Preso por tráfico, chefe de escola de samba consegue domiciliar
Presidente da Império de Casa Verde, conhecido como Teta, consegue domiciliar após 3 meses de prisão por "doença arterial coronariana"

Preso por tráfico internacional de drogas e apontado como integrante do Primeiro Comando da Capital (PCC), o ex-presidente da Império de Casa Verde Alexandre Constantino Furtado deixou a prisão, após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Teta, como é conhecido, passou a usar tornozeleira eletrônica e aguarda o andamento do processo em prisão domiciliar.
O afrouxamento da medida cautelar foi determinado pelo desembargador federal Wilson Alves de Souza no fim de dezembro, cerca de três meses após a prisão, na operação Vila do Conde. Segundo as investigações, Teta seria o número 2 na hierarquia de um esquema de exportação de drogas e teria inclusive usado contas da Império de Casa Verde para lavar dinheiro.
Na decisão que determinou a prisão domiciliar, o magistrado acolheu um pedido feito pela defesa com base em um laudo médico que apontou problemas cardiológicos do investigado.
De acordo com o documento, Teta possui “doença arterial coronariana avançada” e teria passado por um infarto agudo no miocárdio cerca de dez dias antes da prisão. Ao permitir que o investigado permaneça em regime domiciliar, Wilson Alves de Souza afirmou que os advogados apresentaram novos elementos probatórios sobre a condição médica do cliente.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP“Esse conjunto probatório não estava disponível quando do exame do pedido liminar anterior (leia abaixo) e, portanto, configura fato novo relevante, apto a autorizar a reavaliação da medida cautelar extrema, nos termos da jurisprudência consolidada dos tribunais superiores”, disse o desembargador.
“Diante desse cenário, verifica-se, em juízo de cognição sumária, que a manutenção do Paciente em estabelecimento prisional pode acarretar risco concreto e atual à sua integridade física e à própria vida, não sendo razoável exigir que aguarde o julgamento definitivo em tais condições, sobretudo quando há medida menos gravosa capaz de atender às finalidades cautelares”, acrescentou.
Em outubro do ano passado, um mês após a prisão, a juíza federal Olívia Merlin Silva havia rejeitado um outro pedido da defesa com o mesmo teor. Na ocasião, ela disse que não havia amparo legal para a mudança e destacou o modus operandi do crime e a violência empregada.
Número 2
Segundo as investigações da Polícia Federal, Alexandre Constantino Furtado, o Teta, fazia parte de um grupo do aplicativo Sky ECC, de mensagens criptografadas, em que tratava sobre tráfico de drogas. O objetivo do chat, diz a PF, seria tornar a comunicação entre os traficantes “mais segura”.
O presidente do Império é citado pela PF como cúmplice de criminosos ligados ao PCC, como Fernando Cavalcanti Ribeiro, o “Pato Donald”, Ramon Daniel Franco Fleitas, o “Suarez”, Dian Carlos Araújo Fernandes, vulgo “Neymar” ou “Zangão”, e Ramon Samuel Rodrigues Iervolino, o “John”.
O grupo compõe o que a PF chama de “núcleo de fornecedores” do esquema, os chefes da organização criminosa que, nas palavras dos investigadores, teriam o “poder decisório” e o “domínio dos vínculos do início ao fim da atividade criminosa”.
“Seriam os verdadeiros donos do entorpecente. Outra característica deste núcleo seria referente ao patrimônio, os indivíduos que o compõem são os que possuem o poder econômico da organização”, descreve a PF nos autos da Operação Vila do Conde.
A investigação também apontou indícios de que as contas bancárias da escola de samba tenham sido usadas por Constantino para operações de lavagem de dinheiro.
A reportagem procurou a defesa de Alexandre Constantino Furtado, que até o momento não se manifestou.



















