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São Paulo

Por que o PT rachou na votação do novo Plano Diretor de SP

PT se dividiu e vereadores trocaram alfinetadas públicas enquanto base de Ricardo Nunes fez profunda mudança em lei que foi marca petista

27/06/2023 12:26, atualizado 27/06/2023 13:24
Richard Lourenço/Câmara Municipal de São Paulo
Luna Zarattini

São Paulo – Os vereadores do PT de São Paulo trocaram ataques públicos e votaram divididos na sessão que aprovou o novo Plano Diretor Estratégico (PDE) da capital paulista, nessa segunda-feira (26/6), na Câmara Municipal. Três parlamentares da legenda votaram contra o texto e cinco a favor.

Luna Zarattini, Hélio Rodrigues e João Ananias votaram contra o texto. Senival Moura, Jair Tatto, seu irmão Arselino Tatto, Alessandro Guedes e Manoel Del Rio a favor.

O vereador Jair Tatto e o colega Senival Moura chegaram a gritar um com o outro porque Tatto queria que Senival lesse uma nota da Executiva Municipal da legenda que recomendava a aprovação do texto.

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“Eu quero a nota do partido”, gritou Tatto, quando Senival foi discursar. O colega respondeu pedindo calma.

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Arselino Tatto
Hélio Rodrigues
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Alessandro Guedes será o presidente da CPI das Enchentes na Câmara Municipal de SP
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Manoel Del Rio
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Senival Moura
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Senival Moura

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Senival também se dirigiu à correligionária Luna Zarattini (na foto em destaque), que votou contra o texto, como uma “menina jovem que vai crescer muito” quando se viu contrariado pela parlamentar, o que resultou em acusações de machismo por aliados.

O PDE vigente, premiado internacionalmente, era visto como um legado deixado pelo então prefeito Fernando Haddad (PT). Agora, na avaliação de especialistas, o Plano Diretor foi tão modificado que dificilmente alcançará posição de destaque novamente.

Movimentos de moradia

Manoel Del Rio é advogado da Frente de Luta por Moradia (FLM), movimento de sem-teto que ocupa diversos prédios abandonados do centro da cidade.

O grupo vem negociando com a Prefeitura de São Paulo a inclusão de prédios no programa Pode Entrar. O projeto da gestão Nunes reforma prédios ocupados e os repassa aos movimentos. Atualmente, o edifício Prestes Maia, da FLM, passa por esse processo.

Fábio Vieira/MetrópolesFachada do Edifício Prestes Maia
Fachada do Edifício Prestes Maia

Diante da perspectiva de conseguirem mais espaço no Pode Entrar, Manoel Del Rio e seu movimento deram apoio ao governo Nunes.

Nunes busca desde o fim do ano passado construir alianças com movimentos de moradia. Ele prevê entregar cerca de 60 mil unidades habitacionais até o fim de sua gestão e assim tirar votos  do deputado federal Guilherme Boulos (PSol), provável adversário do emedebista nas eleições de 2024.

Após a aliança com parte dos petistas e o apoio da FLM, metade dos ocupantes das galerias no plenário da Câmara Municipal durante a votação estava a favor do texto do prefeito. A outra metade, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), grupo do qual Boulos é coordenador, se manifestava contra.

Descontentamento com acordo

Arselino, Jair, Senival e Alessandro Guedes já haviam marcado uma guinada em direção a Nunes em dezembro do ano passado, quando os vereadores votaram “sim” ao projeto de lei do Orçamento para este ano, contrariando o histórico do partido de votar contra projetos do tipo.

Em troca, segundo aliados petistas, eles vêm recebendo o mesmo tratamento que políticos da base de Nunes no atendimento a pleitos ligados à gestão da cidade, como indicação de obras nas subprefeituras. Há expectativas de que, nos próximos dias, a gestão Nunes promova mudanças na Subprefeitura de Cidade Tiradentes para acomodar indicados do grupo, inclusive.

O quarteto é ligado ao deputado federal Jilmar Tatto (PT), irmão de Jair e Arselino, candidato derrotado à Prefeitura em 2020 e é descrito por Nunes como seu “amigo”.

Eles se aproximaram de Nunes nas eleições para o governo do Estado do ano passado, quando Lula, então candidato à presidência da República pelo PT, impôs ao diretório municipal paulistano aliança com o PSol para o pleito do ano que vem.

Fábio Vieira/Metrópoles
Guilherme Boulos e Luiz Inácio Lula da Silva

O acordo feito por Lula prevê que os petistas apoiem Guilherme Boulos à Prefeitura de São Paulo, em 2024, o que os Tatto não querem. Para deixar claro o descontentamento, esse grupo petista evita dividir trincheiras ao lado de vereadores do PSol.

A saída do grupo foi construir o discurso de que os eventuais pontos negativos na revisão do PDE tinham de ser revertidos com base na negociação com o governo, o que Senival chamou de “redução de danos”, e não se opor à aprovação do projeto.

Uma parcela de militantes petistas na cidade, porém, condena veementemente a aproximação dos vereadores ao governo Nunes porque entende que o prefeito tem apoio já costurado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Apoio a Lula

Petistas que tiveram longa atuação na Câmara Municipal e dão apoio à costura feita por Lula, como os deputados estaduais Antonio Donato (que presidiu o Legislativo paulistano entre 2015 e 2016) e Simão Pedro (ex-secretário de Serviços de Haddad), foram às redes sociais criticar o partido.

Donato fez uma defesa a Luna Zarattini diante das falas de Senival Moura de que ela era uma “menina” e parabenizou os colegas que votaram contra o projeto. “Você se mostrou muito maior do que aqueles que se acham grandes”, disse o deputado, se dirigindo à colega de partido.

“Lamentável a divisão do PT em tema objetivo que levará a cidade a um crescimento excludente e insustentável”, escreveu Simão Pedro.

Além do respeito à costura feita por Lula, há petistas como Luna Zarattini que têm relação própria de aliança com Boulos. O pré-candidato do PSol esteve na cerimônia de posse da vereadora em março deste ano.