PCC e postos: alvo do MPSP teria recebido líderes da facção mortos
Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro, e Rafael Maeda Pires, o Japa, frequentavam casa de luxo de Flávio Silvério, segundo investigações
atualizado
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A casa de um dos alvos da Operação Spare, deflagrada nesta quinta-feira (25/9) pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), já foi frequentada por importantes integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC), de acordo com promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), como Wagner Ferreira da Silva, o Cabelo Duro; e Rafael Maeda Pires, o Japa.
O investigado responsável por receber os criminosos é Flávio Silvério Siqueira, o Flavinho, apontado como principal responsável por coordenar um esquema de lavagem de dinheiro e uma rede de “laranjas”, envolvendo postos de combustíveis e casas de jogos de azar.
Cabelo Duro foi morto em fevereiro de 2018 em uma emboscada que teria sido armada pelo líder histórico do PCC Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue. Japa foi enforcado, em 2022, enquanto a facção caçava os responsáveis por libertar Vinícius Gritzbach de um tribunal do crime realizado naquele ano.
A casa de Flávio Silvério usada para receber Cabelo Duro e Japa, localizada em Itu, no interior de São Paulo, foi vendida em 2018. O imóvel foi avaliado em R$ 4 milhões.
Além dos líderes do PCC, José Carlos Gonçalves, conhecido como Alemão, também frequentava o imóvel. Alvo da Operação Carbono Oculto, Alemão seria sócio de Gritzbach e de uma aeronave de Flavinho.
Na representação que deu origem à Operação Spare e na entrevista coletiva concedida na manhã desta quinta-feira (25/9), os promotores do Gaeco não detalharam qual seria a relação entre os integrantes do PCC mortos e Flávio Silvério. Os representantes do MPSP, no entanto, afirmam que nenhum dos alvos da operação é oficialmente integrante da facção.
Postos e motéis
O empresário Flávio Silvério Siqueira, conhecido como Flavinho, é apontado como responsável por lavar dinheiro para o PCC por meio de empresas de combustíveis e motéis suspeitos de servir como fachada para movimentações ilícitas.
Flávio é apontado como chefe de um esquema de adulteração e venda de combustíveis, utilizado para lavar recursos do tráfico de drogas, contrabando e jogos de azar. Segundo a Receita, a rede sob seu controle movimentou R$ 4,5 bilhões entre 2020 e 2024, mas recolheu apenas R$ 4,5 milhões em tributos federais, o equivalente a 0,1% do faturamento.
Flávio é investigado há anos por seu envolvimento com postos de combustíveis usados como lavanderia do crime organizado. Ele teria criado uma rede de empresas de fachada para dar aparência de legalidade ao dinheiro vindo de ilícitos.
De acordo com o MP, 267 postos ainda ativos ligados ao grupo foram identificados, além de administradoras que movimentaram R$ 540 milhões no mesmo período. O rastreio financeiro também mostrou conexões do empresário com empreendimentos imobiliários, motéis e franquias, todos usados para ocultação de patrimônio.
Operação Spare
As investigações começaram a partir da apreensão de máquinas de cartão em casas de jogos clandestinos situadas na cidade de Santos, no litoral paulista, que estavam vinculadas a postos de combustíveis. A análise das movimentações financeiras revelou que os valores eram transferidos para uma fintech, utilizada para ocultar a origem ilícita dos recursos e sua destinação final.
O MPSP identificou uma complexa rede de pessoas físicas e jurídicas envolvidas na movimentação dos valores ilícitos. Também foram constatados vínculos com empresas do ramo hoteleiro, postos de combustíveis e instituições de pagamento que mantinham uma contabilidade paralela, dificultando o rastreamento dos recursos.
Quem são os 25 alvos de operação contra postos de combustível ligados ao PCC
A fintech por onde a organização criminosa movimenta milhões de reais seria a BK Bank, a mesma utilizada pelos alvos da Operação Carbono Oculto, que apontou um esquema colocado em prática por organizações criminosas investigadas de participação fraudulenta no setor de combustível, com infiltração de integrantes da facção Primeiro Comando da Capital (PCC).
O esquema era complexo e funcionava em vários elos da cadeia de combustíveis: na importação, produção, distribuição e comercialização ao consumidor final. Também foi identificada a prática de adulteração de combustíveis com o uso de metanol.
Além dos postos, os investigados são suspeitos de utilizar empreendimentos imobiliários, motéis e lojas de franquia como instrumentos para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Esse movimento se dava em espécie e por maquininhas via fintechs, e posteriormente os recursos lavados eram reinvestidos em negócios, imóveis e outros ativos, por meio de Sociedades em Conta de Participação (SCP), de acordo com a Receita Federal.
A ação acontece em conjunto com a Receita Federal, a Secretaria da Fazenda, a Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo e a Polícia Militar.


















