Metrô usa água de aquífero na expansão da Linha 2-Verde. Entenda
Obra do Metrô obteve autorização da SP Águas, do governo estadual, para captar até 240 metros cúbicos em aquífero na zona leste de SP
atualizado
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O consórcio responsável pela expansão da Linha 2-Verde, do Metrô, recebeu autorização da SP Águas para extrair até 720 metros cúbicos por dia de um aquífero na zona de leste de São Paulo. Segundo a companhia, a água será usada durante as obras.
A autorização foi concedida pela SP Águas ao Consórcio Linha 02 Verde – Vila Prudente-Dutra, por 12 meses, para a exploração em três pontos específicos, de onde será possível extrair 240 metros cúbicos, cada, por dia. O volume total a ser retirado é equivalente a uma piscina olímpica a cada três dias, praticamente.
Pelas coordenadas informadas em Diário Oficial, os poços ficarão nas proximidades da futura Estação Penha, da Linha 2-Verde. A autorização não permite que a água seja utilizada para consumo humano.
O Metrô diz que a solicitação de captação de água subterrânea foi feita para apoiar a operação da tuneladora no trecho entre a Estação Penha e o Complexo Rapadura, como parte das obras de ampliação da Linha 2‑Verde.
Segundo a companhia, a autorização foi concedida para a executar de perfuração de poços artesianos profundos, que podem atingir cerca de 200 metros de profundidade.
Vizinhança
Em outubro, o Metrópoles mostrou que pessoas que vivem no entorno das obras de expansão da Linha 2-Verde reclamam de rachaduras nos imóveis, entre outros problemas, principalmente durante a passagem da tuneladora (tatuzão), com o Ministério Público de São Paulo (MPSP) recomendando, à época, a suspensão dos trabalhos. Na ocasião, a companhia disse que estava prestando esclarecimentos e todo o apoio necessário às famílias, afirmando também que nenhum imóvel impactado ficaria sem atendimento.
Mas e sobre a extração de água do aquífero especificamente? O Metrô diz que não há risco para as edificações do entorno e que a região já conta com outros poços desse tipo em funcionamento, “sem registros de impactos a imóveis vizinhos”.
Segundo a companhia, a utilização do aquífero será avaliada de acordo com a necessidade da obra, após a perfuração do solo, “o que permitirá estudar o volume de água disponível, bem como alternativas de abastecimento em parceria com as entidades responsáveis”.
“Vale destacar que o bombeamento é temporário, restrito ao período de escavações, e não interfere na recarga natural do solo e nem no abastecimento de água da região”, afirma.
Já a SP Águas afirma que a autorização para a perfuração de poços para uso de água subterrânea foi concedida para finalidade operacional das obras. “A atividade deve ser realizada sob responsabilidade de profissional habilitado, tendo sido apresentado o Atestado de Responsabilidade Técnica (ART), o que garante o acompanhamento e o cumprimento das normas técnicas executivas e de segurança durante a perfuração”, afirma.
Segundo o órgão, a água não poderá, “sob hipótese alguma”, ser destinada ao consumo humano. Apesar disso, diz também que não há indicação de contaminação no ponto de captação pelo órgão ambiental competente.
O órgão do governo estadual também afirma que não há previsão de lançamento da água em corpos d’água, “não havendo indícios de que a atividade ou o uso possam interferir diretamente na recarga ou na dinâmica de rios e córregos da região”.
Volume pequeno
Coordenador do Observatório dos Direitos à Água e ao Saneamento (Ondas), Amauri Pollachi afirma que o volume de captação autorizado pelo governo estadual não é elevado. “É uma vazão pequena, de um poço para atender frentes de obras. Não é algo extraordinário. É bastante comum que essas autorizações de outorgas sejam concedidas por um determinado período”, afirma.
Segundo Pollachi, são retirados cerca de 10 metros cúbicos de água subterrânea por segundo na capital paulista, por meio de outorgas obtidas por shoppings, condomínios, entre outros.
Ou seja, o volume a ser extraído pelos três pontos de Aricanduva para as obras do metrô representa 0,08% do que é retirado por dia na cidade de São Paulo (864.000 metros cúbicos)
As autorizações para exploração de água subterrânea na cidade de São Paulo cresceram, principalmente, durante a grande crise hídrica de 2014 e 2015.
Para Pollachi, a extração de 720 metros cúbicos diários não afeta a recarga de mananciais e cursos d’água na região. “A recarga de manancial se dá pelas chuvas. Em áreas de mananciais, não existe exploração de água subterrânea intensa. Não há empreendimento empresarial de grande porte”, afirma.
O especialista diz que a água do lençol subterrâneo não é recomendada para consumo humano direto, porque a qualidade é crítica, com áreas contaminadas na Grande São Paulo. Só seria possível encontrar água de boa qualidade a partir de 140 metros de profundidade, a depender do local.













