MP de Contas pede apuração sobre indícios de desvio do Fundeb em SP
Ministério Público de Contas suspeita que gestão estaria inflando gasto com Ensino Integral para aumentar repasse do Fundeb
atualizado
Compartilhar notícia

O Ministério Público de Contas (MPC) de São Paulo pediu à presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) a apuração de um possível desvio de recursos do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação) pela gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos).
A gestão teria feito uma manobra orçamentária para aumentar o recebimento do repasse federal, enquanto os recursos da educação seriam usados para financiar o programa de vigilância privada nas escolas.
O MPC aponta que, entre 2023 e 2024, o governo aumentou de R$ 950 milhões para R$ 6 bilhões os gastos com Educação Integral, apesar de o programa ter reduzido o número de matrículas. A diferença, de cerca de R$ 5,5 bilhões, foi usada para o pagamento de “vencimentos e vantagens fixas” de servidores, sem a especificação se esses profissionais estão, de fato, vinculados ao ensino em tempo integral.
Para a procuradora Élida Graziane Pinto, autora do documento, é necessário investigar se esse aumento “desproporcional” de mais de 600% seria uma forma de a gestão concentrar os repasses do Fundeb, reduzindo o montante que é destinado aos municípios.
A distribuição do recurso federal deve ser feita com base no número de matrículas na educação básica e tem como objetivo valorizar a remuneração dos docentes.
Recurso do Ensino Integral cresceu 633% enquanto matrículas caíram
- 2023: R$ 956 milhões em recurso com 965.537 alunos matriculados
- 2024: R$ 6.057 bilhões em recurso com 949.557 alunos matriculados
Queda no número de alunos no ensino integral
Apesar do aumento no investimento, o Ensino Integral estadual enfrenta dificuldade de expansão. O Metrópoles já noticiou que, em 2022, quase 90 mil alunos pediram para deixar o modelo de ensino sob a justificativa de que o regime atrapalhava outras atividades remuneradas.
Um relatório de auditoria das contas de 2024 da Secretaria de Estado de Educação mostrou que somente 30% das escolas do estado ofertavam ensino integral, o que descumpria a meta do Plano Nacional de Educação de 50%. Diante desse cenário, o MPC quer que a gestão Tarcísio explique “quais as medidas de ajustes estão sendo implementadas” para o aumento no número de matrículas.
Uso de verba da educação para financiar programa de vigilância
Além de questionar possível “falseamento” de valores, o MPC aponta para um uso irregular de verba da educação pelo “Agente de Segurança Não Armada”.
O programa que prevê a contratação de vigias não armados para fazer a vigilância de escolas estaduais recebeu cerca de R$ 10 milhões na Secretaria da Educação em 2024, destinados a empresas privadas de segurança. No ofício, o MPC afirma que tal finalidade é “alheia ao regime jurídico de manutenção e desenvolvimento do ensino”.
Procurada, a pasta de Educação informou que não foi notificada e que vai aguardar a “análise do Tribunal de Contas do Estado” para se posicionar.
