ERRAMOS: PMs da Rota envolvidos em morte de mecânico usavam bodycam
O mecânico Alex dos Santos Silva foi morto por PMs da Rota ao sair do trabalho, na zona sul de São Paulo, no último dia 24/8
atualizado
Compartilhar notícia

Os policiais militares (PMs) das Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) que participaram da ocorrência que resultou na morte do mecânico negro Alex dos Santos Silva, de 29 anos, no último dia 24/8, na zona sul de São Paulo, usavam bodycam (câmeras corporais) no momento dos disparos, ao contrário do que informou o Metrópoles na versão original desta reportagem.
Na qualificação dos PMs mencionados no boletim de ocorrência (B.O.), obtido pela reportagem, constava que nenhum deles portava câmeras no momento da ação. Porém, no histórico em que a ocorrência é descrita pela Polícia Civil a partir do relato dos PMs, é mencionado o fato de que “todos os policiais envolvidos na ocorrência portavam as respectivas Câmeras Corporais Portáteis (COP)”.
O que diz o B.O.
- De acordo com o registro, quatro PMs estavam em patrulhamento na Avenida Paulo Guilguer Reimberg na noite de domingo (24/8).
- Na altura no número 2.900, viram o veículo de Alex, “que trafegava em atitude suspeita, sendo observado que o condutor demonstrava visível nervosismo”.
- Ainda segundo a declaração da PM, os agentes emparelharam a viatura com o carro de Alex, determinando parada.
- Nesse momento, ele teria apontado um revólver em direção aos policiais, que “buscando repelir iminente agressão, ainda no interior da viatura, efetuaram os disparos”.
- Um PM deu um tiro de fuzil, enquanto outros dois dispararam três vezes com pistolas.
- Duas balas atingiram Alex, uma no tórax e outra no braço esquerdo.
Versão da PM
De acordo com a versão dos policiais, o mecânico portava um revólver calibre .38 com numeração suprimida e cinco cartuchos intactos. Não há registro de que ele tenha efetuado qualquer disparo.
Em vistoria no interior do veículo, os PMs dizem ter encontrado uma mochila com substância entorpecente, “aparentemente maconha”. Segundo o B.O., não foi possível determinar a quantidade. Também não há registro de que foi encontrado dinheiro na bolsa ou no carro.
O carro, que não estava no nome de Alex e não possuía seguro, não tinha queixa de furto ou de roubo. O veículo foi apreendido, assim como um relógio, duas correntes douradas e um celular – que não foram atribuídos ao mecânico no registro oficial.
Segundo o registro, Alex chegou com vida ao hospital, mas não resistiu. A unidade hospitalar em que ele foi atendido, no entanto, não é informada no B.O.
A perícia da cena do crime foi feita por agentes do 101º Distrito Policial (Jardim das Imbuias), onde a ocorrência foi inicialmente registrada. Agora o caso é investigado pelo Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo.
Esposa afirma que vítima não portava arma
Segundo Eliana, esposa de Alex, não é verdade que ele portava uma arma ou drogas no momento em que foi morto pela polícia.
“Isso é o que eles falam, que estava com uma arma e uma mochila com drogas, eles sempre falam isso. É claro que não, ele não tem arma, não usa isso, a polícia plantou essa arma lá”, disse ao Metrópoles.
A jovem, de 26 anos, questiona ainda a versão de que o mecânico teria mencionado a intenção de trocar tiros com a Rota sozinho, de dentro de um carro. “Eles fazem sempre isso, sempre falam isso. Eles são muito burros. Querem fazer as coisas tão feitas, só que sempre deixam uma brecha. E mais burro ainda é quem acredita nisso”, afirmou.
Para Eliana, o registro policial é uma tentativa de tirar a responsabilidade dos agentes e colocar a culpa da ocorrência em Alex. O casal tem um filho de quatro anos, que também está sofrendo com a perda do pai.










