Paulistas mortos no PR: polícia apura envolvimento do crime organizado

Amigos paulistas viajaram para cobrar uma dívida no Paraná em 5 de agosto e ficaram desaparecidos durante 45 dias. Polícia investiga o caso

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Divulgação/ Polícia Civil do Paraná
Os paulistas viajaram para cobrar uma dívida no Paraná em 5 de agosto e ficaram desaparecidos durante 45 dias. Polícia investiga o caso - Metrópoles
1 de 1 Os paulistas viajaram para cobrar uma dívida no Paraná em 5 de agosto e ficaram desaparecidos durante 45 dias. Polícia investiga o caso - Metrópoles - Foto: Divulgação/ Polícia Civil do Paraná

Uma das linhas de investigação da Polícia Civil do Paraná sobre o caso dos paulistas que ficaram desaparecidos por 45 dias e foram encontrados mortos após terem saído do interior de São Paulo para cobrar uma dívida em Icaraíma, é a de que tanto os suspeitos, quanto as vítimas, poderiam ter envolvimento com o crime organizado.

Segundo as apurações, a teoria se deu quando chegou ao conhecimento das autoridades que a dívida da cobrança, além do desacerto envolvendo uma propriedade rural em Vila Rica, também envolvia “negócios ilícitos entre as partes”.

Apesar de estar trabalhando com essa linha, a polícia paranaense reitera que ainda não é possível afirmar que exista a relação ilícita entre os amigos Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso – as vítimas; e Antonio Buscariollo e Paulo Ricardo Costa Buscariollo – os suspeitos.

Ainda de acordo com as autoridades, foi necessário, para o rumo das investigações, levantar o histórico criminal dos suspeitos e das vítimas. Antonio responde por posse ilegal de arma e nada consta na ficha criminal de Paulo. Já, no caso dos amigos, crimes como ameaça, estelionato, tráfico e tentativa de homicídio aparecem nas fichas (veja a lista completa abaixo).

Rafael e Robishley, inclusive, já foram presos. Diego não chegou a ficar detido, mas possui registros no seu histórico. Nada consta na ficha de Alencar, o homem que contratou os paulistas para cobrar o pagamento da dívida de RS 255 mil.


Ficha criminal das partes

Antonio Buscariollo (suspeit0)

  • 2018: posse ilegal de arma de fogo

Paulo Ricardo Costa Buscaruillo (suspeito)

  • Nada consta

Diego Henrique Affonso (vítima)

  • 2024: ameaça contra esposa, no âmbito da violência doméstica (Lei Maria da Penha), estelionato;
  • 2023: estelionato, ameaça, redução a condição análoga à de escravo;
  • 2022: ameaça, estelionato;
  • 2021: estelionato, difamação, ameaça, injúria;
  • 2019: apropriação indébita
  • 2018: ameaça.

Rafael Juliano Marascalchi (vítima)

  • 2025: ameaça;
  • 2023: exercício arbitrário das próprias razões;
  • 2022: exercício arbitrário das próprias razões;
  • 2018: ameaça;
  • 2017: ameaça contra a esposa, no âmbito da violência doméstica e familiar;
  • 2014: ameaça;
  • 2008: tráfico de drogas e associação para o tráfico de drogas;
  • 2007: tráfico de drogas;
  • 2005: tentativa de homicídio.

Robishley Hirnani de Oliveira (vítima)

  • 2018: dano, estelionato, ameaça;
  • 2017: estelionato;
  • 2016: ameaça, exercício arbitrário das próprias razões, ameaça contra esposa no âmbito da violência doméstica, lesão culposa no trânsito e fuga do local do acidente, estelionato;
  • 2015: estelionato;
  • 2014: embriaguez ao volante, estelionato, ameaça;
  • 2013: ameaça contra esposa no âmbito da violência doméstica; crime ambiental contra flora;
  • 2003: furto qualificado.

Alencar Gonçalves de Souza Giron (vítima)

  • Nada consta

A Polícia Civil do Paraná reforçou que ainda não há data definida para a conclusão das investigações devido ao grande volume de dados sendo analisados. Inclusive, uma força tarefa foi montada para análise do material. É possível que as apurações ainda durem meses.

Segundo as autoridades, só será possível definir o momento da morte de Alencar, Robishey, Rafael e Diego e a dinâmica dos fatos após a conclusão de diversos laudos periciais.

Paulistas desaparecidos no Paraná

Os corpos de Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi e Diego Henrique Afonso e de Alencar Gonçalves de Souza foram encontrados pela Polícia Civil do Paraná na madrugada do dia 19 de setembro. Eles haviam sido vistos pela última vez em 5 de agosto.

Os corpos foram achados enterrados em uma área de mata, em Icaraíma, no interior paranaense, após policiais encontrarem um local com plantas que não estavam plantadas. “Elas estavam só ali para encobrir os corpos que estavam enterrados”, disse a polícia.


Relembre o caso

  • Robishley, Rafael e Diego, de São José do Rio Preto, foram contratados pelo paranaense Alencar Gonçalves de Souza para cobrar uma dívida em Icaraíma, no interior do Paraná.
  • A dívida seria de R$ 255 mil e era relacionada à venda de uma propriedade.
  • O trio e o contratante foram vistos pela última vez no dia 5 de agosto.
  • As famílias dos paulistas chegaram a oferecer recompensa para quem fornecesse informações sobre o caso.
  • A Polícia Civil pediu a prisão temporária de dois suspeitos, Antônio Buscariollo e Paulo Buscariollo. Eles são pai e filho e seriam os supostos devedores. Os dois estão foragidos.

No último dia 12 de setembro, o carro que o trio paulista usava foi achado enterrado dentro de um bunker, a cerca de 9 quilômetros da propriedade onde o grupo cobraria a dívida.

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Carro de desaparecidos tinha marca de tiros e sangue
Local onde estava bunker com carro escondido
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Local onde estava bunker com carro escondido

Divulgação / Polícia Militar Ambiental
Carro de desaparecidos tinha marca de tiros e sangue
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Carro de desaparecidos tinha marca de tiros e sangue

Divulgação / Polícia Militar Ambiental

 

O esconderijo foi descoberto por policiais ambientais de Umuarama, que faziam buscas na região à procura dos desaparecidos.

O trabalho de remoção do carro, uma picape branca, demorou horas. Veja o momento em que o veículo é retirado do bunker:


Marcas de tiros e vestígios de sangue foram encontrados pelos policiais dentro do carro.

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