Rede ligada a piloto fazia ameaças veladas por zap a vítimas de abuso
Mensagens foram enviadas para tentar dificultar denúncias; piloto foi preso suspeito de integrar rede de exploração sexual de menores
atualizado
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Investigação da Polícia Civil de São Paulo desvendou uma rede de comunicações paralelas usada para intimidar as vítimas dos abusos sexuais atribuídos ao piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos. Ele foi preso, na manhã dessa segunda-feira (9/2), no Aeroporto de Congonhas, zona sul paulistana, por policiais da 3ª Delegacia de Combate à Pedofilia.
O Metrópoles apurou que mensagens enviadas por diferentes números telefônicos, muitos deles registrados em nome de terceiros, tinham como objetivo monitorar o avanço das denúncias e desestimular qualquer comunicação com as autoridades.
Algumas abordagens começavam de forma aparentemente banal, como ofertas de serviços ou conversas informais. Aos poucos, o tom foi mudando, ainda conforme apurado pela reportagem, e os interlocutores passavam a fazer perguntas específicas sobre o estado emocional das vítimas, além de eventuais providências legais já tomadas sobre o assunto.
Entre as mensagens, ainda conforme apurado pela reportagem, havia orientação explícita para manter segredo e apagar conversas. Em outros casos, surgiam alertas de que as coisas poderiam “ficar ruins” caso a denúncia avançasse.
Há a suspeita de que a rede criminosa usava chips descartáveis pré-pagos, aplicativos com mensagens temporárias e a troca constante de números, evidenciando uma estratégia deliberada de obstrução das investigações e responsabilizações.
Logo após sua prisão, Sérgio teria admitido os crimes à polícia. Além dele, a ex-inspetora de alunos Denise Moreno, de 53 anos, também foi presa nessa segunda-feira, suspeita de receber dinheiro de abusadores para que mantivessem relações sexuais com as netas dela, atualmente com 14 e 18 anos. Ela nega as acusações. Sua defesa não foi encontrada. O espaço segue aberto para manifestações.
Entenda o caso
- O piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi preso temporariamente na manhã de segunda-feira (9/2) dentro de uma aeronave no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo.
- A prisão, feita pela Polícia Civil, ocorreu durante os procedimentos de embarque do voo LA3900 (São Paulo/Congonhas–Rio de Janeiro/Santos Dumont).
- Lopes é acusado de integrar uma “rede criminosa estruturada voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes”.
- A prisão ocorreu no âmbito da Operação Apertem os Cintos, da 4ª Delegacia de Repressão à Pedofilia.
- Foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados em São Paulo e em Guararema, na região metropolitana.
- Denise Moreno, de 53 anos, também foi presa, suspeita de ter “vendido” duas netas, que hoje têm 14 e 18 anos, para serem submetidas aos abusos quando as crianças tinham 10 e 13 anos.
- Uma amiga delas também foi vítima do homem.
“Tio Sérgio”
O Metrópoles apurou ainda que Sérgio é investigado por abusar sexualmente de crianças e jovens, com idades entre 11 e 14 anos. Além disso, ele teria feito com que as vítimas lhe apresentassem coleguinhas do colégio, para quem ele era identificado como “tio Sérgio”.
Além das prisões temporárias, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão contra quatro investigados em São Paulo e em Guararema, na região metropolitana. Durante os cumprimentos dos mandados, uma mulher foi presa em flagrante por armazenar em um celular conteúdo de pornografia infantil.
De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), o inquérito policial começou em outubro de 2025. Até o momento, ao menos sete vítimas há foram identificas. Segundo a Polícia Civil, a rede criminosa estruturada era voltada à exploração sexual de crianças e adolescentes.
São investigados crimes de estupro de vulnerável, estupro, favorecimento da prostituição e da exploração sexual de criança e adolescente, uso de documento falso, produção, armazenamento e compartilhamento de material de pornografia infanto-juvenil, perseguição reiterada (stalking), aliciamento de crianças e coação no curso do processo, evidenciando grave violação à dignidade sexual de crianças e adolescentes.
Os investigados formam, diz a SSP, uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos.
Em nota, a Latam informou que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. “A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”, diz o texto.
O voo que seria pilotado por Lopes operou normalmente, decolando e pousando no horário previsto.














