Ruas de sangue: PM de SP é a mais perigosa do mundo, diz jornal inglês
Jornal inglês “The Sun” cita Tarcísio de Freitas e Derrite como responsáveis por política que gerou aumento da violência na PM de SP
atualizado
Compartilhar notícia

São Paulo — O jornal inglês “The Sun” classificou a Polícia Militar (PM) paulista como a “mais perigosa do mundo”, em publicação desse domingo (16/2), citando nominalmente o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o secretário da Segurança Pública do estado (SSP), Guilherme Derrite, como responsáveis diretos por uma disparada da violência em ações da tropa nos últimos meses.
Intitulada “Ruas de Sangue”, a reportagem lista uma série de casos com denúncias de violência excessiva na abordagem da PM que escandalizaram parte da sociedade paulista e causaram protestos, além de abordar o uso das câmeras corporais da corporação e utilizar citações de representantes de ONGs, familiares de vítimas e religiosos.
“Esta é a realidade atormentadora da vida sob uma força policial desonesta e um chefe impulsivo em São Paulo, Brasil”, escreve o “The Sun”.
Policiais civis e militares de São Paulo foram presos por envolvimento em corrupção e na execução de Vinícius Gritzbach, delator do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Aeroporto Internacional de São Paulo, em novembro passado. A investigação diz que o PCC planejou e PMs executaram morte de Gritzbach.
Ruas de sangue
Dentre os principais crimes citados no texto, estão: a morte de Ryan da Silva Andrade Santos, de 4 anos, durante uma operação policial, em Santos; Marcelo Barbosa Amaral, 25 anos, o homem jogado de uma ponte na zona sul da capital; o homem executado com 11 tiros por um PM de folga após tentar furtar um produto de um supermercado; e a morte do estudante de medicina Marco Aurélio Cardenas Acosta, baleado dentro de um hotel.
“Mães encontram seus filhos mortos a tiros nas ruas por policiais e suspeitos são jogados de pontes em vez de serem presos”, destaca a publicação inglesa. Veja abaixo:
O jornal inglês faz uma análise sobre a crise vivida pela segurança pública paulista e afirma que o arrefecimento da violência da Polícia Militar é incentiva por “ordens do topo”, em relação direta a Tarcísio de Freitas, apontado como um “linha dura” eleito governador de São Paulo e amplamente elogiado como candidato presidencial para 2026. “Sua campanha eleitoral fervilhava de retórica violenta, e ele assumiu uma posição firme contra o uso de câmeras corporais da polícia”, diz o texto.
A matéria também lembra declaração atribuída ao secretário Guilherme Derrite, ao dizer que “o único bandido bom é o bandido morto”. Para o jornal, as falas repercutem na tropa e são vistas como ordem direta do comando.
O texto ainda cita o aumento da letalidade policial a partir de 2022 — quando a atual gestão assume. De acordo com dados extraídos de relatório do Grupo de Atuação Especial da Segurança Pública e Controle Externo da Atividade Policial (Gaesp), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), a PM matou 760 pessoas em 2024, segundo ano da gestão Tarcísio de Freitas. O número é 65% maior do que o total registrado em 2023, quando 460 pessoas foram mortas por policiais militares no estado.
“Faroeste ou guerra civil”
O médico Julio César Acosta Navarro, pai do estudante de medicina morto, citou uma frase atribuída ao ministro da Justiça, Ricardo Lewadosky, com quem se encontrou recentemente, na qual classifica o momento como um “faroeste ou guerra civil” e ressalta que lutar pelo filho Marco Aurélio e “para não ter mais filhos inocentes”.
“Vamos a denunciar internacionalmente a violência e covardia da Polícia [Militar] e o governo Tarcicio/Derrite”, complementou o médico que teve o filho assassinado em uma ação da PM.
O que diz a SSP
Em nota, a SSP reitera seu compromisso com a legalidade, a transparência e a responsabilização de eventuais desvios de conduta por parte das forças de segurança.
“Desde 2023, 465 policiais foram presos e outros 335 demitidos ou expulsos, refletindo o rigor das investigações e a postura intransigente do Governo contra irregularidades.
Para reduzir a letalidade, a atual gestão investe em formação contínua dos agentes, capacitações práticas e teóricas, e na adoção de equipamentos de menor potencial ofensivo, como armas de incapacitação neuromuscular. Além disso, comissões especializadas analisam as ocorrências para promover ajustes nos procedimentos operacionais e aprimorar a atuação da tropa. Todas as mortes decorrentes de intervenção policial são rigorosamente investigadas pelas polícias Civil e Militar, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário.
Vale destacar que o confronto armado é uma reação ao criminoso. Ao atacar com armas pesadas, como fuzis e pistolas de alto calibre, esses indivíduos colocam em risco a vida de policiais e da população. A polícia, por sua vez, age dentro da lei e das estratégias de segurança pública, com o objetivo de proteger a sociedade e neutralizar a ameaça. Assim, a atuação das forças de segurança é uma resposta direta ao comportamento dos criminosos que optam pelo confronto para evitar a captura.
Em relação ao primeiro caso mencionado, as investigações estão em andamento sob segredo de Justiça, conduzidas pela Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos. Pela Polícia Militar, as mortes foram apuradas por meio de Inquérito Policial Militar (IPM), já relatado à Justiça Militar, e os agentes envolvidos seguem afastados das atividades operacionais.
Sobre o caso do estudante, o inquérito conduzido pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) foi relatado à Justiça, com pedido de prisão preventiva do autor por homicídio doloso eventual. No âmbito militar, o policial foi indiciado em IPM pelo mesmo crime e também permanece afastado de suas funções”.
O Metrópoles solicitou posicionamento do governador Tarcísio de Freitas sobre o teor da publicação inglesa, mas não obteve resposta até o momento. O espaço segue aberto.












