Prefeitura de SP rompe acordo de novo espaço ao Teatro Contêiner

Prefeitura de SP diz não ter interesse em manter acordo com companhia porque grupo não saiu de terreno anterior em prazo combinado

atualizado

metropoles.com

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Nicole D`Fiori/Cia Mungunzá
Imagem colorida mostra fachada do Teatro de Contêiner. Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra fachada do Teatro de Contêiner. Metrópoles - Foto: Nicole D`Fiori/Cia Mungunzá

A Prefeitura de São Paulo decidiu romper o acordo de cessão de um novo terreno para a instalação do Teatro de Contêiner, da Companhia Mungunzá, no centro de São Paulo. A informação foi confirmada ao Metrópoles pela própria gestão Ricardo Nunes (MDB) nesta quarta-feira (22/4).

Em dezembro do ano passado, o secretário municipal de Cultura, Totó Parente (MDB), havia assinado um termo em que se comprometia a ceder uma área na Rua Helvétia para que a companhia pudesse desocupar o terreno na Rua dos Gusmões, onde o teatro estava até então.

O acordo ocorreu em meio à pressão de nomes de peso, como a atriz Fernanda Montenegro, para que a prefeitura mantivesse o Teatro de Contêiner no centro. O impasse com a companhia durou meses e foi judicializado (leia mais abaixo).

O documento assinado entre o secretário e a companhia, no dia 23 de dezembro de 2025, dizia que a companhia deveria desmontar as estruturas em até seis dias, liberando o terreno na Rua dos Gusmões até 29 de dezembro, sob pena de que a oferta da área na Rua Helvétia fosse retirada.

Na época, os integrantes da Companhia Mungunzá disseram que aceitavam ir para o novo endereço, mas não tinham condições de financiar a mudança sozinhos, e estimaram em até R$ 2 milhões os custos para a reconstrução do teatro. O grupo disse que a gestão Nunes interrompeu o diálogo a partir dali.

Em janeiro, a prefeitura tomou posse do terreno na Rua dos Gusmões e em março retirou os contêineres que formavam a estrutura do teatro do local. Agora, a gestão diz que a companhia não cumpriu o que foi combinado em dezembro e afirma não ter “interesse” em manter o acordo daquela época.

“A Prefeitura de São Paulo informa que a área na Rua Helvetia foi ofertada ao grupo teatral com a condição de que seus representantes desocupassem o terreno da Rua dos Gusmões no prazo definido judicialmente, até 29 de dezembro de 2025. Em juízo, a gestão municipal informou não ter interesse em manter a oferta em caso de descumprimento da determinação judicial”, diz a gestão em nota ao Metrópoles.

O texto afirma ainda que os itens retirados do Teatro de Contêiner estão armazenados em um depósito da prefeitura, “garantindo a preservação das estruturas e dos materiais”, e que a companhia ainda não compareceu para reaver os materiais.

Em entrevista ao Metrópoles, o ator e produtor da companhia, Marcos Felipe, afirmou que o grupo vai buscar reverter a decisão na Justiça.

“É lamentável que a prefeitura trate o Teatro de Contêiner, que é um dos espaços culturais mais importantes do Brasil, dessa forma. Nesse momento, a gente vai recorrer ao Poder Judiciário para que seja estabelecido o mínimo de justiça diante desse caso”, disse Marcos.

“É uma tristeza que a cultura de São Paulo seja tratada com tamanho descaso e que os agentes públicos municipais e estaduais não ouçam a sociedade civil como um todo.”
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Campanha pela reconstrução

Um dos participantes da campanha pela reconstrução do equipamento na Rua Helvétia, o ator Mateus Solano disse em seu vídeo que o teatro prestava um serviço social para a cidade – o Teatro de Contêiner ficava ao lado da cracolândia e ficava em um terreno que passou anos abandonado.

 

“Fica aqui o meu apelo encarecido aos governantes de São Paulo para que devolvam o Teatro de Contêiner aos paulistanos, à cidade de São Paulo. Esse teatro não devia ter sido demolido, é um teatro que prestava mais que um serviço cultural, um serviço social, que devia ter sido aplaudido, incentivado, e não destruído”, disse Solano na gravação.

“Portanto, que se cumpra o contrato feito para a doação para a Companhia Mungunzá de um novo terreno para a reconstrução do Teatro de Contêiner”, finalizou o ator.

Nomes como Denise Fraga, Letícia Colin e Ailton Graça também gravaram vídeos pedindo que Nunes cumpra com o acordo.

Ação na Justiça

O impasse envolvendo o futuro do Teatro de Contêiner tem movimentado, ainda, a Justiça.

No início de abril, a deputada federal Luciene Cavalcante (SP), o deputado estadual paulista Carlos Giannazi e o vereador paulistano Celso Giannazi, todos do PSol, entraram com uma ação popular em que defendem a permanência  da companhia na área da Rua Helvétia.

Os parlamentares alegam que o acordo apresentado pela prefeitura à companhia era “abusivo, inexequível e ilegal”, já que o grupo não teria tempo nem condições financeiras de realizar a mudança, e pedem que os efeitos do acordo sejam considerados nulos, e que o imóvel seja cedido à companhia para as atividades do teatro.

A ação pede ainda que a prefeitura seja condenada à reparação integral dos danos causados ao Teatro de Contêiner Mungunzá, “em razão da conduta abusiva praticada” e que a gestão “ preserve, identifique e disponibilize para a remontagem todos os bens, módulos, equipamentos e estruturas remanescentes vinculados ao Teatro, abstendo-se de lhes dar destinação incompatível com sua reutilização”.

Na sexta-feira (18/4), a juíza Nandra Martins Da Silva Machado, da 5ª Vara da Fazenda Pública, deu 72 horas para que a prefeitura se manifeste na ação.

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