Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Prefeitura diz que novo Minha Casa, Minha Vida é "inviável" em SP

Secretário municipal da Habitação, João Farias diz que novas regras do Minha Casa, Minha Vida inviabilizam produção de moradias populares

22/05/2023 05:38, atualizado 22/05/2023 14:04
Compartilhar notícia
Prefeitura de São Paulo/Divulgação
minha-casa-miha-vida

São Paulo – O secretário municipal da Habitação de São Paulo, João Farias (Republicanos), diz que algumas das regras do novo Minha Casa, Minha Vida (MCMV), programa habitacional do governo federal, podem tornar “inviável” a produção de moradias pelo poder público na capital paulista.

Faria defende que o Legislativo faça uma série de alterações no texto que instituiu o relançamento do programa, feito por meio de Medida Provisória (MP) assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em fevereiro. O texto está em discussão em uma comissão mista no Congresso.

Uma das principais mudanças questionadas pelo secretário é a que prevê subsídio total nos imóveis destinados a beneficiários do Bolsa Família. Segundo Farias, essa regra pode fazer a fila da moradia na capital explodir. Hoje, o déficit habitacional na cidade é de 369 mil moradias.

Na prática, a proposta significa que o poder público deve dar de graça uma moradia para quem recebe o Bolsa Família e se cadastrou no MCMV. “É um grande equívoco. O beneficiário precisa ter o senso de pertencimento do imóvel e o financiamento precisa ser sustentável”, afirma Farias.

Em São Paulo, a lei do programa municipal Pode Entrar, aprovada no ano passado, prevê que as moradias subsidiadas sejam entregues mediante pagamentos que chegam a até 15% da renda das famílias que recebem até três salários mínimos.

Valores

O secretário afirma ainda que outro item problemático em discussão no MCMV é o montante máximo de repasses do governo federal para o programa, de R$ 170 mil.

“Com esse valor, não é possível pensar na construção de uma unidade habitacional no centro nem de São Paulo nem de nenhuma outra grande cidade”, afirma Farias. Ele estima a quantia mínima de R$ 210 mil por unidade no caso da capital paulista.

O novo valor do MCMV, segundo o secretário, exigiria uma contrapartida dos municípios maior do que eles seriam capazes de pagar, o que inviabilizaria a produção de moradias pelas prefeituras.

Restrições

O terceiro item questionado por Farias se refere ao teto salarial de cada faixa de benefícios do MCMV. Segundo ele, a política de aumentos do salário mínimo proposta pelo governo federal vai de encontro às regras do programa.

O texto da MP de Lula define que famílias na faixa 2 são aquelas que ganham entre R$ 2.640 e R$ 4.400. Farias considera que quem recebe três salários mínimos hoje (R$ 3.960) e se enquadraria nessa faixa, pode ficar fora do grupo em dois anos (prazo para a construção de um imóvel) com os futuros reajustes.

“A família pode estar inapta (a receber o imóvel) daqui a dois anos”, afirma.

O secretário pontua ainda que vem mantendo diálogos com o deputado Fernando Marangoni (União-SP), relator do projeto, e que está confiante na alteração dos pontos que vem questionando no Congresso.

A política habitacional é considerada uma das vitrines da gestão do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que tentará a reeleição no ano que vem.

Nunes promete entregar, até o fim de 2024, 60 mil unidades habitacionais, sendo que mais de 40 mil devem ser compradas diretamente de incorporadoras privadas.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters