Os sinais de distanciamento entre Tarcísio e Derrite
Governador defende candidatura de Derrite ao Senado, mas aliados enxergam sinais de desgaste entre ambos
atualizado
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A relação do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) com o deputado federal Guilherme Derrite (PP) anda estremecida, segundo aliados mais próximos e de diferentes partidos do chefe do Palácio dos Bandeirantes.
A interlocutores, Tarcísio chegou a manifestar recentemente pouca confiança no sucesso eleitoral de seu ex-secretário de Segurança Pública como candidato ao Senado a partir da avaliação de que Derrite pode ter “perdido tração” nas pesquisas.
Ainda segundo pessoas próximas, Tarcísio já vinha acumulando insatisfação com as polêmicas geradas por Derrite ao longo da gestão da segurança em São Paulo, devido ao estilo verborrágico e tido como radical por uma ala ligada ao governador. Publicamente, ambos sempre negaram qualquer desavença.
Pré-candidato, Derrite não aguardou o fim do prazo para deixar o cargo de secretário previsto pela lei eleitoral e saiu do governo ainda no início de dezembro do ano passado, quando retomou o mandato como deputado federal e foi designado relator do PL Antifacção. O desempenho na função foi marcado por algumas “trapalhadas” e sucessivas alterações no texto, o que gerou desgaste para a direita e, consequentemente, para Tarcísio, espécie de fiador de Derrite para a missão.
Além disso, no final do ano passado, o PP, partido de Derrite, fez cobranças públicas a Tarcísio motivadas por reclamações de prefeitos da legenda sobre demandas não atendidas pelo governo. O partido chegou a ameaçar romper com o governador e lançar candidato próprio ao Palácio dos Bandeirantes.
Antes de Tarcísio confirmar sua permanência em São Paulo para a disputa à reeleição, Derrite era colocado pelo PP como uma opção de nome para a sucessão no estado. Ao ameaçar romper com Tarcísio, aliados do governador entenderem que o PP estaria colocando Derrite no páreo.
De acordo com o entorno de Tarcísio, o ex-secretário tem bastante influência junto aos dirigentes do PP em São Paulo e poderia ter evitado a briga pública, defendendo o alinhamento da legenda ao governador, o que não ocorreu.
Mudanças na SSP
No início de fevereiro, dois meses após a saída de Derrite da Secretaria da Segurança Pública, Tarcísio fez diversas trocas em postos de chefia da Polícia Militar. Entre os cargos, estão os de corregedor-geral e o de chefia do Setor de Inteligência, além de três comandantes do alto escalão da corporação.
As mudanças ocorreram com a chegada de Henguel Ricardo Pereira ao posto de secretário-executivo. Ex-chefe da Defesa Civil estadual, Pereira é tido como um desafeto de Derrite dentro do governo.
Coronéis da PM e autoridades da SPP ouvidos pela reportagem associaram as trocas a uma tentativa do governador de se desvincular do ex-secretário, já que os nomes substituídos eram conhecidamente associados a Derrite.
Além disso, o substituto do deputado no comando da secretaria foi o delegado Osvaldo Nico, então número 2 da pasta. A escolha de um quadro da Polícia Civil, e não da PM, como Derrite, também foi interpretada como um sinal de que Tarcísio quis alterar o estilo de comando da pasta.
Lideranças da oposição associam as trocas a um sinal de que Tarcísio não pretendeu defender o “legado” de Derrite na SSP e que, portanto, sua gestão não teria sido aprovada.
