
Salles e Marina Helena gastaram R$ 78 mil impulsionando ataques à esquerda
Ambos filiados ao partido Novo, parlamentares tiveram 52 anúncios pagos de propaganda negativa contra os adversários suspensos pelo TSE

São Paulo — O ex-ministro Ricardo Salles e a deputada federal eleita Marina Helena, ambos filiados ao partido Novo em São Paulo, gastaram pelo menos R$ 30,9 mil e R$ 47,5 mil (totalizando R$ 78,4 mil), respectivamente, com o impulsionamento de conteúdos contra a esquerda nas redes sociais no primeiro turno das eleições.
Em decisão publicada na última quinta-feira (9/10), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP) determinou a suspensão de 9 anúncios de propaganda negativa de Marina. Anteriormente, em setembro, Salles, que atualmente é deputado federal e desistiu da candidatura ao Senado, foi alvo de entendimento semelhante e teve 32 posts com impulsionamento tirados do ar.
Ao todo, Marina foi alvo de duas representações eleitorais por recortes de vídeos promovidos em momentos diferentes. Salles foi investigado por uma. Os processos foram movidos pela coligação Desperta São Paulo, formada pelas federações Brasil da Esperança e PSol-Rede, e os partidos PDT e PSB.
Em entrevista ao Metrópoles, tanto Salles quanto Marina não negaram o impulsionamento. O ex-ministro justificou o ato dizendo que a medida foi uma maneira de combater a corrupção e o PT, e que qualquer ação com essa finalidade “vale a pena”.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Contra a corrupção, e contra o PT, tudo vale a pena”, declarou Ricardo Salles.
Já a deputada federal eleita explicou que uma das representações foi aberta após ter chamado um rapaz de “petista” e aproveitou o pedido de resposta para atacar novamente o PT. Ela não se pronunciou especificamente sobre a promoção dos anúncios.
“Já fui processada pela coligação do PT por chamar um rapaz de “petista” num podcast. Sim, petista! Eles próprios parecem considerar o termo um insulto. E, ao contrário deles, que mentem sobre tudo, […] eu só falei verdades!”, disse Marina, por meio de nota.
Multa de R$ 61 mil a Salles
A representação eleitoral movida contra o ex-ministro analisou 90 anúncios que foram pagos com o dinheiro da campanha. Os posts foram divididos em oito grupos diferentes — classificados de A a H —, e avaliados a partir do conteúdo de cada um deles.
De acordo com o processo, os posts foram veiculados nos perfis de Salles no Facebook e Instagram e receberam o impulsionamento entre 24 e 30 de agosto.
No total, cinco grupos foram considerados ilícitos por apresentarem propaganda eleitoral negativa contra seus adversários. Confira a lista:
- Grupo A (14 anúncios): Vídeos gravados na própria voz de Ricardo Salles com o convite para “salvar SP e o Brasil do Lula e do PT”, com o slogan “Fora Lula”.
- Grupo B (10 anúncios): Trecho de um debate eleitoral de 2022 com críticas à atuação da candidata Simone Tebet (PSB) no agronegócio.
- Grupo C (2 anúncios): Posts afirmando que o PT seria “o partido da censura, da corrupção e da incompetência”.
- Grupo D (2 anúncios): Comparações entre o candidato e uma suposta “máquina da esquerda apoiada pelo governo federal”.
- Grupo E (4 anúncios): Vídeos com legenda que convidava seguidores a entrar em um canal do WhatsApp, mas que terminavam com o candidato proferindo o slogan “Fora Lula, Pau no PT”.
Além da suspensão dos anúncios, a Justiça Eleitoral multou Salles em R$ 61 mil, o dobro da estimativa mínima do que teria sido gasto por ele com os impulsionamentos — pouco mais de R$ 30 mil.
Marina Helena
Na primeira representação contra Marina, a deputada eleita teve suspensos 11 anúncios pagos. Os vídeos foram impulsionados entre 11 e 14 de setembro no Facebook e Instagram, e criticavam programas assistenciais, como o Bolsa Família e o Pé-de-Meia. Esse impulsionamento custou pelo menos R$ 23,2 mil.
De acordo com a decisão, os conteúdos associavam os programas do governo federal à “compra de voto”, e geraram cerca de 2 milhões de impressões nos perfis da então candidata.
Já na decisão mais recente, nove anúncios foram contratados em dois lotes, nos dias 22 e 26 de setembro, e custaram entre R$ 24,3 mil e R$ 27,8 mil. Nos posts em questão, Marina Helena usou recortes de um vídeo em que ela discute com Felipe Sestaro — apresentador do podcast IronTalks — sobre regimes autoritários, quando o chamou de “petista” e “psolista”.
Segundo o processo, a forma de tratamento foi considerada depreciativa, o que gerou a suspensão por propaganda negativa.
