Parque Ibirapuera segue fechado após temporal que derrubou estrutura
Na tarde de segunda (8/1), uma estrutura metálica desabou e deixou quatro pessoas feridas; ainda não há previsão de reabertura do parque
atualizado
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São Paulo — O Parque Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, permanecerá fechado nesta terça-feira (9/1) após o temporal que atingiu a cidade na tarde de segunda-feira (8/1) e derrubou a estrutura metálica instalada na marquise, deixando quatro pessoas feridas. Ainda não há previsão de reabertura.
Segundo a concessionária Urbia, responsável pela administração do parque, a energia foi restabelecida por volta das 3h30, cerca de 12 horas após a pancada de chuva que derrubou árvores e deixou ruas e avenidas alagadas. O Corpo de Bombeiros recebeu mais de 200 chamados de queda de árvore na capital.
Durante o temporal, uma estrutura metálica instalada na marquise do parque desabou, deixando quatro pessoas feridas. As vítimas foram socorridas e encaminhadas ao Hospital Albert Einstein, no Morumbi, também na zona sul da capital paulista.
Segundo a Defesa Civil, duas vítimas foram socorridas pela ambulância do parque. Uma delas estava com uma contusão no braço e a outra com suspeita de fratura na costela. Outras duas vítimas foram atendidas pelo Corpo de Bombeiros, com escoriações leves.
O Metrópoles entrou em contato com o Hospital Albert Einstein e aguarda por atualizações sobre o estado dos feridos.
Marquise fechada
A marquise do Ibirapuera está interditada, sob risco de desabamento, desde fevereiro de 2019.
O parque é administrado pela Urbia, empresa privada da Construcap, mas a concessão, assinada durante a gestão do ex-prefeito João Doria, não previa que a gestora fizesse o restauro da marquise.
Com isso, a responsabilidade pela reforma ficou com a própria Prefeitura. A Justiça determinou que as obras sejam realizadas até janeiro de 2025.
Em agosto de 2023, após uma reunião com o Tribunal de Contas do Município (TCM), o secretário do Verde e do Meio Ambiente, Rodrigo Ravena, defendeu que a obra, estimada em R$ 70 milhões, seja feita pela concessionária Urbia, por meio de um aditivo contratual.
“Eles manifestaram interesse em realizar em tempo menor, de 18 para 16 meses. Acredito que eles consigam fazer em menos tempo porque estão gerindo o parque”, alegou o secretário na ocasião. Segundo ele, a empresa abriria mão do equilíbrio econômico-financeiro pelos prejuízos que estariam sendo causados pelo fato de a marquise estar fechada.
A Urbia disse que não participou da reunião com o TCM, mas que acompanha a discussão sobre a reforma da marquise.
A restauração da marquise prevê a recuperação estrutural das faces inferior e superior da laje, bem como de pilares, vigas, piso e sistema de drenagem. O projeto deve seguir critérios definidos pelos órgãos de tombamento (Iphan, Condephaat e Conpresp), já que a estrutura faz parte do patrimônio histórico.
Em nota, o Tribunal de Contas do Município (TCM) informa que a Prefeitura de São Paulo apresentou um edital de licitação para a reforma da marquise do Ibirapuera no final do primeiro semestre de 2023. O valor estimado era de R$71 milhões para 18 meses de obra.
O órgão diz que identificou falhas na licitação que poderiam ocasionar desperdício de dinheiro público durante a fiscalização. Erros de cálculo de andaimes, por exemplo, poderiam gerar gasto desnecessário de R$2,5 milhões. Na previsão de tapumes, o sobrepreço chegaria a R$720 mil se a licitação fosse feita. Já as estruturas de cimbramento tiveram valor calculado em R$3,4 milhões além do necessário. Ao todo, o sobrepreço poderia ultrapassar R$7 milhões.
A prefeitura também não apresentou a autorização do Condephaat, necessária por se tratar de um patrimônio tombado, de acordo com o tribunal.
Havia ainda a preocupação do TCM de sobreposição de ações com a atuação da Urbia, concessionária que administra o parque.
Em mesa técnica realizada em agosto e em ofício enviado em novembro, a prefeitura manifestou a intenção de alterar o contrato com a Urbia para que ela assumisse a reforma.
O TCM segue aguardando os documentos com o embasamento técnico para avaliar a proposta.





















