela fazer uma publicação em suas redes sociais criticando uma fala do senador e então candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
A exoneração foi decidida na terça-feira (27/10) e publicada no Diário Oficial do estado na quarta (28/10). Vale notar que a coordenaria em questão é um cargo comissionado — ou seja, mesmo com a exoneração, Silvana seguirá sendo funcionária pública do estado.
No sábado (24/10), um dia após o debate presidencial realizado pela TV Globo, ela havia feito uma publicação a respeito do momento em que Flávio chamou o adversário, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de “nove dedos” — declaração que causou uma resposta fervorosa do presidente e teve ampla repercussão posterior.
“Ao ouvir o 22 [Flávio Bolsonaro] chamar Lula de “nove dedos” apenas constatei o que sempre digo: que o preconceito, o racismo, o capacitismo, LGBTfobia podem estar escondidos, mas vêm sempre à tona”, escreveu Silvana. “Só quem sempre é alvo sabe o quanto é doloroso ser a piada por ter uma deficiência […] e compreende o quanto isso é muitas vezes utilizado para nos diminuir e segregar.”
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Ver todasAo final da publicação, Silvana acrescentou que “esse linguajar revela a postura de alguém que não se importa com os outros”.
“Sou mulher e LGBT com deficiência e luto por respeito e dignidade. Esse 22 não nos representa“, concluiu.
No domingo (25/10), um dia após a publicação, Lula foi reeleito para seu quarto mandato como presidente. Dois dias depois, a coordenadora foi exonerada.
Em uma segunda publicação feita após receber a notícia, Silvana não relacionou os dois acontecimentos.
Procurada pelo Metrópoles, a Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência afirmou que o cargo ocupado por Silvana é de “livre nomeação e exoneração”, e que a demissão dela decorreu de “ajustes administrativos na Secretaria”.
