Empresário compra palacete em ruínas e descobre joia arquitetônica. Veja fotos e vídeos
Allan Ruiz descobriu, por acaso, que o projeto de um palacete no centro de SP, adquirido por ele em 2025, era do arquiteto Ramos de Azevedo
atualizado
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O empresário Allan Ruiz, apaixonado por restaurar imóveis em ruínas no centro de São Paulo, descobriu uma joia arquitetônica no último palacete que comprou: o projeto da obra foi criado por Ramos de Azevedo, um pioneiro da construção civil na cidade.
Segundo a Universidade de São Paulo (USP), Francisco de Paula Ramos de Azevedo fez obras e edifícios que marcaram o desenvolvimento da capital paulista e se transformaram em pontos de referência. São dele o prédio que hoje abriga a Pinacoteca do Estado, o Mercado Municipal, o Theatro Municipal, a Faculdade de Medicina da USP, o Palácio das Indústrias e a Casa das Rosas.
Ruiz mapeia prédios ociosos na região central de São Paulo há cerca de sete anos. Ele comprou o palacete amarelo da Rua Roberto Simonsen em outubro de 2025. Ao Metrópoles, contou que nem suspeitava que o projeto do imóvel fosse de Ramos de Azevedo. Descobriu de forma inusitada.
“Eu não suspeitava; essa possibilidade nem passava pela minha cabeça”, brincou. “Um dia, eu estava olhando as inscrições dos tijolos antigos e resolvi pesquisar pelas olarias que os produziram para ver se ainda existiam e se havia algum tipo de registro histórico sobre o imóvel. Acabei chegando à Tijoloteca, que é um trabalho de catalogação de tijolos históricos. Chamei a idealizadora, Angélica, e, no bate-papo, ela contou que já havia feito um trabalho de pesquisa sobre imóveis ligados à medicina de SP e que esse imóvel era um dos estudados. Ela tinha um documento histórico que trazia o registro da contratação do escritório do Ramos de Azevedo”, disse.
Além de ser um “Ramos de Azevedo”, o imóvel fica localizado no Marco Zero de São Paulo, ou seja, na primeira rua da capital paulista.
Veja imagens do palacete:
No local funcionava a Sociedade de Medicina e Cirurgia de São Paulo (atual Academia de Medicina de São Paulo), que teve, em seu quadro de membros, quatro ganhadores do Prêmio Nobel (juntos, somam cinco prêmios): Marie Skłodowska Curie (membro correspondente estrangeiro), laureada com dois prêmios: Nobel de Física (1903) e Nobel de Química (1911); Charles Robert Richet (membro correspondente estrangeiro), laureado com o Nobel de Medicina (1913); Alexander Fleming (membro honorário), laureado com o Nobel de Medicina (1945); e António Caetano de Abreu Freire Egas Moniz (membro honorário), laureado com o Nobel de Medicina (1949).
Segundo o empresário, o imóvel era moderno para a época, tendo uma biblioteca, salas de estudo e um anfiteatro com projetor de imagens, além de estrutura de concreto armado – muito avançada para o período em que foi construído.
Apesar de abandonado há 85 anos, o palacete ainda tem sua documentação histórica em bom estado de conservação: projeto original, com assinatura do Ramos de Azevedo (veja abaixo), memorial descritivo da obra e discussões de licenciamento.
O futuro do palacete
O empresário pretende transformar o imóvel em um espaço cultural.
“Tenho certeza de que a raridade arquitetônica vai valorizá-lo culturalmente. Muita gente tem demonstrado interesse pela história e pelo projeto, e pede para conhecer o local”, contou.

Allan Ruiz brincou que, se algum investidor se animar pelo projeto, ele seria capaz de restaurar todo o Centro Histórico de São Paulo. Ele disse que os achados arquitetônicos da região podem estar escondidos da população, mas não dele. “Conheço alguns [achados arquitetônicos escondidos no centro de SP]. E não apenas do Ramos de Azevedo; há Franz Heep, Niemeyer, entre outros”, falou ao Metrópoles.




















