Inscreva-se no canal MetrópolesTV no YouTube
São Paulo

Metalúrgico de 39 anos é morto durante abordagem da PM na zona leste de SP.

Familiares afirmam que metalúrgico foi executado durante abordagem da PM na última quinta (5/11), na Vila Curuçá, zona leste de São Paulo

Arquivo Pessoal
Imagem mostra homem de boné sobre moto - Metrópoles

O metalúrgico Luiz Rodrigues de Santana Júnior, de 39 anos, foi morto durante uma abordagem da Polícia Militar (PM) no início da tarde de quinta-feira (5/11), na Vila Curuçá, zona leste de São Paulo. Familiares e testemunhas acusam os policiais de terem cometido uma execução. A ação foi registrada por câmeras de vigilância de imóveis da região. Os PMs não usavam câmeras corporais.

Confira:

“Era uma pessoa do bem, não devia mais nada. Estava trabalhando certinho, não tinha maldade com ninguém”, afirmou um primo de Santana Júnior, que tinha o apelido de Ninho. O corpo foi enterrado neste sábado (7/11), em Ferraz de Vasconcelos, na Grande São Paulo.

As imagens mostram a abordagem ocorrida na Rua Ilha dos Remédios, na altura do número 6, por volta das 12h30. O Kia Sportage branco de Santana Júnior estava estacionado. Policiais desceram da viatura e se aproximaram do veículo. Pela porta do passageiro, um deles efetuou disparos de fuzil. No lado oposto, outro PM deu dois tiros com uma pistola.

Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles SP

A ação ocorreu às 12h30 e, segundo o boletim de ocorrência, Santana Júnior foi levado ao Hospital Santa Marcelina ainda com vida, onde foi constatada a morte às 13h08. Exame preliminar apontou que ele foi baleado na cabeça, no rosto, no pescoço e no tronco.

O PM responsável por acompanhar a ocorrência afirmou aos policiais civis do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) que não havia outras testemunhas, além dos próprios agentes que participaram da ação.

No boletim de ocorrência, PMs apresentaram um revólver Taurus, calibre 38, com numeração raspada, como sendo do metalúrgico. A arma teria quatro cartuchos íntegros e dois deflagrados, segundo a versão oficial. Familiares afirmam, entretanto, que a arma foi “plantada” no carro, após a execução.

A ocorrência envolveu um sargento, um cabo e dois soldados do 4º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Foram encontrados no local sete estojos de munição calibre 5,56 (fuzil) e três de pistola .40.

Segundo o boletim de ocorrência, os PMs alegaram problemas técnicos por não terem câmeras corporais no momento da abordagem e morte do metalúrgico.

“Em relação à utilização de câmeras operacionais portáteis, o condutor informou que os policiais militares envolvidos encontravam-se regularmente escalados para o serviço, contudo não utilizavam os equipamentos em razão de problemas técnicos.”

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP

Frequência de envio: Diário

Ver todas as newsletters

Relato dos policiais

Os PMs disseram ter recebido, às 11h28 da quinta, denúncia anônima de que um homem conhecido como “Júnior”, “Juninho” ou “Japa” havia se envolvido na morte de um cabeleireiro chamado Ariel no dia 2 de novembro, na região da Estrada Dom João Nery. Segundo o denunciante, esse suspeito estaria em um Kia Sportage Branco, o mesmo modelo em que estava Santana Júnior.

Os familiares negam qualquer envolvimento de Santana Júnior no assassinato de outra pessoa. Também apontam imagens da morte de Ariel como prova de que ele não estava no local no momento das agressões.

Segundo os PMs, um carro com as características apresentadas na denúncia foi avistado e, durante a aproximação, arrancou bruscamente. Em determinado momento, teria parado e, na abordagem, Santana Júnior fez menção de que desceria, fechando a porta na sequência. Os policiais alegam que ele teria uma arma na mão, o que teria levado à reação.

Na ocorrência, os policiais civis responsáveis pelo registro afirmaram que “a existência de munições deflagradas no referido revólver, isoladamente, não permite concluir que a arma tenha sido disparada durante a intervenção policial”.

De acordo com o BO, uma pessoa compareceu ao DHPP posteriormente dizendo que Santana Júnior foi responsável por “agressões físicas e ameaça mediante emprego de arma de fogo” durante um desentendimento no trânsito ocorrido na Estrada Dom João Néri no domingo (1º/11) anterior à abordagem. Essa informação é refutada pelos familiares.

O caso será investigado pelo DHPP.

“A dinâmica ora apresentada decorre predominantemente das informações fornecidas pelos agentes envolvidos e dos vestígios preliminarmente documentados, não constituindo conclusão definitiva quanto à existência de agressão atual ou iminente, à necessidade dos disparos efetuados ou à presença de eventual causa excludente de ilicitude”, expuseram policiais civis, no boletim.

Ainda de acordo com eles, “a reconstrução dos acontecimentos dependerá da análise conjunta dos laudos periciais, exames balísticos, registros audiovisuais eventualmente disponíveis e demais elementos informativos a serem produzidos no curso da investigação”.

Procurada, a SSP afirmou que não se manifesta sobre “demandas factuais” durante o fim de semana e que um novo pedido deveria ser realizado na segunda-feira (9/11).