Piloto preso aproveitava viagens para estuprar crianças de fora de SP
Polícia identificou que o piloto Sérgio Antônio Lopes mantinha contato com vítimas fora de São Paulo. Celular dele tinha “vasto material”
atualizado
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A Polícia Civil identificou que o piloto Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, preso por suspeita de liderar uma rede de exploração sexual infantil, mantinha contato com vítimas fora do estado de São Paulo.
Em entrevista ao programa Acorda, Metrópoles, a delegada Luciana Peixoto, responsável pela investigação, disse que, até o momento, sete vítimas foram identificadas. “No celular dele [piloto], foi encontrado um vasto material. Verificamos que existe contato fora do estado de São Paulo, já que ele tinha uma flexibilidade por ser piloto de avião”, afirmou.
Além de cometer os abusos, Sérgio aliciava as vítimas para outros abusadores, de acordo com a delegada. “Quando chegava em São Paulo, ele procurava as vítimas e as famílias das vítimas”, disse Peixoto.
De acordo com a apuração, a maior parte dos abusos era cometida dentro do carro do piloto. A esposa dele, inclusive, cogita vender o veículo após a descoberta dos crimes, segundo informações concedidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), em coletiva de imprensa.
Modus operandi do piloto
- Sérgio tinha um modus operandi para se aproximar das menores: mesmo casado, ele abordava mulheres, perguntava se elas tinham filhos e dizia que não tinha problema em ter um relacionamento extraconjugal.
- Pelo menos 10 menores foram vítimas. A polícia descobriu que, em outubro do ano passado, o piloto pagou de R$ 50 a R$ 100 para mães e avós de meninas para cometer abuso infantil.
- Segundo as autoridades, o homem pagava de R$ 30 a R$ 100, remédios e até aluguel para cometer os abusos. Ele oferecia os pagamentos para mães e responsáveis de crianças, que “vendiam” suas filhas para o criminoso.
Piloto coagia meninas
O piloto Sérgio Antônio Lopes coagia suas vítimas a atrair novas meninas sob pretexto de vazar as imagens feitas durante os abusos. A afirmação foi dada pela diretora do DHPP de São Paulo, Ivalda Aleixo.
Para a polícia, os depoimentos das irmãs abusadas por Sérgio, hoje com 14 e 18 anos, reforçaram a suspeita de que o piloto desejava criar uma grande rede de vítimas.
De acordo com as investigações, as irmãs eram “vendidas” pela própria avó, Denise Moreno, de 55 anos, como mostrado pelo Metrópoles. O “comércio sexual” das menores ocorre há pelo menos 10 anos, segundo apurado pela reportagem. Denise também foi presa nessa segunda-feira.
Conforme a polícia, Sérgio ia a bares das regiões da zona norte e leste de São Paulo e começava a ter um breve relacionamento com mulheres. Assim que o romance tinha uma evolução, ele questionava as referidas companheiras se elas tinham filhos e/ou netos — dando início, assim, às tratativas para os abusos sexuais.
O que diz a Latam
O voo que seria pilotado por Lopes operou normalmente, decolando e pousando no horário previsto, segundo a Latam.
Em nota, a companhia aérea informou que abriu apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. “A companhia repudia veementemente qualquer ação criminosa e reforça que segue os mais elevados padrões de segurança e conduta”, diz o texto.
