Lula sobre ausência na marcha: “Proveito político de coisa sagrada”

Lula conversou por telefone com apóstolo Estevam Hernandes, fundador da Marcha Para Jesus. Evento reúne Flávio e Tarcísio em palanque em SP

atualizado

metropoles.com

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Lula durante reunião ministerial
1 de 1 Lula durante reunião ministerial - Foto: Reprodução/CanalGov

Em ligação feita ao apóstolo Estevam Hernandes, fundador da Igreja Renascer em Cristo e presidente da Marcha para Jesus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) justificou a ausência no evento, que conta com a presença de diversos adversários políticos do petista, como Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“Eu vou lhe contar por que eu não vou, apóstolo. Eu não participo de nada religioso em época de eleição porque não quero passar a ideia de que estou tentando tirar proveito político de uma coisa sagrada“, disse Lula ao religioso, que respondeu que entende a situação. A ligação entre os dois foi feita por intermédio de Jorge Messias, Advogado-Geral da União e o único representante do governo Lula no evento.


O vídeo da breve conversa entre Lula e o apóstolo foi divulgado por Messias em suas redes sociais. O AGU, que recentemente teve sua indicação ao Supremo Tribunal Federal (STF) rejeitada pelo Senado, é membro da Igreja Batista Cristã de Brasília desde a infância e atua como diácono na congregação.

Em 2023, Messias foi vaiado durante discurso na Marcha para Jesus de São Paulo. Naquele ano, ele também estava no local representando o presidente Lula, que recusou convite para participar.

Na conversa com o pastor, o presidente agradeceu o carinho dado a Messias e lembrou o fato de ter sido o responsável por sancionar a lei que instituiu o Dia Nacional da Marcha para Jesus, em 2009.

“Deixa eu lhe falar, estou muito feliz porque é uma coisa que eu sancionei há tempo tempo atrás, e ver o sucesso que está tendo a Marcha Para Jesus é uma coisa muito importante”, disse Lula.

“Quero que o senhor saiba que sou muito grato pela assinatura da lei, foi um dia muito especial. Isso estará sempre no nosso coração. Obrigado, presidente”, afirmou o apóstolo Estavam Hernandes ao petista.


Marcha para Jesus

  • A Lei Federal nº 12.025/2009 instituiu oficialmente o Dia Nacional da Marcha para Jesus, celebrado anualmente no primeiro sábado subsequente aos 60 dias após domingo de Páscoa.
  • Sancionada por Lula em 2009, a norma surgiu de um proposta criada pelo então senador Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), em 2008.
  • Hernandes já demonstrou preferência por uma chapa presidencial que unisse Tarcísio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL).
  • Apesar de ter afirmado ao jornal Folha de S. Paulo que considera Ronaldo Caiado “um excelente candidato”, também avaliou que os evangélicos devem declarar apoio a Flávio, apesar de considerar que as explicações do senador sobre a relação Vorcaro sejam “desconexas”.

Tom político

Assim como nos últimos anos, a 34ª edição da Marcha Para Jesus foi marcada pela presença de políticos de direita, que tem no público evangélico uma das principais fatias do seu eleitorado e costuma usar o evento que reúne milhares de fiéis com palanque.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), pré-candidato à Presidência da República, afirmou em discurso aos presentes o Brasil vive uma guerra espiritual e que o evento serve como resposta ao “mundo do mal, que vai ser expulso do governo desse Brasil esse ano”.

Afirmou ainda que gostaria que seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em prisão domiciliar depois de ser condenado por tentativa de golpe de Estado, estivesse presente no evento.

“Isso aqui hoje para mim está sendo muito importante. Porque a gente vê muita maldade acontecendo no Brasil, injustiça, perseguição. Minha família tá sendo vítima disso. E quando a gente vê milhões de pessoas assim que acreditam em Deus, louvando ao Senhor, dá uma virada de chave e uma alegria no coração. A gente vê que com fé a gente vai conseguir recuperar o nosso Brasil”, disse aos jornalistas.

Flávio ainda disse que um evento como a Marcha Para Jesus, que reúne milhares de evangélicos nas ruas da capital paulista, “pode irritar muita gente do lado de lá”.

“Aqui não vai ter censura. Nesse ato, eu tenho certeza que pode até estar irritando muita gente do lado de lá. Mas vão ter que aturar, porque isso aqui é a prova que o Brasil tem fé, que o Brasil tem futuro”, afirmou o senador.

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