MPSP denuncia mulher que contratou gêmeas do crime para matar o pai

Mulher tinha desavenças com o pai e contratou gêmeas para matá-lo com feijoada envenenada. Caso aconteceu em abril no Rio de Janeiro

atualizado

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Filha contra mulher para matar pai envenenado
1 de 1 Filha contra mulher para matar pai envenenado - Foto: Reprodução / Redes sociais

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) denunciou a mulher que contratou as gêmeas do crime, acusadas de causar envenenamentos letais em série, para matar o próprio pai.

Michele Paiva da Silva, de 42 anos, financiou a viagem de Ana Paula Veloso de Guarulhos ao Rio de Janeiro para executar o crime. Por isso, Michele foi denunciada por homicídio agravado com três qualificadoras, e pode pegar até 40 anos de prisão.

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Ana matou Neil por encomenda, no Rio de Janeiro
Roberta Veloso, irmã da serial killer de Guarulhos Ana Paula Veloso, também foi indiciada por 4 mortes
Na casa dela foi encontrado veneno
Ana Paula Veloso é acusada de envenenar quatro pessoas em SP e RJ
Ana Paula Veloso Fernandes, apontada pela polícia como a serial killer de Guarulhos
As vítimas da serial killer Ana Paula Veloso
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As vítimas da serial killer Ana Paula Veloso

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Ana matou Neil por encomenda, no Rio de Janeiro
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Ana matou Neil por encomenda, no Rio de Janeiro

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Roberta Veloso, irmã da serial killer de Guarulhos Ana Paula Veloso, também foi indiciada por 4 mortes
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Roberta Veloso, irmã da serial killer de Guarulhos Ana Paula Veloso, também foi indiciada por 4 mortes

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Na casa dela foi encontrado veneno
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Na casa dela foi encontrado veneno

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Ana Paula Veloso é acusada de envenenar quatro pessoas em SP e RJ
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Ana Paula Veloso é acusada de envenenar quatro pessoas em SP e RJ

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Ana Paula Veloso Fernandes, apontada pela polícia como a serial killer de Guarulhos
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Ana Paula Veloso Fernandes, apontada pela polícia como a serial killer de Guarulhos

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Ana Paula Veloso Fernandes, apontada pela polícia como a serial killer de Guarulhos
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Ana Paula Veloso Fernandes, apontada pela polícia como a serial killer de Guarulhos

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Ela usava “TCC” como código para planejar homicídios
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Ela usava “TCC” como código para planejar homicídios

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Acusada está envolvida em ao menos quatro mortes por envenenamento
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Acusada está envolvida em ao menos quatro mortes por envenenamento

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Ana Paula confessou ter matado colega de moradia à polícia
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Ana Paula confessou ter matado colega de moradia à polícia

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Ana Paula Veloso, apontada pela polícia com a serial killer de Guarulhos
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Ana Paula Veloso, apontada pela polícia com a serial killer de Guarulhos

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Ana Paula Veloso, apontada pela polícia com a serial killer de Guarulhos
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Ana Paula Veloso, apontada pela polícia com a serial killer de Guarulhos

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Ana Paula Veloso, apontada pela polícia com a serial killer de Guarulhos
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Ana Paula Veloso, apontada pela polícia com a serial killer de Guarulhos

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Feijoada envenenada matou Neil, pai da contratante do crime
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Feijoada envenenada matou Neil, pai da contratante do crime

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Serial killer de Guarulhos relatou com frieza a morte de uma das vítimas
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Serial killer de Guarulhos relatou com frieza a morte de uma das vítimas

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Investigação aponta que Ana testou veneno em cachorros antes dos crimes
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Investigação aponta que Ana testou veneno em cachorros antes dos crimes

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Irmãs Ana Paula e Roberta Veloso são apontadas como cúmplices
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Irmãs Ana Paula e Roberta Veloso são apontadas como cúmplices

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Criminosa está presa desde setembro
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Criminosa está presa desde setembro

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Uma da vítimas foi morta após encontro via app
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Uma da vítimas foi morta após encontro via app

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Feijoada envenenada

De acordo com o MPSP, Michele encomendou a morte do próprio pai, o aposentado Neil Corrêa da Silva, de 65 anos, por ter desavenças com ele. Ela, que é estudante de direito, contratou a colega de faculdade Ana Paula Veloso para cometer o crime.

A investigação do caso mostrou que Ana Paula e a irmã gêmea, Roberta Cristina Veloso Fernandes, possuíam uma dívida com Michele, que seria perdoada após a morte de Neil.

Em abril deste ano o crime foi consumado. Neil faleceu em Duque de Caixas, no Rio de Janeiro, após aceitar uma feijoada feita por Ana Paula. A suspeita é que a mulher tenha usado chumbinho ou terbufós, um agrotóxico um pouco mais leve que o chumbinho.

O delegado responsável pela investigação afirmou que a acusada utilizou seus conhecimentos na área da saúde para calcular a dosagem e o tempo de efeito da substância.

Michele e Ana Paula foram presas em 7 de outubro na Baixada Fluminense. A filha de Neil  foi capturada na porta da faculdade, no Engenho Novo, na zona norte do Rio. Roberta foi presa pouco depois.

O MPSP denunciou Michele por homicídio com as qualificadoras de motivo torpe, meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima, além do agravante da vítima ter mais de 60 anos.

Além disso, a promotoria solicitou à Justiça que a prisão temporária da acusada seja convertida em preventiva.


Homicídios atribuídos às gêmeas do crime

Ana Paula e Roberta teriam causado ao menos quatro mortes – em São Paulo, Guarulhos e no Rio de Janeiro – o que rendeu às duas a alcunha de “serial killer”. Todas as mortes foram resultado de envenenamento. Entenda o contexto dos crimes:

  • Marcelo Hari Fonseca, morto em 31 de janeiro, havia alugado parte da casa para Ana Paula e Roberta no início de janeiro e foi encontrado morto em estado avançado de putrefação. Ana Paula foi quem acionou a Polícia Militar. Roberta confessou ter queimado o sofá, alegando que ele “estava fedendo muito em razão do estado que Marcelo foi encontrado”. Ana Paula confessou o assassinato, afirmando que o fez após desentendimentos e ameaças. Ela negou ter tido um relacionamento amoroso com Marcelo, admitindo que falou de namoro apenas para tentar permanecer no imóvel após a morte.
  • Maria Aparecida Rodrigues, morta em abril, era amiga de Ana Paula e esteve na residência das gêmeas, onde comeu um bolo com café. Horas depois, foi encontrada morta. Ana Paula admitiu que foi a última pessoa a ter contato alimentar com Maria. O crime foi uma tentativa de incriminação do policial militar Diego Sakaguchi (ex-amante de Ana Paula). A investigada inseriu bilhetes na casa da vítima com as frases “Diego Ferreira polícia não presta” e “Giuliana Fonseca Santana”.
  • Neil Corrêa da Silva, morto em 26 de abril, o idoso, de 64 anos, foi vítima de homicídio por encomenda, com a filha Michelle como suposta mandante. Ana Paula viajou ao Rio de Janeiro para o assassinato.
    Em áudio enviado para a irmã, Ana Paula relata a execução. Ela confessou o homicídio de Neil, em depoimento. Michele foi presa no último dia 7. A defesa dela não foi encontrada, assim como das irmãs gêmeas. O espaço segue aberto para manifestações.
  • Hayder Mhazres, morto em 23 de maio. Cidadão tunisiano de 21 anos, ele era um contato de Ana Paula via aplicativo de relacionamento. O irmão de Hayder, Hazem Mhazres, relatou que Ana Paula estaria perseguindo a vítima alegando estar grávida para forçar o casamento.
    Após a morte, Ana Paula contatou o Consulado da Tunísia, mentindo que morava com ele e queria se casar post mortem para garantir os direitos como viúva grávida.

Gêmeas planejavam assassinatos por encomenda

A investigação movida pela Polícia Civil em parceria com o MPSP mostrou que Ana Paula e Roberta planejavam trabalhar com homicídios por encomenda, sob o valor mínimo de R$ 4 mil por morte.

As conversas por mensagens entre Ana Paula e Roberta Cristina revelaram planejamento prévio, divisão de tarefas e discussões explícitas sobre pagamento. Para se referirem aos homicídios, elas empregavam um “código”: chamavam a execução da morte de TCC (Trabalho de Conclusão de Curso).

Roberta tinha função “de apoio logístico e financeiro”, e orientou a irmã a “cobrar” por futuros TCCs. Foi ela quem fixou R$ 4 mil como “valor mínimo” por execução.

Além disso, Roberta recomendou o uso exclusivo de dinheiro em espécie para a aquisição de “taxas e insumos”, estratégia destinada a dissimular rastros financeiros. A preocupação com a segurança das comunicações também era latente, com Roberta advertindo que, “[para] coisas mais importantes, melhor [falar] por ligação [telefônica]”.

“Verdadeira serial killer”

Diante da robustez das provas e da gravidade dos fatos, o Ministério Público de São Paulo classificou Ana Paula como uma “verdadeira serial killer”, e a prisão temporária dela foi convertida em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.

Em depoimento, ela confessou ter matado Neil envenenado, e deu detalhes sobre a morte da vítima. Veja um trecho:

Roberta Cristina, por sua vez, também foi detida temporariamente, e novo inquérito policial foi instaurado especificamente para aprofundar a investigação sobre a conduta dela e individualizar as responsabilidades no esquema criminoso.

O que diz a defesa das gêmeas

O advogado Almir da Silva Sobral, que defende as irmãs, diz, em nota, que qualquer afirmação prematura sobre a participação das duas nos crimes é uma violação direta do princípio da presunção de não culpabilidade.

“Nesta fase, em que as provas ainda estão sendo formadas e examinadas, não é possível afirmar ou negar categoricamente qualquer tese defensiva”, afirmou.  “Acreditamos que, ao final da apuração, a verdade real virá à tona”, acrescenta a nota.

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