Do posto ao copo: polícia desvenda cadeia do metanol que matou 2 em SP

Falsificadores compram álcool “batizado” com metanol em postos de gasolina e utilizam o produto para a adulteração de bebidas

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Carla Sena/Arte Metrópoles
Imagem colorida mostra embalagem de metanol - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra embalagem de metanol - Metrópoles - Foto: Carla Sena/Arte Metrópoles

A mais recente linha de investigação da Polícia Civil aponta que duas mortes por intoxicação por metanol em São Paulo estão ligadas ao uso de etanol (álcool) contaminado com metanol no processo de falsificação de bebidas alcoólicas. Segundo a corporação, falsificadores compram álcool já adulterado em postos de gasolina e utilizam o produto para a fabricação de bebidas — que são vendidas contaminadas por estabelecimentos comerciais e terminam no copo do consumidor final.

A cadeia da intoxicação, segundo a Polícia Civil, começa a partir de postos de gasolina. Na manhã desta sexta-feira (17/10), a polícia identificou dois estabelecimentos suspeitos de vender etanol adulterado com metanol, no ABC, região metropolitana de São Paulo.

A investigação acusa que um grupo suspeito de fabricar e vender bebidas alcoólicas falsificadas comprou etanol contaminado desses postos. A partir da compra do produto, o grupo fabrica e envasa bebidas falsas em fábricas clandestinas e o produto é vendido como “original” (veja abaixo).

Polícia de SP desvendou caminho do metanol dos postos de combustíveis até o consumidor de bebidas alcoólicas

Estabelecimentos comerciais compram as bebidas já adulteradas pelo metanol e revendem ao consumidor final. A ação coloca consumidores em perigo, que, sem conhecimento, ingerem a bebida contaminada com a substância tóxica.


Metanol: o caminho da intoxicação

  • Postos de gasolina: criminosos compram etanol já adulterado com metanol e o produto é utilizado para a falsificação de bebidas alcoólicas. O etanol já está com metanol.
  • Fábrica clandestina: esse etanol (com metanol) é utilizado para a falsificação de bebidas em fábricas clandestinas e o produto é envasado e vendido como “original”.
  • Estabelecimentos comerciais: compram as bebidas alcoólicas já falsificadas e contaminadas pelo metanol.
  • Consumidor: consome bebida alcoólica adulterada, sem conhecimento da procedência do produto.

Esquema matou 1ª vítima de SP

De acordo com a Polícia Civil, o esquema está diretamente relacionado à morte do empresário Ricardo Lopes Mira — primeira vítima oficial de intoxicação por metanol no estado de São Paulo. Ele morreu em 16 de setembro, após ingerir bebida alcoólica adulterada no Torres Bar, zona leste de São Paulo.

Do posto ao copo: polícia desvenda cadeia do metanol que matou 2 em SP - destaque galeria
8 imagens
Ricardo Mira foi a primeira vítima do metanol confirmada em São Paulo e no Brasil. Ele era empresário e consumiu a bebida contaminada por metanol na Mooca.
Marco Aurelio Sumam, uma da vítimas que teria ingerido metanol
Vítima ficou cerca de 3 semanas internada
Do posto ao copo: polícia desvenda cadeia do metanol que matou 2 em SP - imagem 5
Intoxicação por metanol: Unicamp aponta falta de antídotos no Brasil
Empresário era bebedor contumaz, segundo familiar
1 de 8

Empresário era bebedor contumaz, segundo familiar

Reprodução/Facebook
Ricardo Mira foi a primeira vítima do metanol confirmada em São Paulo e no Brasil. Ele era empresário e consumiu a bebida contaminada por metanol na Mooca.
2 de 8

Ricardo Mira foi a primeira vítima do metanol confirmada em São Paulo e no Brasil. Ele era empresário e consumiu a bebida contaminada por metanol na Mooca.

Reprodução/Facebook
Marco Aurelio Sumam, uma da vítimas que teria ingerido metanol
3 de 8

Marco Aurelio Sumam, uma da vítimas que teria ingerido metanol

Reprodução/Facebook
Vítima ficou cerca de 3 semanas internada
4 de 8

Vítima ficou cerca de 3 semanas internada

Reprodução/Facebook
Do posto ao copo: polícia desvenda cadeia do metanol que matou 2 em SP - imagem 5
5 de 8

Divulgação/Governo de SP
Intoxicação por metanol: Unicamp aponta falta de antídotos no Brasil
6 de 8

Intoxicação por metanol: Unicamp aponta falta de antídotos no Brasil

Reprodução
Marco era empresário
7 de 8

Marco era empresário

Reprodução/Facebook
Polícia de SP desvendou caminho do metanol dos postos de combustíveis até o consumidor de bebidas alcoólicas
8 de 8

Polícia de SP desvendou caminho do metanol dos postos de combustíveis até o consumidor de bebidas alcoólicas

Carla Sena/Arte Metrópoles

A polícia chegou a essa conclusão após os responsáveis pelo bar apontarem o distribuidor das bebidas compradas pelo estabelecimento. O suspeito foi abordado e denunciou a origem clandestina dos produtos.

Os relatos da gestão do bar e do distribuidor levaram a investigação até uma fábrica clandestina que usava etanol comprado em postos de combustíveis para produzir bebidas falsificadas em São Bernardo do Campo, no ABC paulista. Na ocasião, uma mulher, identificada como Vanessa Maria da Silva, foi presa suspeita de ser a responsável pela falsificação.

Do posto ao copo: polícia desvenda cadeia do metanol que matou 2 em SP - destaque galeria
2 imagens
Operação mirou familiares ligados a grupo criminoso de metanol
Polícia fecha fábrica clandestina de bebidas adulteradas com metanol
1 de 2

Polícia fecha fábrica clandestina de bebidas adulteradas com metanol

Divulgação/SSP
Operação mirou familiares ligados a grupo criminoso de metanol
2 de 2

Operação mirou familiares ligados a grupo criminoso de metanol

Reprodução/ Secretaria da Segurança Pública

A fábrica adquiria etanol “batizado” com metanol nos postos de combustíveis e produzia bebidas falsificadas com o produto. As garrafas eram vendidas para distribuidores e estabelecimentos comerciais, que acabavam revendendo a bebida contaminada para consumidores.

“Família metanol”

Além de Vanessa, o marido, o pai e o cunhado dela também são acusados de comprar etanol para falsificar bebidas — o marido dela inclusive é uma pessoa conhecida no ramo da falsificação. Segundo as autoridades, o grupo criminoso foi responsável pela contaminação de pelo menos três pessoas.

Duas delas são Ricardo Mira e Marcos Antônio Jorge Junior, que ingeriram bebida contaminada no Torres Bar, na Mooca, zona leste da capital.

O terceiro caso de contaminação em que a polícia vê conexão com a família de Vanessa é de um rapaz que está cego e segue internado na UTI. Ele bebeu o conteúdo de uma garrafa adulterada num bar chamado Nova Europa, no Planalto Paulista, na zona sul da cidade.

Com a identificação dos postos e da família criminosa, a Polícia Civil concluiu a segunda fase da operação que investiga os casos de contaminação por metanol em São Paulo. O próximo passo da investigação é apurar se o grupo tinha conhecimento sobre a adulteração.


Número de intoxicações por metanol

  • Foram registrados 90 casos de intoxicação no total, sendo 33 confirmados e 57 em investigação. Foram descartados 339 casos.
  • seis mortes confirmadas (três homens de 54, 46 e 45 anos), residentes na cidade de São Paulo, uma mulher de 30 anos de São Bernardo do Campo, um homem de Osasco de 23 anos, e um de Jundiaí de 37 anos.
  • Os dados foram divulgados na quarta-feira (15/10) pela Secretaria Estadual de Saúde (SES-SP).
  • De acordo com o Ministério da Saúde, no país, até o momento, há 148 notificações.
  • São 41 casos confirmados e 107 em apuração.
  • Outras 469 notificações foram eliminadas.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?