Vídeos mostram resgate de gado após incêndio em navio no litoral de SP
Incêndio atingiu navio com 2,6 mil cabeças de gado que estava atracado no Porto de São Sebastião. Os animais foram retirados com segurança
atualizado
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As 2,6 mil cabeças de gado que estavam no navio que pegou fogo na noite de terça-feira (3/3) enquanto estava atracado no Porto de São Sebastião, no litoral de São Paulo, foram retiradas com segurança do local. Não houve registro de vítimas entre os tripulantes, profissionais envolvidos na operação ou animais.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o incêndio começou em um compartimento superior da embarcação, onde estavam armazenados feno e ração utilizados na alimentação do gado transportado. Os animais estavam alojados em um compartimento inferior, isolado das chamas. O gado foi retirado com segurança, com acompanhamento da Vigilância Agropecuária Internaciona (Vigiagro).
A Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil), por meio da Companhia Docas de São Sebastião, informou que os 28 tripulantes passaram por triagem médica, assim como alguns dos bombeiros que atuaram na ocorrência.
Também não foram constatados danos estruturais na embarcação, identificada como North Star 1. A carga tinha como destino a Turquia.
O incêndio foi controlado e a ocorrência ficou em fase de monitoramento e rescaldo na manhã de quarta-feira (4/3). A ação se deu para eliminar possíveis focos remanescentes e garantir a segurança no local.
Seis viaturas operacionais, com 18 bombeiros e apoio do Grupamento de Bombeiros Marítimo (GBMar) atenderam a ocorrência. Equipes da administração portuária e responsáveis pela embarcação também ajudaram. Não houve vazamento de produtos no mar.
Falhas do transporte marítimo de carga viva
Para a ONG Mercy For Animals, o incêndio ocorrido em São Sebastião se somou a uma longa lista de episódios que geraram caos, perdas econômicas e sofrimento no Brasil e no mundo.
“O episódio, infelizmente, confirma nossas previsões. A Mercy For Animals vem alertando há anos para o alto risco que as operações de exportação de animais vivos por mar representam, com base em diagnósticos sobre a situação da frota de navios-currais que opera no Brasil e no mundo. O que aconteceu nesta madrugada em São Sebastião foi uma tragédia anunciada”, afirmou o diretor de relações governamentais e políticas públicas da ONG, George Sturaro.
Segundo a organização, a embarcação foi construída em 1983 para o transporte de veículos e convertida, em 2010, para o transporte de animais vivos. O North Star 1 já foi detido pelas autoridades três vezes por apresentar deficiências, sendo a última delas em 2025 na Turquia. Entre 2019 e 2025, foram registradas, durante inspeções, oito deficiências relacionadas à segurança contra incêndios, disse a Mercy For Animals.
O documentário Elias: O Boi que Aprendeu a Nadar, da ONG, mostrou que o Porto de São Sebastião é o terceiro do país que mais exporta animais vivos. No local, a população relata como fica a cidade nos dias de operação: o trânsito fica congestionado pelo grande fluxo de caminhões e o mau cheiro das fezes e da urina dos animais empesteia o ar, prejudicando o turismo na região.
