metropoles.com

Ritual “supremacista”: MPSP arquiva inquérito contra batalhão da PM

Ministério Público de São Paulo não encontrou indícios de crimes ou infrações em vídeo de ritual da PM que tem tom supremacista

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução/Redes sociais
Imagem colorida mostra uma cruz pegando fogo com policiais militares (PMs) ao fundo, em ritual com tom supremacista - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra uma cruz pegando fogo com policiais militares (PMs) ao fundo, em ritual com tom supremacista - Metrópoles - Foto: Reprodução/Redes sociais

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) arquivou as ações cível e criminal movidas contra o batalhão da Polícia Militar (PM) que fez um ritual de formatura com tom supremacista, em abril deste ano. A promotoria não encontrou indícios de crimes ou infrações no conteúdo.

O 9° Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep), de São José do Rio Preto e região, no interior de São Paulo, virou alvo de investigações após compartilhar, no Instagram, um vídeo com policiais militares queimando cruzes e fazendo gesto com tom que remete a rituais de grupos supremacistas, como a Ku Klux Klan, nos Estados Unidos (veja abaixo).


O que dizem as autoridades

  • Em nota no dia 15 de abril, a PM afirmou que investigaria o vídeo publicado no Instagram.
  • Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a corporação instaurou um procedimento para investigar as circunstâncias relativas ao caso, assim que tomou conhecimento das imagens.
  • No dia seguinte à repercussão do vídeo, o comandante do 9º Baep informou que o ritual simboliza a “vitória” dos policiais recém ingressados.
  • “Existem alguns elementos naquela cerimônia, como a estrutura em formato de cruz envolto em chamas, aquela estrutura simboliza a vitória sobre os sacrifícios e o peso que doravante o policial adquire para honrar esse Baep que conquistaram”, diz o coronel Costa Junior, em vídeo publicado nas redes sociais.
  • “Temos ali um caminho iluminado que simboliza também toda a trajetória difícil percorrida pelos policiais até chegarem à etapa do juramento”, continuou o oficial.
  • Segundo ele, em nenhum momento o batalhão teve intenção de realizar uma cerimônia com cunho religioso, político ou racial.
  • Também no dia seguinte à repercussão, o vice-prefeito de São Paulo e coronel aposentado da PM, Ricardo Mello Araújo (PL) comentou em uma publicação do Metrópoles sobre o caso, afirmando que “quem crítica é porque não entende nada de polícia e nunca vai entender”.
  • Para o ex-secretário nacional de Segurança Pública e também coronel da reserva, José Vicente da Silva, o ritual pareceu uma tentativa do batalhão em “se diferenciar”.
  • “Esses supostos heróis estão querendo se diferenciar dos demais. Eu não vejo sentido, isso deveria ser coibido, proibido, melhor dizendo, pelo comando da Polícia Militar, e parar com essa diferenciação absurda”, declarou em entrevista ao Metrópoles.
  • Na semana da publicação do conteúdo, o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), órgão do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDH), enviou um relatório sobre o caso à Organização das Nações Unidas (ONU).
  • No ofício, o CNDH pede que o relator especial da ONU reforce a necessidade de o Brasil formular uma política nacional de enfrentamento aos atos neonazistas, que deve envolver os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) e determinar adoção de ações articuladas nacionalmente nas áreas da segurança pública, cultura e educação.

Investigação da PM também foi arquivada

Em nota, a SSP informou que a investigação preliminar iniciada pela PM, no âmbito administrativo, foi concluída. Com base nos elementos colhidos, a corporação concluiu que não houve aplicação crime na realização do evento.

“A Instituição mantém o seu compromisso inegociável com os valores constitucionais, com o Estado de Direito e com a defesa da dignidade humana”, disse a SSP.

Vídeo mostra ritual com tom supremacista

A publicação foi excluída poucos minutos depois de ir ao ar. A gravação, com direito a produção envolvendo imagens aéreas e trilha sonora, foi feita em um ambiente noturno.

O vídeo tem pelo menos 14 PMs diante de uma cruz pegando fogo e uma trilha com o caminho marcado por fogo.

No fundo, aparece a palavra “Baep” também pegando fogo, além de bandeiras da corporação ao lado e viaturas da PM ligadas. Veja:

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?