Ouvidor da PM quer apuração de esquema para fraudar câmeras: “Grave”

Como revelado pelo Metrópoles, registros indicam que major teria deletado vídeo de ocorrência com morte. Mauro Caseri defende investigação

atualizado

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Agência Brasil
Câmera corporal; câmeras corporais
1 de 1 Câmera corporal; câmeras corporais - Foto: Agência Brasil

O ouvidor das polícias de São Paulo, Mauro Caseri, cobra a instauração de uma investigação para apurar o possível esquema de manipulação do sistema das câmeras corporais da Axon para fraudar provas e apagar vídeos de ocorrências.

Conforme revelado pelo Metrópoles, registros extraídos da plataforma Evidence, usada para processar e armazenar as gravações, indicam que uma major ligada à cúpula da Polícia Militar teria feito uma série de adulterações e na sequência deletado o vídeo de uma ocorrência que resultou na morte de um suspeito na Operação Verão, em março de 2024.

“A partir dessa denúncia, é preciso abrir um procedimento para investigar. A gente vai fazer pressão para isso e para que se rastreie todo o sistema, desde quando as câmeras surgiram, para identificar outras inserções de dados feitas pela oficial, se foi ela quem fez ou qualquer outra pessoa”, afirma Mauro Caseri.

“A gente precisa saber quantas vezes isso aconteceu. E depois responsabilizar todos aqueles que fizeram”, acrescenta o ouvidor.

O caso citado pela reportagem envolve a morte de Joselito dos Santos Vieira, de 47 anos, morto com 12 tiros no Morro do José Menino, em Santos, em 9 de março de 2024.

A gravação deletada foi feita pela câmera acoplada à farda de Thiago da Costa Rodrigues, que não efetuou disparos na ocorrência, mas estava na mesma viatura dos PMs que atiraram e respondem pelo homicídio. A major que teria apagado o arquivo é Adriana Leandro de Araújo.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), uma denúncia sobre a gravação da ocorrência citada é apurada em uma sindicância da PM.

Para Caseri, para além da punição à oficial, é necessário entender o funcionamento do sistema das câmeras e fazer os ajustes necessários. Conforme detalhado pela reportagem, um usuário com acesso à plataforma Evidence pode simplesmente alterar sua permissão, colocando-se como administrador. Com isso, fica habilitado a deletar vídeos, por exemplo.

“O erro está em oferecer a possibilidade de atribuir a outro policial uma ocorrência. Quando eu atribuo, eu renovo a possibilidade de apagar. Então nós precisaremos fazer um ajuste no sistema. Porque quem criou o sistema não se preocupou com essa possibilidade. Agora nós precisamos criar no sistema uma barreira para isso”, diz Caseri.

Sistema fraudável

O ex-PM Bruno Dias, especialista em provas digitais e um dos responsáveis por implementar o sistema de câmeras, afirma que, desde quando os aparelhos da Axon começaram a ser utilizados, policiais militares adotaram métodos para fraudar os vídeos, com o objetivo de apagar evidências contra si próprios.

Segundo ele, o sistema tem “inúmeras vulnerabilidades” e é “totalmente passível de fraude”.

“A principal forma de pesquisa para encontrar um vídeo é justamente pela data e pela hora”, afirma Bruno Dias. “Mas, como o sistema permite alterar, você não consegue mais localizar esse vídeo. O sistema tem hoje em média 20 milhões de vídeos. Como você vai localizar? Você precisa dos metadados. Mas os metadados são totalmente adulteráveis dentro do sistema. Você fica totalmente ali sem entender como achar.”

“O sistema tem inúmeras vulnerabilidades. É totalmente passível de fraude. Existe uma permissão chamada ‘alterar a permissão’. Um policial pode alterar a própria permissão, se colocar como administrador do sistema e fazer o que ele quiser no sistema. Em torno de seis policiais por batalhão poderiam fazer isso”, afirma Dias.

O que diz a SSP

Questionada pelo Metrópoles, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) disse que a denúncia citada pela reportagem é alvo de uma sindicância instaurada pela Polícia Militar para “apurar com o máximo rigor todas as circunstâncias relativas aos fatos”.

“A instituição reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e, acima de tudo, com a defesa da vida. Condutas incompatíveis com os princípios da instituição não serão toleradas. Caso seja confirmada qualquer irregularidade, as medidas cabíveis serão adotadas para garantir a responsabilização dos envolvidos”, diz nota enviada pela SSP.

A reportagem também enviou uma mensagem para a major Adriana Leandro de Araújo. Até o momento da publicação, não houve retorno. O Metrópoles não conseguiu estabelecer contato direto com o coronel Gentil Epaminondas Carvalho. Procurada, a empresa Axon também não respondeu. O espaço segue aberto para manifestações.

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