Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Quem é o policial investigado por ter favorecido Cariani em inquéritos

André Dziuba é um investigador da Polícia Civil investigado por vazar informações sigilosas e favorecer o influenciador Renato Cariani

Instagram/Reprodução
Julgamento de recurso de Renato Cariani tem data marcada pelo STF - Metrópoles

São Paulo — André Dziuba é um investigador da Polícia Civil do Estado de São Paulo que se tornou alvo de uma investigação da Corregedoria Geral da instituição por suspeita de vazar informações sigilosas e favorecer o influenciador fitness e empresário Renato Cariani (foto em destaque).

O caso veio a público quando o Ministério Público de São Paulo (MPSP) apresentou as alegações finais no processo criminal em que Cariani é réu por tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.


As principais acusações contra André Dziuba:

  • Compartilhamento de informações sigilosas: Mensagens interceptadas revelaram que o investigador informava Cariani sobre o andamento de diligências e investigações em curso no setor de produtos químicos e suplementos.
  • Esvaziamento de inquérito anterior: O MPSP sustenta que Dziuba atuou ativamente para esvaziar e travar o avanço de um inquérito policial anterior contra Cariani, que tramitava na 2ª Vara Criminal de Diadema e acabou sendo arquivado em 2023.
  • Relação de proximidade e troca de favores: As conversas demonstram uma relação de amizade que extrapolava o âmbito profissional. O policial pedia suplementos a Cariani e o consultava sobre produtos químicos. Em contrapartida, o influenciador chegou a indicar empresas concorrentes que deveriam ser fiscalizadas pelo agente para prejudicá-las no mercado.
  • Ciência do esquema: Em uma das conversas datadas de 2019, Cariani confirmou ao investigador que a substância citrato de fentanila era utilizada por criminosos para aumentar o rendimento da cocaína, o que reforçou a tese da promotoria de que o empresário tinha total conhecimento do destino ilícito dos insumos químicos.

A Promotoria pediu a condenação de Cariani e outros dois investigados, Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira, pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro.

Quem é o policial investigado por ter favorecido Cariani em inquéritos - destaque galeria
9 imagens
O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF
O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF
O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF
Renato Cariani
Renato Cariani
O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF
1 de 9

O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF

Reprodução/Instagram
O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF
2 de 9

O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF

Reprodução/Instagram
O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF
3 de 9

O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF

Reprodução/Instagram
O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF
4 de 9

O influenciador Renato Cariani, alvo de operação da PF

Reprodução/Instagram
Renato Cariani
5 de 9

Renato Cariani

Divulgação
Renato Cariani
6 de 9

Renato Cariani

Reprodução/YouTube
Quem é o policial investigado por ter favorecido Cariani em inquéritos - imagem 7
7 de 9

Reprodução
Quem é o policial investigado por ter favorecido Cariani em inquéritos - imagem 8
8 de 9

Reprodução
Quem é o policial investigado por ter favorecido Cariani em inquéritos - imagem 9
9 de 9

Reprodução

Segundo as alegações finais apresentadas pelo Ministério Público, Cariani e o policial civil trocavam mensagens por aplicativo e demonstravam uma cooperação mútua que ia além do campo profissional.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

“A proximidade é evidenciada, entre outros elementos, por solicitações pessoais feitas pelo policial ao empresário, inclusive relacionadas à obtenção de suplementos para tratamento de seu joelho. Ao mesmo tempo, André recorria a Renato para obter auxílio ou informações relacionadas a fiscalizações realizadas no âmbito de suas atribuições”, aponta o documento do MPSP.

O texto diz ainda que André Dziuba compartilhava com o influencer informações relacionadas a fiscalizações no setor em que ele atuava, o de suplementos. Inclusive, o investigador teria atuado para esvaziar e contribuir para o arquivamento de um inquérito policial anterior, conduzido pela 2ª Vara Criminal de Diadema, contra Renato Cariani, de natureza parecida com a investigação atual.

O Metrópoles não conseguiu localizar a defesa de Dziuba para um posicionamento. O espaço permanece aberto.

Em nota, a Polícia Civil informou que os fatos serão apurados por meio da instauração de procedimento correcional próprio pela Corregedoria Geral, “com a produção técnica de conhecimento, oitivas, análises e diligências, garantindo rigor, precisão e legalidade na verificação dos acontecimentos”.

“A Polícia Civil reafirma seu compromisso com a transparência, legalidade, integridade e a correta e necessária elucidação dos fatos, permanecendo à disposição para prestar informações necessárias”, disse a corporação.

Desvio e tráfico

O MPSP apontou que Renato Cariani, Fábio Spinola Mota e Rodrigo Gomes Pereira foram responsáveis pelo desvio de 12 toneladas de insumos químicos para produzir 15 toneladas de drogas, como crack e cocaína. As apurações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MPSP revelaram que o esquema envolvia a emissão fraudulenta de notas fiscais por empresas licenciadas para vender produtos químicos, em São Paulo, por meio de “laranjas” — que faziam depósitos em espécie como se fossem funcionários de grandes multinacionais — e vítimas que figuraram como compradoras.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

O influenciador teria um papel mais central no esquema, se tornando dono de uma empresa licenciada para a venda desses insumos. Porém, como chefe e formado em química, utilizou a posição de poder e conhecimentos para cadastrar informações falsas no Sistema de Controle e Fiscalização de Produtos Químicos da Polícia Federal (PF) com a intenção de mascarar as suspeitas de tráfico de drogas.

O réu Fábio Spinola Mota utilizava um e-mail falso para se passar por uma grande empresa farmacêutica e de biotecnologia. Assim, o esquema obteve credibilidade para comprar os insumos — fenacetina, acetona, éter etílico, ácido clorídrico, manitol e acetato de etila — na empresa de Cariani. Segundo o MPSP, Rodrigo Gomes Pereira também tinha a função de adquirir os produtos químicos.

O esquema de tráfico de drogas resultou no montante de quase R$ 2,5 milhões depositados em espécie, de acordo com o MPSP. Segundo o documento da Promotoria, foram identificadas 59 transações financeiras fraudulentas vinculadas à atuação da organização criminosas ocorridas entre 2014 e 2020.

O que diz a defesa de Renato Cariani

Em nota enviada ao Metrópoles, a defesa de Renato Cariani diz que o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público de São Paulo não representa nenhuma surpresa, já que o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal contra o influenciador. “Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani”, diz o texto.

Leia a nota completa abaixo: 

“Recebemos com naturalidade o pedido de condenação formulado pelo Ministério Público. Como parte acusadora, o órgão sustentou a tese que vinha defendendo desde o início da ação penal, e o pedido não representa nenhuma surpresa.

O processo se encontra agora em fase de alegações finais defensivas. Nela, a defesa irá responder a cada uma das teses apresentadas pelo Ministério Público e demonstrar, com base na prova produzida ao longo da instrução, que elas são improcedentes.

Confiamos que o Poder Judiciário fará, ao final, um julgamento justo, pautado pela análise isenta da prova. Temos convicção de que esse julgamento conduzirá à absolvição de Renato Cariani.”