Macarrão e fitoterápicos: como são os dias de Zambelli presa na Itália
A ex-deputada federal Carla Zambelli está desde julho de 2025 no Complexo Penitenciário de Rebibbia, em Roma. Hostilizada, ela mudou de ala
atualizado
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Presa há 219 dias na Itália, a ex-deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) tem passado os dias fugindo do frio, alimentando-se de massas e frutas e medicando-se com remédios fitoterápicos e tratamentos naturais.
As informações são do deputado estadual, Bruno Zambelli (PL-SP), irmão de Carla, que tentará a reeleição na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). No domingo (1º/3), ele foi à manifestação bolsonarista na Avenida Paulista acompanhado da mãe, Rita Zambelli, que também irá concorrer às eleições pelo PL, como candidata a deputada federal, com o slogan “sou a voz da minha filha”.
Carla Zambelli está na prisão Germana Stefanini, que é a penitenciária feminina do Complexo de Rebibbia, composto por quatro presídios, em Roma.
De acordo com Fabio Pagnozzi, advogado da ex-parlamentar, no ano passado ela foi hostilizada por outras detentas e teve de trocar de ala.
“Ela estava numa cela no primeiro andar, que seria a cela dos agressivos, a cela dos homicidas, e a gente fez um pedido para que ela mudasse pro terceiro andar”, informa Pagnozzi.
No terceiro andar, Zambelli fica com a porta da cela aberta, pode circular nas dependências do presídio e tem acesso ao pátio. Quando estava no primeiro andar, ela ficava trancada e podia sair para os corredores apenas por 30 minutos diários.
Xenofobia, problemas com a balança e saúde mental
Pagnozzi diz que a sua cliente relatou que foi vítima de bullying e ofensas xenofóbicas. Já o senador Magno Malta (PL-ES), que visitou a deputada no ano passado, disse em um culto evangélico que Zambelli chegou a ser agredida fisicamente. A defesa da parlamentar não recebeu essa informação.
A comunicação com o mundo exterior é feita pelo correio ou e-mail. Segundo Bruno Zambelli, o irmão de Carla, a comunicação mais eficiente é por meio de cartas escritas à mão. Ele envia a carta em um dia, e normalmente recebe uma resposta três dias depois. A ex-deputada tem se dedicado aos estudos de italiano e, por vezes, mistura os idiomas.
O frio tem sido um inimigo de Carla Zambelli no inverno italiano. Ela pede para comer alimentos quentes e a alimentação na penitenciária italiana é baseada em massas. A dieta deixou a ex-parlamentar com problemas com a balança.
Por outro lado, a saúde mental de Zambelli parece estar em dia. Os relatos é de que ela está lúcida e passou por uma alteração medicamentosa. No Brasil, tomava muitos remédios psiquiátricos e para fibromialgia, que foram trocados por tratamentos naturais e “gotinhas” fitoterápicas. Ela manteve apenas um remédio desenvolvido em laboratório para regular os batimentos cardíacos.
Esperança no julgamento italiano
No momento, os familiares de Zambelli esperam por uma decisão da Justiça italiana, que julga a extradição da ex-deputada.
Em 10 de fevereiro, ela participou de uma audiência na chamada “Corte de Apelo”, o que poderia ser comparado à segunda instância da Justiça brasileira. A decisão na Itália tem demorado mais do que o comum. A defesa diz que já deveria ter tido um resultado há mais de uma semana.
O julgamento não deve parar por aí. Se Zambelli conseguir uma decisão favorável, o Ministério Público italiano deve recorrer. Caso a ex-deputada tenha um resultado negativo, a defesa também irá tentar levar a última instância, que é a “Corte de Cassação”.
No Brasil, Zambelli foi condenada por dois crimes no Supremo Tribunal Federal (STF). Em agosto, foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma, no episódio em que perseguiu um eleitor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), às vésperas das eleições de 2022. Em dezembro, a ex-deputada foi condenada a 10 anos por ajudar o hacker Walter Delgatti a invadir os sistemas informáticos do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
As duas condenações são julgadas na Itália como requisitos da extradição. Para a volta de Zambelli ao Brasil ser efetivada, os crimes têm de ser compatíveis com a justiça italiana. O advogado Fabio Pagnozzi defende que não é o caso da invasão aos sistemas da Justiça brasileira, mas que o STF acelerou o trânsito em julgado do porte ilegal de arma para complicar a vida da ex-deputada.
“O crime do CNJ, que seria um crime de hackeiragem, não é compatível. Não é um crime de pena elevada, muito menos lá de 10 anos de prisão, na Itália. Então, o [ministro do STF] Gilmar Mendes correu e fez o trânsito em julgado da ação do porte de arma. Isso complicou um pouco mais a defesa na Itália”, analisou Pagnozzi. Ele também defende que a condenação pelo STF foi feita com fragilidade de provas e acredita que possa ocorrer a absolvição de sua cliente.
O irmão acredita que a justiça italiana está sensibilizada com o caso da irmã e começa a assimilar a tese de perseguição política defendida pela família.
“Estão vendo também o que está acontecendo com o [ex-presidente] Jair Bolsonaro, estão vendo o que está acontecendo com [os ex-deputados] Eduardo [Bolsonaro], com o [Alexandre] Ramagem. Não é exclusivo, não é um negócio só com ela”, diz Bruno Zambelli.
Zambelli agora tem três possibilidades: ser extraditada pela Justiça, cumprir pena na Itália, ou viver no país europeu. A ex-deputada diz a interlocutores que não voltará para o Brasil por livre e espontânea vontade.
































