Prisão no litoral leva polícia a investigar elo entre facções de SP e BA.
Investigações apuram se PCC subsidiavam vida de homem apontado como liderança do Bonde do Maluco, facção com base na Bahia

A prisão de Edmilson Rosas Lima, o Mago, apontado pelas autoridades do estado da Bahia como uma das lideranças da facção Bonde do Maluco, revela como o Primeiro Comando da Capital (PCC) alinhou-se ao grupo baiano para assegurar a expansão dos negócios ilegais, especialmente voltados ao tráfico de armas e drogas, no país. Agora, a investigação da polícia baiana quer compreender até onde este apoio entre as duas organizações criminosas vai e se a união mira planos para outros estados brasileiros.
Mago foi preso (veja imagens da prisão abaixo), na última sexta-feira (25/9), em um imóvel de alto padrão na Praia Grande, litoral sul de São Paulo, no âmbito da Operação Repatriação, deflagrada pelo Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Bahia e a Polícia Civil de São Paulo.
No apartamento em que Mago estava escondido no litoral paulista, investigadores encontraram documentos falsos, celulares e uma BMW modelo X3, avaliado em mais de R$ 300 mil. Contra ele, existem mandados de prisão em aberto pelos crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e homicídio. Além disso, foi imputado uma prisão em flagrante por uso de documento falso.
Autoridades policiais da Bahia afirmam que Mago era quem comandava o tráfico de drogas no bairro Arenoso, em Salvador. As investigações creditam o preso como o braço direito de Cleber Santos da Silva, o Keu. O homem, considerado líder principal do Bonde do Maluco, está preso, desde 2023, após uma ação policial na favela de Paraisópolis, zona sul da capital paulista.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPNova identidade
Mago, segundo a investigação, ficou um período migrando entre a capital e o litoral paulista. Um dos pontos que a polícia busca compreender nessa relação de cooperação entre as facções é se todo o apoio prestado ao foragido (imóvel de alto padrão, carro de luxo, comunicação, custeio de vida e a “nova identidade”) foi bancado pelo PCC.
Os dispositivos eletrônicos encontrados no endereço de alto padrão onde Mago estava serão analisados pelo departamento cibernético da Polícia Civil da Bahia.
O delegado Ernanes Reis Júnior, diretor do Denarc da Bahia, afirmou que a cooperação entre as polícias baiana e paulista é de grande importância contra organizações criminosas e possíveis novos elos entre facções existentes no país.
“Conseguimos transformar informações de inteligência em ações concretas, resultando na prisão de uma importante liderança criminosa e no avanço das investigações contra outros alvos prioritários. A integração entre as forças policiais e o compartilhamento de informações foram fundamentais para o enfrentamento de organizações criminosas com atuação interestadual”.
Salve
Em junho deste ano, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou uma operação para prender lideranças do PCC em Ribeirão Preto, interior paulista. À época, a Operação Covo de Arenque cumpriu 10 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão em cidades no interior de São Paulo.
Promotores encontraram durante uma interceptação anúncio oficial sobre a parceria firmada entre o PCC e o Bonde do Maluco, facção baseada na Bahia.
Baralho do Crime
A cooperação entre as polícias civis da Bahia e São Paulo, que causou a prisão de Mago, também resultou no cumprimento de ordens judiciais contra outro criminoso oriundo do estado baiano. A ação também foi na comunidade de Paraisópolis, na capital paulista. Na ocasião, segundo a Secretaria da Segurança Pública da Bahia (SSP-BA), três mandados de busca e apreensão foram cumpridos em endereços ligados a familiares do foragido, cuja identidade não foi divulgada.
O homem possui 16 mandados de prisão em aberto e é considerado foragido.
“Durante as buscas, foram localizadas pessoas do círculo próximo ao alvo, entre elas a cunhada e a companheira, que havia dado à luz recentemente e estava no imóvel acompanhada do filho recém-nascido”, disse nota enviada a reportagem.
As diligências permitiram a coleta de novos elementos de interesse para a investigação, que poderão contribuir para sua localização e captura.



