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São Paulo

Operação do PCC tinha 40 caminhões para distribuir cocaína na Espanha

Concierge do PCC controlava de São Paulo o embarque da droga no Paraná e o transbordo e a distribuição das cargas na Europa

19/03/2025 02:00, atualizado 19/03/2025 06:03
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Gui Primola/Arte/Metrópoles
Arte gráfica com homem branco, careca, sem barba e camiseta branca, a esquerda, e navio cheio de contêineres em alto mar, a direita - Metrópoles

São Paulo — Antes de ser preso e transferido para o mesmo presídio de segurança máxima no qual Marcola, líder do PCC, cumpre pena, em Brasília (DF), Willian Barile Agati, o Senna, coordenava de São Paulo o envio de cargas milionárias de cocaína, via Porto de Paranaguá, no Paraná, até o Porto de Valência, na Espanha.

No país europeu, conforme relatório da Polícia Federal (PF), uma frota de 40 caminhões estava à disposição do Primeiro Comando da Capital (PCC) para escoar as cargas ilícitas e vendê-las, com valores até 10 vezes superiores aos praticados em território brasileiro.

A investigação da PF, obtida pelo Metrópoles, mostra que Senna — um concierge do crime organizado — garantia 25% do lucro da carga, como uma espécie de pagamento de taxa, para seu parceiro de negócio em terras espanholas. A negociata foi constatada em mensagens trocadas em abril de 2020 entre os criminosos.

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Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime”, tem ligações com o pastor Valdemiro
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À esq. Marcola, apontado como líder do PCC, e à dir. Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime do PCC”
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Polícia Federal afirma que transação com Cruzeiro era para lavagem de dinheiro
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Polícia Federal afirma que transação com Cruzeiro era para lavagem de dinheiro

Reprodução
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Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime”, tem ligações com o pastor Valdemiro
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Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime”, tem ligações com o pastor Valdemiro

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À esq. Marcola, apontado como líder do PCC, e à dir. Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime do PCC”
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À esq. Marcola, apontado como líder do PCC, e à dir. Willian Barile Agati, conhecido como o “concierge do crime do PCC”

Reprodução/Arte Metrópoles
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Gui Primola/Arte/Metrópoles

Cerâmica, privada e madeira

O parceiro na Europa era o dono de uma firma encarregada de movimentar contêineres de uma empresa, famosa também por cruzeiros marítimos, a qual porém desconhecia a “contaminação” das cargas lícitas — principalmente de cerâmica, madeira ou, ainda, vasos sanitários.

Em maio do mesmo ano, o concierge enviou mensagem para um destinatário, identificado somente como Teflon, para o qual fala sobre uma “oportunidade de trabalho” envolvendo o uso de contêineres. Para tranquilizar o interlocutor, Senna disse, na ocasião, que o Porto de Valência era controlado por ele e seu sócio estrangeiro, “afirmando com segurança que pode colocar o que quiser no contêiner”.

A garantia de sucesso, tanto do carregamento, como do transbordo, ocorria mediante a colaboração de funcionários corrompidos, no Brasil e na Espanha.

Rip-on/rip-off

O método usado pelo PCC para embarcar as cargas de cocaína é conhecido como rip-on/rip-off, o qual consiste em transportar drogas em meio a cargas lícitas, sem que os proprietários saibam.

A estratégia foi constatada em 4 de dezembro de 2020, quando 322 quilos de cocaína foram apreendidos no meio de uma carga de cerâmica. O flagrante foi noticiado e, na manhã do mesmo dia, Senna informou sobre o prejuízo ao seu parceiro Leonardo Ordozes Toro, o Panda.

Panda conta com nacionalidade colombiana e espanhola. Segundo PF, ele se valia da dupla cidadania para negociar as cargas de cocaína em sua origem, na região do Valle del Cauca, na Colômbia, até recepcioná-las em seu destino, em Valência.

Para receptar e distribuir a cocaína na Espanha, Panda contava com o apoio de um criminoso identificado somente como Barby, responsável pela transportadora dos contêineres para a empresa que levava as cargas até a Europa.

Ambos tiveram outro grande prejuízo, cinco dias depois, com a apreensão de mais 230 quilos de cocaína, embarcada em um contêiner com madeira.

A quantidade das duas cargas de drogas apreendidas, caso chegassem a terras espanholas, poderia render ao menos R$ 55 milhões aos traficantes, em uma estimativa conservadora.

O volume das duas apreensões, feitas em um curto espaço de tempo, como destacado pela PF, mostra o uso constante do porto paranaense pelo PCC, para escoar cocaína para a Espanha.

O Porto de Paranaguá é o maior exportador de produtos agrícolas do Brasil, o maior graneleiro da América Latina e o terceiro maior porto de contêineres do país, disputado por traficantes internacionais, como destacado pela investigação.

Prisão

O “concierge” se apresentou à Polícia Civil de São Paulo em janeiro e acabou preso pela PF. Ele passou pelos CDPs 3 e 4 de Pinheiros, na capital, e pelas Penitenciárias de Tupi Paulista e 1 de Presidente Venceslau, no interior do estado.

Em 7 de março, ele foi transferido para o presídio de Brasília — onde o chefão do PCC, Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, está desde janeiro de 2023.

Agati foi indiciado pela PF, em dezembro do ano passado, pelos crimes de organização criminosa, tráfico de drogas e obstrução de Justiça. Em 10 de março, o Ministério Público Federal (MPF) ofereceu a primeira denúncia contra ele.

Willian Barile Agati é apontado como a pessoa que fazia a ligação entre a cúpula do PCC e criminosos no exterior, entre eles, integrante da máfia italiana.

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