PCC teria planejado resgatar presos do caso Pimentel com blindados
Denúncias enviadas para a polícia apontaram ataque a delegacia do ABC; decisões conflitantes atrasaram por nove dias transferência de trio

Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) teriam planejado invadir a Delegacia-Sede de São Caetano do Sul, no ABC, Região Metropolitana de São Paulo, usando fuzis e veículos blindados para resgatar três presos investigados por envolvimento no atentado contra o tenente da Polícia Militar (PM) Ronickson Pimentel dos Santos, das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), em 27 de junho.
Os relatos foram encaminhados ao Disque Denúncia (181) e levados a sério pela Polícia Civil e pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) os quais solicitaram a retirada dos suspeitos da carceragem policial. Segundo documentos obtidos pela reportagem, membros da “sintonia final de rua” da facção e lideranças criminosas da zona leste da capital paulista e da favela de Heliópolis, na zona sul, estariam envolvidos na articulação.
O Metrópoles já havia revelado sobre o alerta indicando a possível operação de resgate. Os documentos ainda mostram que o risco permaneceu por dias, enquanto decisões divergentes da Justiça impediram que a remoção fosse imediatamente concluída.
Presos estariam colaborando
Marcos Vinícius Dias Machado e Carlos Roberto Ferreira foram presos sob suspeita de participação na logística do atentado. O terceiro detido é Luiz Henrique de Oliveira Nascimento, investigado por tentar ocultar a motocicleta usada no crime, em troca de R$ 100. O quarto suspeito detido é Luis Altino da Silva, o Chuck, de 42 anos.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPUma das denúncias afirma que Carlos e Marcos estariam “abrindo o bico” e colaborando com a polícia. Por isso, integrantes da facção estariam supostamente avaliando a possibilidade de matá-los ou retirá-los da delegacia à força.
O denunciante afirmou ainda que uma pessoa ligada ao PCC teria visitado os presos e observado a estrutura interna da unidade, incluindo o número de policiais, as armas disponíveis e o local da cela. A informação consta de denúncia anônima e é checada pela investigação.
Outro relato mencionou três veículos utilitários esportivos blindados e fuzis que seriam separados para a suposta ação de resgate.

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Ver todasPedido autorizado e depois negado
Diante do risco, o Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo, pediu, em 6 de julho, que Marcos e Carlos fossem transferidos para um Centro de Detenção Provisória (CDP).
Em 7 de julho, o juiz Pedro Corrêa Liao autorizou a remoção. Ele considerou as denúncias sobre o possível uso de armas de alto poder ofensivo e veículos blindados, além do risco aos presos, aos policiais e à população.
O processo, porém, foi posteriormente redistribuído. No mesmo dia, o juiz Hélio Narvaez rejeitou o pedido de transferência por entender que presos temporários deveriam permanecer separados dos demais detentos.
Segundo manifestação posterior do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e da Promotoria de São Caetano, a segunda decisão – que indeferiu o pedido – foi proferida sem que fosse observada a autorização anterior.
Novo alerta sobre resgate
Enquanto o impasse permanecia, Luiz Henrique também foi levado à Delegacia-Sede de São Caetano.
No último dia 14, uma nova denúncia reforçou que o plano de resgate continuava em andamento. O MPSP afirmou que a situação gerava “grande preocupação” com a segurança da delegacia, dos agentes responsáveis pela custódia e dos próprios presos.
No dia seguinte, o juiz Heitor Moreira de Oliveira ratificou a primeira decisão e autorizou a transferência imediata dos três investigados para um CDP ou “outra unidade adequada”.
A nova ordem foi dada nove dias após o primeiro pedido da Polícia Civil.
Atentado contra tenente da Rota
Pimentel foi baleado na cabeça em 27 de junho, enquanto aguardava a abertura de um semáforo na Avenida Goiás, em São Caetano do Sul.
Segundo o DHPP, dois homens estavam na motocicleta usada no ataque. Um Renault Logan acompanhou a moto até seu abandono perto da favela de Heliópolis. Um Fiat Palio e um Chevrolet Astra, conduzidos por Marcos e Carlos, também teriam participado da movimentação coordenada.
O principal suspeito de efetuar os disparos, Hércules da Costa Siqueira, o Golias, permanecia foragido até a publicação desta reportagem. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) oferece recompensa de R$ 50 mil por informações que levem ao paradeiro dele.
A defesa de Carlos Roberto foi procurada pelo Metrópoles e afirmou que não iria se manifestar, alegando que o caso segue em sigilo. A reportagem não localizou os advogados dos outros suspeitos. O espaço segue aberto para manifestações.













