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São Paulo

"Sempre negligenciaram meu filho", diz mãe de bebê morto em hospital de SP

O bebê tinha pouco mais de um ano quando morreu no Hospital Salvalus. Certidão indica sepse e “distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca”

01/11/2026 02:00
Imagem cedida ao Metrópoles
"Sempre negligenciaram meu filho", diz mãe de bebê morto em hospital de SP - Metrópoles

São Paulo — Três semanas se passaram entre a data em que o pequeno Marcos Lucca Freitas de Almeida completou um ano de idade e o dia em que ele deu entrada no Hospital Salvalus, na Mooca, zona leste de São Paulo, para uma operação cardíaca. O bebê nunca mais deixou o local com vida.

Ele faleceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica pouco mais de um mês depois da operação, em 10 de setembro ano passado. Para Bruna Freitas de Oliveira, mãe do menino, só há uma explicação: “Sempre negligenciaram meu filho de todas as formas”, disse em denúncia ao Metrópoles.

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Marcos Lucca tinha pouco mais de 1 ano quando morreu no Hospital Salvalus. Certidão de óbito indica sepse e “distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca”
Marcos Lucca tinha pouco mais de 1 ano quando morreu no Hospital Salvalus. Certidão de óbito indica sepse e “distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca”
Marcos Lucca tinha pouco mais de 1 ano quando morreu no Hospital Salvalus. Certidão de óbito indica sepse e “distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca”
Marcos Lucca tinha pouco mais de 1 ano quando morreu no Hospital Salvalus. Certidão de óbito indica sepse e “distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca”
Marcos Lucca tinha pouco mais de 1 ano quando morreu no Hospital Salvalus. Certidão de óbito indica sepse e “distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca”
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Marcos Lucca tinha pouco mais de 1 ano quando morreu no Hospital Salvalus. Certidão de óbito indica sepse e “distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca”

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Hospital e Maternidade Salvalus, na zona leste de São Paulo, investigado pela Polícia Civil após a morte suspeita de bebês
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Hospital e Maternidade Salvalus, na zona leste de São Paulo, investigado pela Polícia Civil após a morte suspeita de bebês

Reprodução
Hospital e Maternidade Salvalus, na zona leste de São Paulo, investigado pela Polícia Civil após a morte suspeita de bebês
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Hospital e Maternidade Salvalus, na zona leste de São Paulo, investigado pela Polícia Civil após a morte suspeita de bebês

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Cirurgia cardíaca

Marcos nasceu em 17 de julho de 2024 com uma condição cardíaca, que só foi diagnosticada aos sete meses de idade. O quadro exigia uma cirurgia no coração, o que fez o menino ser encaminhado ao Hospital Salvalus, considerado de referência na rede NotreDame Intermédica HapVida e atualmente investigado pela Polícia Civil de São Paulo após a morte suspeita de bebês.

Por estar abaixo do peso, a equipe médica considerou que o mais adequado seria esperar ele completar um ano de idade. “Eu vou te falar exatamente as palavras que o cardiologista dele me falou quando ele ia operar: ‘eu vou deixar ele ficar em casa para comemorar um aninho, porque eu acho muita judiação ele não passar o aniversário com vocês”, disse a mãe de Marcos à reportagem.

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Ele foi internado em 7 de agosto do ano passado, e foi submetido à operação no dia seguinte. Nas primeiras 48 horas, o bebê apresentou complicações, como um caroço roxo na cabeça. O coração não respondia mais. “As médicas falaram para a gente que tinham feito tudo o que eles podiam, porém agora era com ele. Mas ele conseguiu se estabilizar após essas 48 horas, e estava evoluindo muito bem”, lembra Bruna.

Até que, ao ser extubado, Marcos apresentou dificuldades para respirar sozinho, e precisou retornar à entubação. “Ele foi entubado na minha frente, [eu estava] ali dentro da sala com ele, e ele teve ali um princípio de uma parada cardíaca. Porém conseguiram reanimar”, contou a mulher.

Segundo ela, após a reanimação, o bebê foi mais uma vez entubado, mas com um tubo para pacientes adultos, e não um infantil. “Ele ficava ali numa posição horrorosa para que esse tubo funcionasse, era uma dor muito grande que a gente sentia, e nós perguntávamos para os médicos, e eles falavam que o tubo era irrelevante, e que ele conseguiria permanecer ali com o tubo normalmente, não teria problema algum”, relatou a mãe do menino.

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Morte

No dia 10 de setembro, enquanto pai de Marcos o acompanhava na internação, uma enfermeira do Salvalus deu ao menino a dieta de outra paciente, que continha Triglicerídeos de Cadeia Média (TCM), fórmula ao qual o bebê era alérgico.

Ainda naquele dia, o menino apresentou febre de 41 graus e faleceu, após sofrer duas paradas cardíacas.

“Na certidão de óbito dele consta sepse, que é infecção hospitalar. E em nenhum momento do meu filho foi falado que ele tinha contraído sepse. E eu entendo que a sepse é [por conta de] uma bactéria, que fica ali no centro cirúrgico. Então, se ele foi contaminado ali no centro cirúrgico, o que eu falo? A gente via que, das enfermeiras, poucas usavam paramentação, e no quarto dele todo mundo entrava”, denunciou a mãe.

A certidão de óbito de Marcos Lucca indica, como causas da morte, insuficiência aguda, dependência de ventilador, distúrbios subsequentes a cirurgia cardíaca, comunicação interventricular e sepse.

Um mês após a morte do filho, Bruna um registrou boletim de ocorrência no 8º Distrito Policial (DP), do Brás, o mais próximo do hospital e responsável pelo inquérito que apura as mortes recentes. Ela foi chamada a prestar depoimento em julho deste ano.

A mulher contou à reportagem que a gestação foi muito aguardada, e planejada do começo ao fim. “Para você ter uma noção, até hoje eu não consegui abrir a mala que foi encaminhada pro hospital. Faz mais de um ano, e até hoje a mala dele tá ali fechada. A gente nunca conseguiu abrir”, lamentou.

Hospital falou em “alta complexidade”

Segundo o Savalus, os pacientes mortos na unidade tinham “condições clínicas distintas” e de “elevada gravidade”. Cada um deles teria recebido “assistência contínua e multidisciplinar, com suporte de uma estrutura hospitalar de alta complexidade e atuação integrada de profissionais de diversas especialidades”.

Ainda de acordo com o hospital, “as condutas terapêuticas foram individualizadas, considerando as necessidades de cada paciente e a evolução de seus quadros clínicos”.

A nota encerra com a informação de que a unidade mantém um “canal aberto de diálogo” por meio da diretoria de acolhimento do hospital, que se coloca à disposição para prestar os esclarecimentos necessários, “com respeito à privacidade e ao sigilo médico”.