Após 30 dias presos, policiais suspeitos de execução são soltos em SP
Família contesta a versão oficial polícia e afirma que homem, de 38 anos, estava desarmado e acusa os agentes de manipularem a cena do crime
atualizado
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Os três policiais militares do 5º Batalhão de Ações Especiais da Polícia (BAEP), Marcelo Mendes da Silva, Rodrigo Silva Olivares e Geraldo Gomes Real, foram colocados em liberdade desde 1º de janeiro, após cumprirem 30 dias de prisão temporária. Eles haviam sido presos em dezembro de 2025, suspeitos de envolvimento na morte de Sydnei Sequim Júnior, de 38 anos, que estaria desarmado durante uma abordagem policial em Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que os três policiais foram colocados em liberdade após o Poder Judiciário negar a prorrogação da prisão temporária. Eles vão responder ao processo em liberdade. A SSP destacou ainda que a Polícia Militar não compactua com desvios de conduta e que pune com rigor eventuais irregularidades.
Ao Metrópoles os advogados Renato Soares e Mauro Ribas, que representam Marcelo Mendes da Silva e Rodrigo Silva Olivares, afirmaram que a liberação ocorreu exclusivamente pelo término do prazo da prisão temporária. Segundo a defesa, os policiais já haviam sido interrogados pela polícia, prestaram esclarecimentos detalhados sobre a ocorrência e responderam a todos os questionamentos levantados durante o inquérito.
Entenda a prisão dos policiais
- Sydnei Sequim Júnior morreu durante uma abordagem policial em Itapevi, em outubro de 2025.
- A investigação levantou suspeitas sobre a dinâmica da ocorrência e a possibilidade de a vítima estar desarmada.
- A 1ª Vara Criminal de Itapevi decretou a prisão temporária de três policiais para aprofundar as investigações.
- Há indícios de que a cena do crime teria sido manipulada, incluindo a possível colocação de uma arma na mão da vítima após os disparos.
- Com o fim do prazo da prisão temporária e sem renovação pela Justiça, os policiais foram soltos e respondem ao processo em liberdade.
Ainda de acordo com os advogados dos policiais, após os depoimentos, as autoridades não solicitaram a prisão preventiva, o que impossibilitou a manutenção da custódia. O próximo passo do processo é a conclusão do inquérito policial e a manifestação do Ministério Público de São Paulo, que poderá pedir o arquivamento do caso ou oferecer denúncia.
O que diz a versão oficial da polícia
De acordo com o boletim de ocorrência, a ação aconteceu na noite de 8 de outubro de 2025, quando policiais do BAEP realizavam patrulhamento e avistaram Sydnei em atitude suspeita. Ainda segundo o registro, ele teria obedecido à ordem de parada, mas reagido de forma violenta ao ser orientado a virar de costas, tentando sacar uma arma de fogo que estaria em sua cintura.
Diante da suposta ameaça, o subtenente Marcelo Mendes efetuou disparos. Mesmo ferido, Sydnei teria mantido comportamento agressivo, o que levou a novos tiros. Ele foi atingido por quatro disparos, socorrido e levado ao Pronto-Socorro de Itapevi, onde morreu. Com a vítima, segundo a polícia, foi apreendida uma pistola carregada com sete munições intactas. As armas dos policiais também foram recolhidas para perícia.
Família contesta versão e fala em execução
O Metrópoles conversou com a família de Sydnei Sequim Júnior, que contesta a versão apresentada pela polícia. Segundo os familiares, a abordagem que terminou na morte do homem não foi um fato isolado. Eles afirmam que, no dia 30 de setembro, a mesma equipe policial já havia abordado Sydnei. Dias depois, no dia 8, os agentes teriam instalado um aplicativo para rastreá-lo. Para a família, a justificativa de que havia disparos de arma de fogo em via pública não condiz com a realidade. “Estava tudo errado”, disse o irmão de Sydney.
“Quantas pessoas já morreram depois de a polícia dizer que estavam em atitude suspeita? Muitas famílias nem conseguem correr atrás. Já é uma dor imensa perder um filho. Ficar sem justiça é ainda pior”, desabafou o irmão.
O Metrópoles não conseguiu contato com a defesa de Geraldo Gomes Real. O espaço segue aberto para manifestações.
