“Panelas” do Discord: grupo articulava ataques a moradores de rua
Operação da Polícia Civil cumpriu mandados de apreensão de 9 menores em 6 Estados e no DF. Menor na França é suspeito de financiar ataques
atualizado
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A Polícia Civil de São Paulo deflagrou, nesta quinta-feira (3/7), a segunda fase da Operação Nix, que investiga grupos responsáveis por ataques a moradores de rua e animais em situação de abandono, articulados por meio de plataformas digitais.
A investigação começou em novembro do ano passado, com a criação do Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), voltado especialmente para apurar crimes em ambientes virtuais.
A ação tem apoio da Polícia Civil dos estados do Rio Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina, Pará, Pernambuco e do Distrito Federal. No total, são cumpridos 22 mandados de busca e apreensão e outros nove de internação de adolescentes.
Menor na França financia ataques
Entre os investigados há ainda um menor que reside na França. Ele é apontado como um dos principais financiadores dos ataques, aproveitando-se da própria condição financeira para custear ações criminosas organizadas em grupos fechados na plataforma Discord.
A investigação dura cerca de oito meses e deve ter novas fases. Segundo os agentes do Noad, conhecidos como “observadores digitais”, o grupo se reorganiza constantemente em subgrupos – ou “panelas” – dentro da rede social, o que exige acompanhamento contínuo das autoridades.
Para a delegada e coordenadora do núcleo, Lisandréa Salvariego, “a operação Nix corrobora a necessidade de investigações contínuas dada a transnacionalidade do crime tanto em relação aos autores como às vítimas”, disse.
“São ações extremamente absurdas que, muitas das vezes, os pais não têm ideia que ou o filho é o idealizador dessa violência, manipulando as vítimas a realizarem os ataques, ou o filho é a própria vítima”, completou a delegada.
Primeira fase da Operação Nix
Batizada de “Nix” que, na mitologia grega era mãe da deusa Nêmesis, codinome usado nas redes sociais por um dos integrantes dessas comunidades criminosas virtuais, a operação cumpriu, na primeira fase, dez mandados de busca e duas prisões temporárias autorizadas pela Justiça. Além de São Paulo, a ação ocorreu em Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e no Distrito Federal.
Em nota ao Metrópoles, a assessoria do Discord informa que “atividades ilegais e incitação à violência não têm lugar” na plataforma nem na sociedade. “Combater essas redes é um desafio complexo em toda a indústria que exige soluções colaborativas”, diz a nota. “O Discord conta com equipes dedicadas que trabalham arduamente para identificar e remover quaisquer usuários e espaços onde pessoas mal-intencionadas estejam se organizando em torno de ideologias de ódio e para prevenir o uso indevido da nossa plataforma.”
O Discord também informa que “tem denunciado proativamente às autoridades policiais brasileiras grupos e indivíduos envolvidos nesse tipo de conduta, bem como outros comportamentos que representam risco para terceiros”. Segundo a plataforma, esse trabalho ajuda a impedir crimes e leva a prisões. “A segurança é uma prioridade para o Discord e estamos comprometidos em proporcionar um ambiente positivo e seguro para nossos usuários no Brasil.”




