MPSP denuncia ONG por suspeita de atuar como braço do PCC

ONG Pacto Social Carcerário é acusada de simular violência carcerária para promover manifestações orquestradas pelo PCC

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Reprodução – Facebook
Luciene Neves Ferreira, presidente da ONG Pacto Social & Carcerário, e o vide-presidente Geraldo Salles, conhecido como Geraldo “das Liberdades”.
1 de 1 Luciene Neves Ferreira, presidente da ONG Pacto Social & Carcerário, e o vide-presidente Geraldo Salles, conhecido como Geraldo “das Liberdades”. - Foto: Reprodução – Facebook

São Paulo — O Ministério Público do estado apresentou, nessa segunda-feira (27/1), denúncia contra 12 pessoas ligadas à ONG Pacto Social Carcerário acusadas de integrar o Primeiro Comando da Capital (PCC). A entidade, de acordo com a Promotoria, era usada para simular violações de direitos no sistema carcerário e promover manifestações ordenadas pela cúpula da facção.

O grupo foi alvo da Operação Scream Fake, deflagrada em 14 de janeiro pela Polícia Civil de Presidente Venceslau em parceria com o Gaeco, grupo do MPSP especializado em combate ao crime organizado.

Entre os denunciados, estão os presidentes da ONG, Luciene Neves Ferreira e Geraldo Sales da Costa, além de advogados ligados à organização, supostos integrantes do PCC que já estavam presos.

“Luciene e Geraldo utilizam a ONG para a realização de manifestações com o intuito de propagar falsas arbitrariedades e violações de direitos que seriam praticadas em unidades prisionais em que estão custodiados presos integrantes do PCC. Ao valer-se da ONG, procuram conferir legitimidade a tais manifestações perante a opinião pública. Na verdade, são os executores do ‘plano ONG’ traçado pela cúpula da organização criminosa”, diz o promotor Lincoln Gakiya em um trecho da denúncia.

De acordo com a Promotoria, a própria criação da ONG foi obra do PCC, conforme informações obtidas na Operação Ethos, em 2016.

“Ao promover a constituição formal da ONG segundo os ditames da lei civil, os denunciados procuraram conferir aparência legítima à sua atuação. Trata-se de mera dissimulação, pois na verdade ela está diretamente vinculada à cúpula da facção, operando no setor das reivindicações”, afirma o promotor.

Na denúncia, ele destacou o fato de que a ONG PSC não possuía mecanismos de arrecadação de recursos públicos ou privados, conforme constatou a quebra de sigilo bancário realizada durante as investigações. A estrutura, diz Gakiya, indicaria a ligação com o crime organizado.

“[A ONG] não realiza captação de recursos públicos ou privados, nem parcerias e convênios com órgãos públicos. Não possui nenhum bem registrado em seu nome, sequer um veículo. Não possuiu um único empregado desde a sua fundação.”

Setor de Saúde

Uma das frentes de atuação da ONG Pacto Social Carcerário era a contratação de profissionais de saúde para realizar procedimentos médicos e estéticos em algumas das principais lideranças do PCC. Segundo as investigações, não há indícios de que eles tenham cometido crimes, apesar dos serviços prestados à facção. Os procedimentos incluem desde tratamentos especializados até cirurgias plásticas.

Os profissionais eram contratado pelo Setor dos Gravatas, composto por advogados ligados ao PCC.

Um dos profissionais investigados foi interrogado e contou que os valores eram considerados altos e transferidos de forma ilícita por meio de transferências de terceiros, mas nunca da advogada que lhe contratou, conhecida por Dra. Iria Rubslaine.

“[…] Afirma que na PII de Presidente Venceslau acabava realizando alguns procedimentos complexos, como reabilitação protética, chegando a cobrar valores entre R$ 10.000,00 e R$ 12.000,00 e, de igual modo, esses pagamentos, às vezes parcelados, eram creditados na conta da declarante junto a Caixa Econômica Federal por transferências de terceiros e nunca em nome da Dra. Iria Rubslaine.”

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comSão Paulo

Você quer ficar por dentro das notícias de São Paulo e receber notificações em tempo real?