Morador de rua fuzilado: Justiça mantém preso PM que tapou bodycam

Danilo Gehrinh participou de ocorrência em que Jeferson de Souza foi fuzilado por Alan Wallace Moreira. Dupla está presa desde julho

atualizado

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Morador de rua é fuzilado no centro de SP
1 de 1 Morador de rua é fuzilado no centro de SP - Foto: Reprodução

A Justiça de São Paulo negou pedido de liberdade feito pela defesa do policial militar Danilo Gehrinh, que participou da ocorrência em que o morador de rua Jeferson de Souza foi fuzilado debaixo de um viaduto no centro da capital, em 13 de junho.

Em decisão publicada no fim de setembro, os desembargadores da 2ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça do estado afirmaram que não houve “constrangimento ilegal”, como alegaram os advogados, e que a liberdade do PM ofereceria risco à segurança pública.

Na ocorrência, o soldado Danilo Gahrinh foi o responsável por tapar a câmera corporal acoplada à farda, enquanto o colega, Alan Wallace dos Santos Moreira, 1º tenente da PM, efetuava os disparos. A dupla foi presa em 22 de julho, mais de um mês após o crime, quando as imagens vieram à tona.

Na gravação, é possível ver Jeferson de Souza chorando, com as mãos para trás, antes de ser morto, sem oferecer qualquer risco aos policiais. Segundo a denúncia do Ministério Público de São Paulo, os PMs teriam agido com “ânimo homicida” e “motivo torpe”, com emprego de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Assista:

Ao fundamentar seu voto, o desembargador Laerte Marrone, relator do habeas corpus apresentado pela defesa, disse que, apesar de não efetuar disparos, Danilo compactuou com o “desígnio homicida” do colega.

“Embora conste não ter efetuado diretamente os disparos, aparentemente tentou obstruir o registro da ocorrência, enquanto mantinha a vítima, rendida, subjugada a denotar que não apenas sua ciência, mas também sua adesão ao desígnio homicida de seu companheiro de farda, prestando auxílio material e moral”, disse o desembargador.

“Há indícios de que o paciente participou de crime de homicídio qualificado, numa ação que traduz um acentuado grau de culpabilidade, representado pela prática do crime de homicídio no exercício de suas funções como policial militar contra vítima rendida e subjugada”, acrescentou.


Homem em situação de rua morto por PMs

  • Jeferson de Souza, de 23 anos, foi morto com três tiros de fuzil, um na cabeça e dois no tórax, na Rua da Figueira, debaixo do viaduto 25 de Março. Segundo o registro oficial da ocorrência, o homem foi abordado “em atitude suspeita”.
  • O histórico aponta que, durante a ação policial, o suspeito resistiu, tentou retirar a arma de um dos agentes e, por isso, os policiais militares efetuaram disparos de arma de fogo contra ele.
  • Ao contrário do que disse a corporação, a reportagem apurou com um dos participantes da ocorrência que o homem baleado não estava armado, não reagiu nem tentou retirar a arma de um dos agentes.
  • De acordo com a polícia, a vítima chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital Santa Casa, mas não resistiu.
  • O registro aponta que o homem era “morador de área livre” e, por isso, não portava documentos. Na ocasião, a ocorrência foi encaminhada ao 1° DP (Liberdade).

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