Mulher que fingiu sequestro para extorquir R$ 3.500 da mãe é condenada
Jéssica Fernanda Pereira ficou na casa do seu amigo enquanto fingia estar sequestrada e pediu dinheiro para pagar dívidas com um agiota

São Paulo — A 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou Jéssica Fernanda Pereira de Aguiar Campos, de 31 anos, que fingiu estar sendo sequestrada para extorquir dinheiro da própria mãe, Maria Hedileide Pereira, a quatro anos de reclusão, inicialmente em regime aberto. A pena então será cumprida por meio de prestação de serviços à comunidade pelo período de quatro anos e pagamento de um salário-mínimo em favor de entidade assistencial.
A princípio, Jéssica havia sido absolvida em primeira instância, com base no artigo 181, inciso II, do Código Penal, que concede imunidade penal para crimes patrimoniais sem violência ou grave ameaça praticados contra pai ou mãe. Porém, o Ministério Público de São Paulo (MP-SP) recorreu pedindo a condenação por extorsão, o que foi atendido pelo TJSP.
O tribunal entendeu que a simulação de sequestro contra familiares configura extorsão e não estelionato, pois a mãe não entregou o dinheiro enganada por “erro simples”, mas sim coagida pelo temor e terror psicológico de ver a filha morta. Por unanimidade, o colegiado entendeu que, embora o sequestro fosse fictício, a vítima entregou o dinheiro por medo de que a filha fosse morta, o que caracteriza grave ameaça.
Entenda o caso
Jéssica Fernanda Pereira de Aguiar Campos simulou o próprio sequestro para extorquir a própria mãe e conseguir dinheiro para pagar dívidas com agiotas acumuladas por causa do vício em jogos online. O caso ocorreu em Piracicaba, interior de São Paulo, entre janeiro e fevereiro de 2026.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SPJéssica combinou com a filha de 7 anos para que a criança dissesse à avó que a mãe tinha sido levada por um homem em um carro preto. Em depoimento, Jéssica admitiu que usou a criança porque sabia que os familiares acreditariam no relato dela.

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Ver todasA mulher então saiu de casa e passou a enviar mensagens de WhatsApp para a mãe, afirmando estar mantida em cativeiro fora da cidade por dois homens armados. Para pressionar os pais, Jéssica alegou estar sofrendo ameaças de morte, ser mal alimentada, receber remédios para dormir e até simulou que pularia de uma ponte.
Enquanto alegava estar sob poder de criminosos, Jéssica esteve hospedada por vontade própria na casa do amigo Deivid. Inicialmente, a mulher exigiu R$ 5.000,00 de resgate. Ao perceber a dificuldade da família, reduziu a exigência para R$ 3.500,00, fixando o meio-dia de segunda-feira como prazo limite antes que fosse morta.
A mãe então realizou a transferência de R$ 3.500,00 via Pix. O dinheiro foi repassado para a conta de Larissa Dorta, que reteve R$ 100 pelo uso da conta e devolveu R$ 3.400,00 para Jéssica em outra conta. Após confirmar o dinheiro, Jéssica avisou que fora “libertada” e caminhou tranquila rumo a sua casa no bairro Pauliceia.
Policiais civis que monitoravam o local a abordaram na porta de casa. Na delegacia, Jéssica apresentou versões confusas até confessar a farsa. Devido aos limites de transação bancária, Jéssica devolveu R$ 1.000,00 à mãe no mesmo dia
