Serra do Japi: insistência de piloto e clima causaram queda de avião
Investigação do Cenipa concluiu o que provocou o acidente aéreo na Serra do Japi, em março de 2024. Piloto morreu

A investigação sobre o acidente aéreo na Serra do Japi, ocorrido em março de 2024, quando um avião desapareceu por dois dias, concluiu que a aeronave ingressou em uma região sob condições de voo visual abaixo das mínimas necessárias, as quais restringiram a visibilidade do piloto e culminaram na colisão com a serra. O avião foi destruído na batida e o piloto Ângelo Chaves Pucci, de 44 anos, foi encontrado morto perto dos destroços.
Segundo o relatório do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), a insistência do piloto na realização do translado sob condições meteorológicas adversas contribuiu para o acidente. O Cenipa argumentou que o fato de o piloto estar começando em um novo emprego, “associado à proximidade de um compromisso familiar, pode ter gerado uma pressão autoimposta para a conclusão do voo”.
“O piloto optou por retornar à origem mantendo o voo sob regras visuais em altitudes inferiores ao topo do relevo circundante. A falha em analisar as alternativas mais seguras, como a transição para um plano de voo IFR (voo por instrumento), demonstrou um julgamento inadequado diante da situação”, complementaram os investigadores.
Na ocasião, o avião bimotor decolou do Aeroporto Estadual Comandante Rolim Adolfo Amaro, em Jundiaí, com destino ao Campo de Marte, em São Paulo. No entanto, Ângelo não conseguiu pousar na capital paulista, por problemas no aeroporto, e decidiu retornar a Jundiaí, quando a aeronave sumiu do radar.
O último contato realizado, via rádio, foi por volta das 23h de 28 de março, quando o avião sobrevoava justamente a Serra do Japi. Dois dias depois, a aeronave e o corpo do piloto foram encontrados. De acordo com o Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB), a aeronave estava em situação normal de aeronavegabilidade.
Quem era o piloto
Natural de Goiás, Ângelo era descrito como “profissional exemplar” e “apaixonado por aviação”. Ele também era formado em direito pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) de Goiânia e tinha inscrição como estagiário na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
O piloto trabalhava na multinacional chinesa HKTC Do Brasil S/A, com sede em Hong Kong, proprietária do avião bimotor. Na época da queda da aeronave, a companhia divulgou uma nota sobre o acidente.
“A família HKTC está em luto, Ângelo era um profissional exemplar, responsável, comprometido e apaixonado por aviação. A perda é imensurável”, diz o texto da empresa. “Nesse momento estamos totalmente voltados a prestar a assistência necessária à família do Ângelo”.

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