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MPSP apura denúncias de racismo e bullying em colégio particular de SP

Mãe de aluna denunciou o colégio ao MPSP após professor negro com assistente judeu receber símbolo nazista em sala de aula

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Colégio Santa Cruz/Divulgação
Imagem colorida mostra a fachada do Colégio Santa Cruz, escola em que ocorreu caso de bullying - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra a fachada do Colégio Santa Cruz, escola em que ocorreu caso de bullying - Metrópoles - Foto: Colégio Santa Cruz/Divulgação

O Ministério Público paulista (MPSP) informou que instaurou apuração de notícia de fato no Grupo Especial de Combate aos Crimes Raciais e de Intolerância (Gecradi) após denúncias de racismo e bullying no colégio particular Santa Cruz, localizado em Alto de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo.

A apuração iniciou a partir de denúncia feita pela mãe de uma estudante, que se indignou ao saber do episódio, ocorrido no início de outubro, em que um aluno entregou um trabalho com o desenho de uma suástica a um professor negro, cujo assistente é judeu. A mulher prefere não se identificar por medo de retaliações dirigidas à filha.

Imediatamente após o episódio, o docente desabou emocionalmente, começou a chorar e saiu da sala. De acordo com a mulher, o professor não teria conseguido retornar à sala de aula desde então.

Ela afirmou à reportagem que esta não foi a primeira vez que símbolos nazistas circularam pela escola. Na semana anterior à entrega do trabalho ao professor, um grupo de alunos teria pichado a sala do grêmio da instituição com diversas suásticas.

O espaço, segundo a mulher, é frequentado especialmente por minorias, como estudantes negros, homossexuais e judeus. “É lá que eles ficam escondidos, guardadinhos durante o recreio, porque se eles forem ficar no pátio com todo mundo, eles vão sofrer bullying”, afirmou.

Histórico de violência e negligência, diz mãe

A mãe da estudante disse ainda que o colégio Santa Cruz, um dos mais tradicionais de São Paulo e cuja mensalidade ultrapassa os 6 mil reais, tem um histórico de violência. A instituição ainda seria negligente com as denúncias feitas por estudante e seus responsáveis.

Em janeiro, a escola suspendeu 34 alunos após casos de bullying no WhatsApp. Mais tarde, quatro desses estudantes foram expulsos. Segundo a mulher, isso não resolveu o problema.

“Todo mundo sabe que existe essa situação. E se houve esse episódio em janeiro, esses alunos, que são minoria, que são os que foram atacados, têm que passar o recreio enfiado numa salinha para não sofrer bullying, é porque ninguém está fazendo nada. Ninguém fez nada. Que trabalho pedagógico é esse?”, questionou.

Escola diz investigar caso de antissemitismo

O Colégio Santa Cruz foi procurado para comentar a apuração feita pelo MPSP, mas não respondeu até a publicação desta reportagem. Anteriormente, após o episódio em que um professor negro recebeu uma suástica, a instituição afirmou investigar o caso.

Em nota enviada ao Metrópoles no início de outubro, o colégio declarou “profunda indignação com os atos de antissemitismo e racismo praticados por alguns alunos” e afirmou que as práticas ferem os valores da instituição.

“Expressamos nossa profunda indignação com os atos de antissemitismo e racismo praticados por alguns alunos. Tais atos ferem os valores do Colégio, que repudia qualquer forma de preconceito e desrespeito ao próximo. Nossos valores são trabalhados incansavelmente pelos educadores com os estudantes”, comunicou a escola.

Segundo a diretoria do colégio, os alunos envolvidos já foram identificados e as famílias responsáveis irão comparecer em reuniões para a definição de medidas educacionais cabíveis. Alunos do ensino médio da escola organizaram manifestações de repúdio ao episódio, que é investigado pela escola.

Procurada pela reportagem, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que, até a publicação desta matéria, não foi encontrado nenhum registro policial da ocorrência.

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